Vítima ficou internada segundo a familia por dois dias no HMC sem especialista, exames no local e recebeu alta sem laudo ou encaminhamento; família teve que recorrer à rede particular
Uma família de Cuiabá denuncia falhas graves no atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após um homem sofrer um acidente grave com uma roçadeira, que lançou um fragmento metálico para dentro do nariz e dos seios da face, provocando ferimento profundo e intensa perda de sangue.

GRUPO LAPADA

Segundo relato da família, o acidente ocorreu no dia 27 de dezembro, quando a vítima foi socorrida e levada inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Devido à gravidade do quadro, ele foi encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) para avaliação especializada.
Ainda no sábado (27), os familiares foram informados de que o hospital não dispunha de médico otorrinolaringologista de plantão e que o equipamento de tomografia do HMC estava em manutenção, o que impossibilitou a realização imediata do exame essencial para avaliar a extensão do ferimento.
Somente no domingo à noite, por volta das 18h, o paciente foi levado ao Hospital São Benedito, onde conseguiu realizar a tomografia. O exame confirmou a presença de corpo estranho alojado na face, reforçando a gravidade do caso e a necessidade de acompanhamento especializado, possivelmente cirúrgico.


Apesar do resultado, a família afirma que foi informada apenas de forma verbal sobre uma possível transferência para a Santa Casa de Cuiabá, porém nenhum documento oficial de transferência foi emitido.
Após permanecer internado entre os dias 27 e 29 de dezembro, o paciente recebeu alta hospitalar no dia 29, mesmo com o corpo estranho ainda alojado e sob risco de complicações. De acordo com os familiares, ele deixou o HMC sem receber laudo médico, relatório de atendimento, encaminhamento ou qualquer documento que garantisse a continuidade do tratamento.
Diante da situação, a família foi obrigada a buscar atendimento na rede particular, onde um médico otorrinolaringologista confirmou a necessidade de avaliação especializada e a possibilidade de intervenção cirúrgica.
Dificuldade para acesso ao prontuário
A família também relata dificuldades para obter acesso ao prontuário médico do paciente. No domingo (28), foi feita uma solicitação formal ao hospital para a entrega do espelho do prontuário, incluindo laudos médicos, exames realizados, medicações administradas e eventual pedido de transferência.
Na ocasião, a assistente social informou que os documentos não poderiam ser fornecidos naquele momento, orientando que o pedido fosse feito apenas na segunda-feira (29).
Na manhã de segunda-feira, a esposa do paciente compareceu pessoalmente ao hospital e foi informada de que não havia médico disponível para entregar o laudo. Já no período da tarde, ao retornar ao HMC, ouviu de funcionários que “não precisava de laudo”, mesmo diante da realização de exames e da gravidade do caso.
Somente após insistência, a família foi orientada a procurar o SAME (Serviço de Arquivo Médico) para dar entrada no pedido formal, sendo informada de que os documentos só poderiam ser fornecidos em até 72 horas.
Até o momento da alta hospitalar, nenhum documento oficial foi entregue à família, o que, segundo eles, comprometeu a continuidade do tratamento pelo SUS e gerou gastos com atendimento particular.
Questionamentos
O caso levanta questionamentos sobre a falta de médicos especialistas, a indisponibilidade de equipamentos essenciais, possíveis falhas no processo de transferência hospitalar e o desrespeito aos direitos do paciente, especialmente no que diz respeito ao acesso às informações do próprio prontuário médico.
A família afirma que busca respostas e providências para que situações semelhantes não se repitam com outros pacientes que dependem exclusivamente da rede pública de saúde.
