Criminosos cobravam “taxa de proteção”, infiltravam trabalhadores em fazendas e mantinham rede de vigilância para driblar a polícia

Uma grande ofensiva contra o crime organizado sacudiu o interior de Mato Grosso na manhã desta sexta-feira (27). O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), com suporte da Polícia Militar, colocou nas ruas a Operação Agroseguro, mirando uma facção que vinha dominando o distrito de Garça Branca, em Pedra Preta.
Segundo as investigações, o grupo criminoso havia praticamente tomado conta da região, impondo medo a produtores rurais e trabalhadores. Entre as práticas identificadas estão tráfico de drogas, extorsões e receptação. Os suspeitos exigiam pagamentos sob a promessa de uma falsa “proteção”, além de pressionarem diretamente a rotina das propriedades.
A área alvo da operação não é qualquer uma: trata-se de um importante polo agrícola, com forte produção de sementes e grande movimentação econômica. Justamente por isso, virou alvo estratégico da organização criminosa.
O esquema era bem estruturado. Os integrantes tinham funções definidas e atuavam de forma organizada. Parte deles chegava a se infiltrar em fazendas como funcionários, com o objetivo de monitorar o ambiente e repassar informações valiosas ao grupo.
As investigações também apontaram que os criminosos utilizavam imóveis no distrito como base para guardar drogas, esconder bens ilegais e armazenar equipamentos de comunicação clandestinos. Esses locais ainda serviam como ponto de encontro para planejamento das ações.
Para evitar flagrantes, a facção mantinha um sistema de vigilância com “olheiros”, responsáveis por observar qualquer movimentação suspeita, especialmente de viaturas policiais.
Durante a operação, cerca de 60 policiais militares participaram do cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, reforçando o cerco contra o grupo.
O Gaeco atua como uma força-tarefa integrada, reunindo Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e o sistema socioeducativo, com foco no combate ao crime organizado no estado.
As autoridades reforçam que a população pode ajudar nas investigações. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos números 127 (Ouvidoria do MPMT) ou 190 (Polícia Militar).



