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Covid longa: um em cada oito pacientes sofre com sintomas prolongados

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 Problemas respiratórios podem ser sintomas da covid longa
Mojpe / Pixabay

Problemas respiratórios podem ser sintomas da covid longa

Uma em cada oito pessoas infectadas com a  Covid-19 desenvolve ao menos um dos sintomas da Covid longa, a persistência de problemas ligados à doença por mais de três meses após a contaminação.

A conclusão é de um dos maiores estudos já feitos sobre a síndrome, conduzido por pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, e publicado na revista científica The Lancet.

Com mais de 500 milhões de casos do novo coronavírus registrados em todo o mundo desde o início da pandemia, aumentam as preocupações com os sintomas duradouros. No entanto, poucos estudos compararam pessoas com a Covid longa àquelas que não foram infectadas

No novo trabalho, os pesquisadores solicitaram a mais de 76.400 adultos holandeses que preenchessem um questionário sobre 23 sintomas relacionados à síndrome.

Entre março de 2020 e agosto de 2021, cada participante respondeu ao questionário 24 vezes. Nesse período, mais de 4.200 dos participantes, ou 5,5%, relataram ter sido infectados pela Covid-19.

Destes, mais de 21% contaram ter pelo menos um dos vários sintomas da doença no período de três a cinco meses após a infecção. Porém, quase 9% das pessoas do grupo de controle, que não contraíram a Covid-19, relataram um aumento semelhante. Isso porque alguns dos sinais, como fadiga e dores de cabeça, podem não ser decorrentes da infecção.

“Ao observar os sintomas em um grupo de controle não infectado e em indivíduos antes e depois de uma infecção por SARS-CoV-2, pudemos ver sintomas que podem ser resultado de aspectos de saúde não infecciosos da pandemia, como estresse causado por restrições e incertezas”, explica uma das autoras do estudo, Aranka Ballering, pesquisadora da universidade.

A comparação entre os dois grupos torna o resultado mais sólido e sugere que apenas 12,7% dos que tiveram Covid-19, quase um em cada oito, de fato sofreram com sintomas de longo prazo. Os pesquisadores também registraram sintomas antes e depois da infecção por covid, permitindo a identificação exata daqueles que estavam relacionados ao vírus.

Eles determinaram que os sintomas comuns do quadro incluem dor no peito, dificuldades respiratórias, dores musculares, perda de paladar e de olfato e fadiga. Aranka afirma que a Covid longa é “um problema urgente com um custo humano crescente”.

Os autores reconheceram que o estudo tem limitações, como não abranger variantes tardias, como a Delta ou a Ômicron, e não coletar informações sobre sintomas como os lapsos na mente, considerados típicos de covid prolongada.

Christopher Brightling e Rachael Evans, especialistas da Universidade de Leicester, no Reino Unido, que não estão envolvidos no estudo, disseram que foi “uma grande melhoria” em relação a estudos anteriores, por ter incluído um grupo de controle de pessoas não infectadas.


Fonte: IG SAÚDE

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Monkeypox: OMS muda o nome das variantes do vírus; entenda motivo

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório
Reprodução/NIAD 13.08.2022

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório

Um grupo de especialistas reunidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a mudança nos nomes das variantes do vírus monkeypox, causador da varíola dos macacos , nesta sexta-feira. Em vez de carregarem o nome das regiões da África onde são predominantes, agora as linhagens serão reconhecidas por meio de algarismos romanos, em busca de uma nomenclatura “não discriminatória”.

A equipe trabalha para renomear tanto as cepas, como a própria doença, desde junho, quando a organização atendeu a um pedido de diversos virologistas internacionais. O nome que irá substituir o termo varíola dos macacos, no entanto, ainda não foi decidido.

Segundo a OMS, as alterações seguem as melhores práticas atuais para nomear doenças e patógenos, que devem “evitar ofender qualquer grupo cultural, social, nacional, regional, profissional ou étnico e minimizar qualquer impacto negativo no comércio, viagens, turismo ou bem-estar animal”, explica a instituição em comunicado.

