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Prisão de Ribeiro causa silêncio no grupo de WhatsApp de Bolsonaro

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Jair Bolsonaro e Milton Ribeiro
Reprodução: Flickr – 24/03/2022

Jair Bolsonaro e Milton Ribeiro

O grupo de WhatsApp do presidente Jair Bolsonaro e seus ministros costuma amanhecer agitado, com notícias positivas de cada pasta ou com teorias conspiratórias. Nesta quarta-feira, porém, o canal estava inerte, num “silêncio sepulcral”, segundo o relato de integrantes do governo. O motivo da rara calmaria era o constrangimento causado pela prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores lobistas que tinham acesso exclusivo ao Palácio do Planalto.

De acordo com um integrante da Esplanada, ninguém se manifestaria até Bolsonaro dar a primeira palavra sobre o escândalo. Outro membro do alto escalão do Executivo disse reservadamente que até gostaria de ligar para familiares de Milton Ribeiro para prestar solidariedade, mas tinha receio de cair em alguma interceptação telefônica da PF.

Para encerrar o desconforto, Bolsonaro falou sobre o episódio da prisão do ex-ministro do MEC em uma entrevista à Rádio Itatiaia. Se antes o presidente botava a cara no fogo por Milton Ribeiro, agora ele virou a cara e jogou o ex-aliado na fogueira:

“Que ele responda pelos atos dele”, disse o presidente.

Apesar da manifestação de Bolsonaro, alguns integrantes da cúpula do governo preferiram continuar em silêncio sobre o escândalo. Sabem que o episódio tisnou a imagem que o presidente tentava lustrar de uma gestão sem falcatruas.

Além disso, reconhecem que dar espaço para esse escândalo poderá irritar ainda mais o pré-candidato à reeleição que está em estado de nervos por permanecer em segundo lugar nas pesquisas eleitorais.

Embora tente abafar o caso, Bolsonaro já demonstrou para auxiliares ter preocupação com o estado emocional do ex-ministro da Educação. Antes de pedir demissão do cargo, em março, Milton Ribeiro tentou se isolar num fim de semana no litoral paulista.

Um interlocutor do Planalto tomou a frente da gestão da crise para evitar que o então chefe do MEC explodisse e atingisse o presidente. Naquele momento, foi colocado à disposição do então chefe do MEC um helicóptero para se reunir com um ex-integrante do governo, que se voluntariou para tentar acalmar os ânimos. Mas Milton, que estava abalado com a exposição pública, preferiu pegar um voo de volta para Brasília e falar diretamente com o próprio presidente.

Após esse encontro, o então chefe do MEC relatou a pessoas próximas que mantinha a confiança de Bolsonaro e que continuaria sendo defendido publicamente. No auge da crise, Milton também buscou apoio do seu padrinho político no governo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ambos eram pastores e colegas da Igreja Presbiteriana. Mas o contato feito por meio de uma mensagem de WhatsApp foi praticamente ignorado com uma resposta lacônica do membro da Corte.

Sob pressão de familiares e de lideranças evangélicas, o pivô do escândalo na Educação decidiu se afastar do cargo, com a expectativa de um dia ser inocentado e voltar para a Esplanada.

De lá para cá, Milton até tentou submergir. Mas o esforço foi em vão. Um mês depois de deixar o governo, ele ficou novamente sob o holofote após disparar acidentalmente a sua arma de fogo num guichê do aeroporto de Brasília. O episódio abalou novamente o ex-ministro, que dizia a pessoas próximas estar num “momento de provações”.

A provação maior, contudo, ocorreu nesta quarta-feira, quando foi preso pela Polícia Federal numa investigação que apura suspeitas de corrupção, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa. O ex-chefe do MEC nega qualquer irregularidade. Agora, resta saber se ele seguirá à risca o versículo bíblico preferido de Bolsonaro: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

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FSB/BTG: Lula tem 43% e Bolsonaro 33% no primeiro turno das eleições

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Lula e Bolsonaro: Petista tem 43% ante 33% do presidente
Ricardo Stuckert/Divulgação e Presidência da República

Lula e Bolsonaro: Petista tem 43% ante 33% do presidente

Com 43% das intenções de voto para as eleições presidenciáveis de outubro, o ex-presidente Lula (PT) mantém certa estabilidade na vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL), segundo a pesquisa BTG/FSB divulgada nesta 2ª feira (27).

O atual presidente contabiliza apenas 33% do eleitorado. Ciro Gomes (PDT) aparece com 8%, e logo atrás, 7% dos entrevistados afirmaram não votar. Juntos, outros candidatos somam 4% das intenções, e Simone Tebet (MDB), 3%, mesma porcentagem de indecisos.

O levantamento ouviu 2 mil pessoas entre os dias 24 a 26 de junho de 2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos em um intervalo de confiança de 95%.

Segundo turno

Má notícia para Bolsonaro nas projeções para o segundo turno: o presidente perde para todos os principais candidatos na eventual votação. Contra Lula, a diferença é de 52% a 37%; 5% citaram ‘nenhum’, e 4% optam por votar em branco ou nulo.

