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FOMO de streaming: enxurrada de lançamentos afetou minha saúde mental

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Plataformas oferecem cada vez mais opções de séries e filmes
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Plataformas oferecem cada vez mais opções de séries e filmes

Por Paula Alves

Lembro que quando Round 6 foi lançado pela Netflix, em setembro de 2021, um sinal vermelho acendeu na minha cabeça com a palavra FOMO em destaque. Eu assisti à série praticamente uma semana depois do seu lançamento, mas me senti mal porque mesmo em tão pouco tempo, já havia perdido o timing das conversas no Twitter e dos memes que o show havia gerado. O tópico do momento já estava concentrado em alguma outra série, filme ou reality show que era a nova bola da vez nos streamings – e que, claro, eu também ainda não tinha tido tempo de conferir.

Na época, há quase dois anos em casa devido à pandemia do Covid-19, a internet era meu único túnel de ligação com o mundo exterior, e eu, definitivamente, nunca havia passado tanto tempo nas redes sociais. Quase todas as minhas interações haviam sido transferidas para aquele lugar, e era pela internet que eu me abastecia das notícias do mundo e supria minha necessidade de pertencer a uma conversa.

Além disso, havia outras camadas nessa história. Especialmente nesse período, o Brasil presenciava um boom de lançamentos de plataformas de streaming e, tanto por trabalhar com isso, como também porque filmes e séries sempre foram minha grande paixão, me vi soterrada por um monte de assinaturas de serviços.

Uma variedade de plataformas suficiente para me despertar um sentimento de urgência: se eu havia assinado, precisava consumir. E, como jornalista da área e pessoa que queria se sentir incluída naquele universo, de repente me vi correndo atrás de uma linha de chegada inalcançável: a de querer estar a par de tudo, a todo momento.

O panorama do streaming no Brasil

Não eram uma, duas ou três plataformas de streaming que eu assinava entre o final de 2021 e começo de 2022. Eram nove! Um número alto se pensarmos no tamanho do catálogo de cada uma delas, mas ainda pequeno se comparado à quantidade de serviços que o Brasil possui.

Durante a pandemia, esse mercado se tornou ainda mais competitivo com a chegada de três grandes serviços no país, que caíram no gosto do brasileiro.

Dois deles, o Disney+ e a HBO Max (grupo WarnerMedia), segundo dados apresentados pelo JustWatch, no final de 2021, já pularam logo para o terceiro e quarto lugar entre as plataformas do gênero mais assinadas do Brasil. Enquanto isso, o Star+ (também do grupo Disney), despontou em sétimo na corrida.

Além disso, esses serviços chegaram por aqui com um extenso catálogo de produções. Para se ter ideia, só o Disney+, além de todo o conteúdo próprio da Disney, contava ainda com as marcas Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic em sua plataforma. Já a HBO Max tinha produções da HBO, Warner Channel, TNT, DC Comics e os filmes da Warners Bros no currículo, enquanto o Star+ vinha com os esportes da ESPN, filmes que tinham acabado de passar nos cinemas e séries como Os Simpsons, This is Us e The Walking Dead.

Era uma quantidade esmagadora de títulos que se somavam, mensalmente, a ainda mais conteúdos populares e originais que estreavam em cada um dos serviços.

A decisão de filtrar as assinaturas

Foram longos meses dessa relação confusa – e fadada ao fracasso – com os serviços que assinava, em uma corrida contínua em que eu desejava estar por dentro de tudo. Até que exausta, tomei a única decisão possível.

Quase como um detox, cancelei assinaturas que não faziam mais sentido (e que eu poderia voltar a assinar eventualmente para ver a nova temporada de uma série), cortei parte do tempo que passava nas redes sociais e me apeguei a um bote-salva-vidas que não poderia ter sido mais providencial: a volta ao convívio social, que mesmo restrita, com máscara e muitos cuidados, gradualmente se tornou uma realidade.

Nesse processo, procurei entender também mais sobre FOMO, a palavra que havia aparecido ainda em novembro na minha cabeça, e que ajudou a me mostrar que eu não estava sozinha nessa situação e que esse sentimento era muito mais comum do que eu imaginava.

Entendendo o verdadeiro significado de FOMO

“Fear of Missing Out ou ‘medo de ficar de fora’ é um conjunto de sentimentos, pensamentos e comportamentos incômodos que muitas pessoas, principalmente as que fazem uso intenso de redes sociais, apresentam. É um medo de exclusão social e uma vontade de pertencer a um grupo, momento ou até a um evento sobre o qual muitas pessoas estão falando”, explica Ana Luiza Apolônio, psicóloga comportamental, em entrevista ao Tecnoblog.

O termo, usado pela primeira vez nos anos 90 pelo estrategista de marketing Dan Herman, ganhou ainda mais projeção nos últimos anos e, apesar de não ser exatamente uma patologia (ele não está listado no DSM, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), constitui uma série de sintomas intimamente ligados à ansiedade e ao estresse mental e emocional. Algo que, na pandemia, encontrou um campo fértil para crescer, como esclarece Ana Luiza.

“O isolamento mudou a forma de nos relacionarmos socialmente. Passamos a interagir mais pelas redes sociais e a consumir mais por elas também, assim ficamos expostos a uma quantidade infinita de conteúdos. E isso não é necessariamente ruim. O problema é quando somos jogados nesse mundo de excesso de conteúdo e acabamos sendo consumidos por ele, não o contrário”, afirma.

As várias faces do FOMO

No meu caso, havia um contexto muito específico com os streamings, mas a verdade é que o FOMO pode se apresentar de muitas maneiras, inclusive em âmbitos fora da internet.