Antes chamadas de Clado do Congo – variante predominante na África Central – e Clado da África Ocidental, agora as linhagens são oficialmente nomeadas de Clado I e Clado II, respectivamente. O Clado II é dividido ainda em duas sublinhagens, o Clado IIa e o Clado IIb .A decisão foi tomada pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) em reunião realizada no dia 8 de agosto.

De acordo com a OMS, o grupo segue trabalhando para o novo nome que substituirá “monkeypox”, e consequentemente “varíola dos macacos”, em português. A denominação da doença já recebia críticas, uma vez que os macacos não são portadores da doença.

A confusão começou em 1958, quando o vírus foi isolado pela primeira vez. Para isso, os pesquisadores utilizaram um macaco cinomolgo (Macaca fascicularis), espécie natural da Ásia. Porém, os principais animais que carregam o vírus são roedores.

Na última terça-feira, a OMS chegou a lamentar relatos de ataques a primatas ocorridos no Brasil pelo medo da contaminação pela varíola dos macacos, e reforçou que o surto atual é causado pela transmissão entre humanos.

A declaração veio após indivíduos da espécie terem sido envenenados e feridos numa reserva natural em Rio Preto, no Estado de São Paulo. Equipes de resgate e ativistas suspeitam que os animais foram alvos depois que três casos da varíola símia foram confirmados na região.

Além da referência aos macacos, os especialistas reclamavam principalmente da associação das variantes às localidades da África. Em junho, cerca de 30 profissionais ao redor do mundo fizeram uma publicação no virological.org – site em que virologistas compartilham informações sobre vírus em tempo real – pedindo a alteração nos nomes.

Chamada de “Necessidade urgente de uma nomenclatura não discriminatória e não estigmatizante para o vírus monkeypox”, o documento tem entre seus assinantes o brasileiro Tulio de Oliveira, um dos responsáveis por sequenciar a variante Ômicron do Sars-CoV-2 na África do Sul e que foi escolhido como um dos cientistas do ano em 2021 pela revista científica Nature.

O movimento tem argumento semelhante ao realizado no ano passado, quando a OMS passou a adotar letras gregas para as cepas da Covid-19, no lugar da referência ao país em que ela foi identificada. Na época, a epidemiologista-chefe da OMS e líder da resposta ao novo coronavírus, Maria Van Kerkhove, destacou que “nenhum país deve ser estigmatizado por detectar e relatar novas variantes”. Foi, por exemplo, quando a antiga “variante indiana” passou a ser chamada de variante Delta.

Segundo os pesquisadores, a retirada das regiões africanas nos nomes das variantes do vírus monkeypox é uma iniciativa importante, especialmente pelo vírus estar se disseminando agora por todos os continentes.

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Fonte: IG SAÚDE

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Por falta de doses de BCG, postos de saúde racionam estoques

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Cobertura vacinal de crianças com a BCG está abaixo de 60%, e estados têm baixa no estoque
Lucas Alvarenga/Prefeitura de São Gonçalo

Cobertura vacinal de crianças com a BCG está abaixo de 60%, e estados têm baixa no estoque

Desde o final de abril, quando o Ministério da Saúde reduziu o envio de doses da vacina BCG , postos de saúde pelo país precisaram se adaptar e racionar estoques para evitar o desabastecimento. Estratégias como agendamento prévio, dias específicos para a aplicação e oferta do imunizante apenas em determinadas unidades são implementadas em diversos estados do Brasil, mostra levantamento feito pelo GLOBO.

As medidas, no entanto, podem intensificar ainda mais a queda da cobertura vacinal, que está no pior percentual já registrado, por volta de 56%, avaliam especialistas.

Para Patrícia Boccolini, doutora em saúde coletiva e pesquisadora do Observa Infância, projeto da Fiocruz e do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase) que monitora a vacinação de crianças, são entraves que levam a aplicação da vacina a deixar de ser prioridade.

“Os pais chegam no posto para se vacinar e são informados de que não há doses, ou que tem que voltar em outro dia que é específico para a BCG. Só que muitas vezes no outro dia os pais não podem, e a vacina acaba sendo deixada de lado. E pouco tem sido feito em relação a campanhas de vacinação no Brasil, porque não adianta dizer apenas “vai vacinar”, é preciso explicar por que é tão importante para que se torne uma prioridade”, diz a especialista.

