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Não há como negar: o Mato Grosso sabe fazer tecnologia de ponta. Quem duvida só precisa visitar uma fazenda de alta competitividade no estado: sensores monitoram a umidade do solo em tempo real, algoritmos preveem o desempenho da safra semanas antes da colheita e tratores operam com precisão milimétrica guiados por GPS. Não à toa, só no primeiro trimestre de 2025, o agronegócio cresceu 12,2%, alimentado por toda essa vantagem tecnológica em nosso estado.
Mas existe uma pergunta que nem toda essa tecnologia conseguiu responder: o que o Mato Grosso faz com esses recursos fora do agro? E por que não existem mais empresas atuando em outros mercados?
Existem muitos outros nichos da economia a explorar
O Mato Grosso poderia entrar em muitos outros nichos da economia, se quisesse. Do entretenimento digital ao desenvolvimento de aplicativos, existe uma miríade de opções a explorar que, até agora, não foram exploradas.
Quer ver um exemplo? Podemos citar o slot online Fortune Rabbit. O jogo é um caça-nível de cassino desenvolvido pela PG Soft e que usa o coelho como símbolo de sorte, aproveitando sua presença no horóscopo chinês. Ou seja: é algo feito na Europa, com base em um elemento cultural da China. O produto existe porque alguém olhou para um símbolo cultural simples e viu nele um produto digital viável para o mercado global.
Literalmente os mesmos ingredientes estão no Mato Grosso e na cultura brasileira: o "pé de coelho" é um amuleto popular há gerações. E o Tapiti, o coelho nativo do Pantanal, é um símbolo tão legítimo quanto o Coelhinho da Sorte chinês. Ou seja: um produto como o Fortune Rabbit poderia ter saído daqui, mas não saiu. O insumo existia, mas faltou fazer algo com ele.
Esse vácuo não é exclusivo do entretenimento. Por exemplo, a tecnologia de GPS avançadíssima usada nas fazendas do Mato Grosso poderia virar um aplicativo de localização. Entretanto, a população só usa o Waze, que vem de fora.

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Tecnologia é tecnologia, em qualquer nicho
A habilidade de construir um algoritmo para prever a quebra de uma lavoura, por exemplo, é praticamente a mesma que sustenta um sistema de personalização de experiências digitais.
Programar sensores para monitorar gado em campo aberto exige competência técnica que não some quando o engenheiro fecha o computador e vai embora da fazenda.
Um exemplo: o AgriHub Conecta 2026, que reuniu mais de 2,5 mil produtores e 140 startups em Cuiabá, mostrou que já existe um ecossistema de inovação ativo no Mato Grosso. Startups mato-grossenses participaram de missões internacionais como o BTEC Illinois, conectando-se a redes globais.
Ou seja: esse capital humano e técnico está formado no Mato Grosso, mas focado no agro.
Qual o problema de focar no agro?
Mato Grosso responde por uma fatia significativa do PIB nacional, com crescimento projetado de 6,6% em 2025, acima da média do país. Mas esse crescimento econômico está focado no agronegócio, em sua maioria.
O problema, aqui, não é o foco no agro, mas sim a dependência de um setor. Afinal, todo mundo já ouviu falar que não é recomendado colocar todos os ovos em uma única cesta. É importante diversificar para criar uma economia à prova de crises.
Devemos entender que o mesmo estado capaz de alimentar o mundo também pode criar produtos digitais e outras soluções próprias.