Júri de bióloga acusada de matar dois jovens em atropelamento brutal em Cuiabá é adiado novamente e revolta famílias
Mais uma vez, a Justiça decidiu empurrar para frente o julgamento de um dos casos mais chocantes já registrados em Cuiabá. A bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, acusada de provocar a morte de dois jovens após um atropelamento em frente à boate Valley Pub, ainda não foi levada a júri popular e a espera já se aproxima de oito anos.

A nova data foi marcada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira para o dia 23 de junho de 2026, às 9h, após mais um adiamento. O motivo? Pedido da defesa alegando conflito na agenda do advogado argumento aceito pela Justiça para garantir o direito de defesa.
RELEMBRE O CASO
O crime aconteceu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, na Avenida Isaac Póvoas. Segundo as investigações, Rafaela teria atropelado violentamente três jovens que estavam em frente à casa noturna.
As vítimas fatais foram Myllena de Lacerda Inocencio e Ramon Alcides Viveiros. Já Hya Girotto Santos sobreviveu, mas ficou gravemente ferida.
Testemunhas relataram cenas fortes: impacto violento, desespero e correria no local que, até hoje, é lembrado como palco de uma tragédia anunciada.
EMBRIAGADA E EM ALTA VELOCIDADE, DIZ JUSTIÇA
Mesmo sem julgamento criminal concluído, na esfera cível a responsabilidade da acusada já foi reconhecida. O juiz Yale Sabo Mendes concluiu que Rafaela dirigia embriagada e acima da velocidade permitida no momento do atropelamento.
O laudo pericial foi direto: ela tinha plenas condições de evitar o acidente, mas não reagiu a tempo, mesmo com boa visibilidade.
Além disso, o processo aponta sinais claros de embriaguez:
- fala desconexa
- desequilíbrio
- forte odor de álcool
- recusa ao teste do bafômetro
Testemunhas ainda afirmaram que a acusada apresentava estado crítico, com dificuldade para se manter em pé e até episódios de vômito antes de dirigir.
A decisão foi firme ao destacar que a culpa foi exclusivamente da condutora, afastando qualquer responsabilidade das vítimas.
JUSTIÇA QUE NÃO CHEGA
Apesar de todas as provas e da condenação na esfera cível, o processo criminal segue sem desfecho. Rafaela responde por homicídio simples e deverá ser julgada pelo Tribunal do Júri.
Enquanto isso, familiares das vítimas convivem com a dor e a sensação de impunidade.
Quase uma década depois, a pergunta continua ecoando nas ruas da capital:
até quando o caso Valley vai esperar por justiça?