O pediatra Daniel Becker, sanitarista do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda e destaca que os quadros de tuberculose graves , que são evitados com a BCG, são especialmente perigosos para crianças não vacinadas.

“Existe algo chamado de oportunidade de vacinação. Especialmente quando temos pessoas com pouco acesso aos serviços de saúde, para ela voltar é muito difícil. E o Brasil tem uma das maiores taxas endêmicas de tuberculose, então para o bebê não vacinado a doença pode provocar quadros muito graves. É uma vacina muito importante que definitivamente não pode faltar”, afirma Becker.

Parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) , a vacina BCG é feita com uma única dose e é indicada para todos a partir do nascimento até antes de completar cinco anos de idade, de preferência no primeiro mês de vida. Embora não previna 100% a doença, a aplicação em massa consegue evitar o desenvolvimento para formas graves, como a meningite tuberculosa.

A realidade de baixos estoques da vacina BCG acontece no momento em que o país vive quedas sucessivas na cobertura com o imunizante. O último ano em que o Brasil atingiu a meta de vacinar mais de 90% do público-alvo foi em 2018, quando alcançou 99,7% das crianças, segundo dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).

Nos anos seguintes, o percentual caiu para 86,7%, em 2019; 74,3%, em 2020; 69,1%, em 2021, e agora está em 56,31%. É a cobertura mais baixa da série histórica, que teve início em 1996, destaca Patrícia, do Observa Infância.

“No caso da BCG, a queda é preocupante porque nós tínhamos um histórico de altíssimas coberturas. E agora não é só uma questão de adesão da população, estamos vendo pessoas indo aos postos e não conseguindo ter acesso à vacina. Então são outros problemas que se apresentam para um imunizante que é indicado para ser aplicado de preferência no primeiro mês de vida”, explica a especialista.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou não haver desabastecimento, apenas uma “readequação do quantitativo” devido ao processo de compra importada dos imunizantes.

Isso porque a única fábrica autorizada a produzir a vacina no país, pertencente à Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), no Rio de Janeiro, está interditada pela Anvisa pela necessidade de ajustes impostos após a última inspeção sanitária realizada pela agência.

Com isso, o ministério passou a adquirir as vacinas com o Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas o quantitativo enviado aos estados por mês foi reduzido de 1 milhão para 500 mil doses. Segundo a pasta, a previsão é que a situação seja normalizada em setembro.

Levantamento feito pelo GLOBO mostra os impactos em âmbito nacional. Na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, eram recebidas, em média, 21 mil unidades da vacina antes da redução nacional. O contingente diminuiu para 7,3 mil doses.

Porém, neste mês, o quantitativo foi de apenas 4,2 mil – uma redução total de 78%. De acordo com a pasta estadual, para suprir as demandas de todos os municípios são necessárias 75 mil doses, mas nos últimos meses Minas Gerais tem recebido cerca de 41,5 mil.

Em Cuiabá, a aplicação da BCG chegou a ser suspensa no dia 18 de julho, e foi retomada apenas nesta segunda-feira. A Secretaria Municipal de Saúde alertou que a quantidade recebida é insuficiente para abastecer toda a rede pública e, por isso, dividiu a aplicação do imunizante em apenas quatro unidades de saúde.

Em diversos estados o quantitativo enviado pelo ministério está longe do necessário para a população. No Espírito Santo, o total de doses enviadas tem sido de somente 60% do solicitado. No Rio Grande do Sul, 55,5%; em Santa Catarina, 45,3%; no Ceará, 45%; em São Paulo, 40%; no Rio Grande do Norte, 35%; em Goiás e na Bahia, 30%; em Roraima, 29%, e na Paraíba, 17,9%.

Na capital do Rio de Janeiro, o recebido no momento é de 50% do que era enviado anteriormente. Em Aracaju, capital do Sergipe, o contingente é 38,5% do necessário; em Manaus, capital do Amazonas, de 45% e, em Recife, capital de Pernambuco, de apenas 7,1%.

No Distrito Federal, onde as doses recebidas correspondem a apenas 31,2% das remessas anteriores, a Secretaria Estadual de Saúde informou ainda que há somente 200 unidades em estoque, que devem durar por apenas mais uma semana.

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Fonte: IG SAÚDE

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