No contexto digital, no entanto, em que temos os algoritmos de redes sociais trabalhando para reforçar certos conteúdos e um fluxo intenso de informações diárias, a sensação de precisar entender ou fazer parte de tudo o que está sendo falado, é quase intrínseca ao meio. “Em um ‘passeio’ pelas redes sociais e pelas plataformas de streaming, se não assumimos o lugar de consumidores, somos consumidos”, aponta Ana Luiza.

Isso pode significar achar que você precisa estar em dia com todas as séries e filmes lançados recentemente, mas também que precisa checar a cada cinco minutos suas mensagens no WhatsApp, que não pode deixar de participar de tendências e investimentos que fazem sucesso pela internet, que precisa aproveitar eventos e conteúdos limitados de jogos de videogame ou até mesmo que precisa estar presente em todas as redes sociais.

Se todos estão – ou ao menos aparentam estar – consumindo, comprando, fazendo, jogando e vivendo essas coisas, é comum sentirmos que se não fizermos o mesmo, estaremos deixando de passar por uma experiência valiosa. O que torna tão difícil filtrar esses estímulos externos.

“É importante lembrar que em maior ou menor grau todos experimentamos o medo de exclusão social e isso não é motivo de preocupação. Esse medo só é considerado um problema quando traz consequências negativas para nós e/ou para os outros, atrapalhando nosso funcionamento ou nos afastando de coisas importantes”, esclarece a psicóloga.

Como dar adeus à sobrecarga e focar na saúde mental

Para quem se reconheceu nessas situações, é importante avaliar o que está errado e fazer pequenas alterações na rotina. Para mim, por exemplo, ajudou bastante cancelar alguns serviços de streaming, aprender a desapegar desse acúmulo de listas e metas a cumprir e me distanciar do uso excessivo das redes sociais.

Cada pessoa, no entanto, enfrenta esses processos de maneiras muito diferentes. Até mesmo porque, para grande parte da população, a internet e seu ecossistema de redes sociais e notícias já está intrinsecamente ligada ao dia a dia. O que quer dizer que dar esse passo para trás e se desconectar do mundo online nem sempre é fácil – ainda que, muitas vezes, necessário.

Para lidar com tudo isso, a ajuda especializada de profissionais da psicologia ou psiquiatria é fundamental. Um tratamento correto é indispensável para que você cuide da sua saúde mental e da manutenção da sua relação com os meios digitais.

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Mark Zuckerberg posta selfie no metaverso e vira piada na internet

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Mark Zuckerberg posta foto no metaverso
Reprodução/Facebook

Mark Zuckerberg posta foto no metaverso

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, virou motivo de piada nas redes sociais nesta semana depois de publicar uma selfie no metaverso. O ambiente digital foi criticado por ter design muito simples e nada imersivo.

A imagem foi postada por Zuckerberg na terça-feira (16) para anunciar a chegara da plataforma de metaverso da empresa, a Horizon Worlds, na França e na Espanha.

Na foto, Zuckerberg aparece na frente da Torre Eiffel, em Paris, e do Templo da Sagrada Família, em Barcelona. Nas redes sociais, a falta de recursos da imagem foi criticada.

“Não parece um produto real. Não há nada de ‘imersivo’ nisso. Quando seu produto principal se parece com as paredes pintadas de uma creche abandonada, você deve se perguntar”, escreveu um internauta. “Parece ótimo”, brincou outro.

“O que eles estão fazendo com todo esse dinheiro?”, questionou outro usuário, em referência aos US$ 10 bilhões que a Meta está investindo na criação de seu metaverso.


Fonte: IG TECNOLOGIA

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Após denúncia de ONG, Meta proíbe anúncios que questionem as eleições

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Meta atualiza regras eleitorais no Brasil
Unsplash/Dima Solomin

Meta atualiza regras eleitorais no Brasil

A Meta afirmou nesta semana que vai proibir anúncios questionando a legitimidade das eleições deste ano em suas plataformas. A atualização apareceu em uma publicação da empresa a respeito das medidas que está tomando durante o período eleitoral brasileiro.

A decisão veio a público depois que a  ONG internacional Global Witness acusou a empresa de permitir a circulação de anúncios deste tipo no Brasil. Na segunda-feira (15), a organização divulgou um relatório mostrando 10 peças publicitárias que passaram pelos critérios da dona do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Enquanto alguns anúncios tinham datas e locais de votação errados, o que poderia impedir cidadãos brasileiros de votarem, outros criticavam as urnas eletrônicas, questionando a legitimidade do pleito.

Na terça-feira (16), a Meta atualizou sua publicação confirmando a novidade. “Como parte do nosso trabalho para proteger a eleição no Brasil em 2022, vamos proibir anúncios questionando a legitimidade desta eleição”, afirmou a companhia.

A atualização aconteceu em um texto publicado na última semana que relata os esforços da Meta em relação às eleições deste ano. Entre as medidas, estão a parceria com checadores de fatos e a “remoção de conteúdos que violam as políticas voltadas para supressão de votos, ou seja, para conteúdos que desestimulam o voto ou interferem na votação”.

Esses conteúdos, que já são proibidos, também foram aprovados nos anúncios que a Global Witness publicou, o que mostra um baixo cumprimento das próprias regras da Meta. “O Facebook sabe muito bem que sua plataforma é usada para espalhar desinformação eleitoral e minar a democracia em todo o mundo”, disse Jon Lloyd, consultor sênior da ONG.

“Apesar dos autoproclamados esforços do Facebook para combater a desinformação, particularmente em eleições de alto risco, ficamos chocados ao ver que eles aceitaram todos os anúncios de desinformação eleitoral que enviamos no Brasil”, completou.


Fonte: IG TECNOLOGIA

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