Contra Ciro Gomes, o candidato do PDT levaria as eleições com uma diferença considerável – 48% a 38%. A diferença mais acirrada se dá em uma eventual disputa com Simone Tebet, mas ainda sim a senadora levaria a melhor, por 41% a 40%.

Já Lula vence em todos os cenários com larga vantagem. Contra Ciro, o petista tem 50% contra 29%. Contra Simone Tebet, 52% a 28%.

Rejeição

Jair Bolsonaro é o candidato com maior eleição entre os considerados na pesquisa; 57% dos entrevistados afirmaram que não votariam no presidente ‘de jeito nenhum’. Com 51% aparece Simone Tebet, e em terceiro lugar, o ex-presidente Lula.

Nesse aspecto, chama atenção os percentuais sobre a falta de conhecimento de alguns eleitores sobre alguns candidatos: 65% afirmaram não conhecer Felipe D’Ávila (Novo) ou Luciano Bivar (União Brasil); e 60% André Janones (Avante). Tebet, a representante da ‘3ª via’, é desconhecida por 59% dos ouvidos.

Avaliação do governo

Na pesquisa, 50% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo, e 31% como ruim ou regular. Bolsonaro é aprovado por apenas 29% dos eleitores. O percentual é 1% maior do que o registrado na pesquisa divulgada em 13 de junho.

A situação econômica é muito ruim ou ruim para 63% dos respondentes, e boa ou muito boa para apenas 14%. O desemprego (19%) e a inflação (23%) são apontados como os principais problemas da economia do país atualmente.

Sobre a inflação, 97% apontam que perceberam que aumentou ‘muito’ ou ‘um pouco’ nos últimos três meses; e 65% esperam que elas devem continuar aumentando nos próximos meses.

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Entre os candidatos, só Tebet se compromete com lista tríplice do PGR

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Augusto Aras é o atual PGR
José Cruz/Agência Brasil – 01/10/2019

Augusto Aras é o atual PGR

Dos quatro principais pré-candidatos à Presidência, apenas Simone Tebet (MDB) se comprometeu até o momento a seguir a lista tríplice para indicação do procurador-geral da República. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não assumiu uma posição sobre o tema, mas analisa críticas ao mecanismo dentro de seu partido. O presidente Jair Bolsonaro (PL) ignorou a indicação da categoria duas vezes durante o seu mandato. Já Ciro Gomes (PDT) evitou se comprometer a nomear integrantes da lista, criada em 2001.

Elaborada a partir de votação entre procuradores da República, a lista com os três que receberam mais votos da categoria é enviada ao presidente, que não tem, porém, obrigação legal de nomear para chefia do Ministério Público Federal um deles. O indicado pelo presidente ainda precisa ser aprovado pelo Senado, depois de uma sabatina. Os mandatos do procurador-geral da República são de dois anos. Entre outras funções, o PGR é o responsável por apresentar denúncias criminais contra autoridades com foro privilegiado.

Quando esse sistema foi criado, há 21 anos, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ignorou as escolhas da corporação e indicou Geraldo Brindeiro, que não estava entre os três mais votados. Com Lula e com Dilma Rousseff, foram nomeados sempre os primeiros colocados.

Porém, após o mensalão e a Lava-Jato, o PT consolidou uma posição crítica à atuação do MPF. Petistas passaram a defender que a lista tríplice não deve ser necessariamente seguida se Lula voltar ao poder.

Na última quarta-feira, o ex-ministro José Dirceu defendeu a possibilidade de escolha de um nome fora da relação de indicados pelos procuradores: “A Constituição diz claramente que pode escolher fora da lista, sim”, afirmou, em entrevista ao site Opera Mundi.

A pré-campanha de Lula não quer colocar o tema em debate no momento. O argumento é que assuntos sobre nomeações feitas pelo presidente devem ser tratados após a eleição. Nas discussões internas, o ex-presidente, segundo relatos, concorda com as críticas à lista tríplice, mas evita assumir a posição de ignorar a relação feita pelos procuradores se for eleito novamente. As diretrizes para a elaboração do programa de governo da pré-candidatura do petista, lançada na semana passada, não abordam a nomeação do procurador-geral.

Não mais o primeiro

A tradição instituída por Lula e Dilma de indicar o primeiro colocado foi quebrada, em 2017, por Michel Temer (MDB), um dos padrinhos da candidatura de Tebet, ao não nomear Nicolao Dino, o mais votado pelo categoria. Mas o então presidente manteve o respeito à lista ao escolher Raquel Dodge, a segunda colocada.

Tebet afirmou que também escolherá um dos nomes indicados na votação da Associação Nacional dos Procuradores (ANPR). Em sabatina do G1 conduzida pela jornalista Renata Lo Prete na semana passada, a pré-candidata do MDB à Presidência disse:

“Uma das razões por que acho que a escolha do procurador-geral tem que estar na lista (tríplice), e o presidente da República tem tantos poderes, (é que) ele não precisa tirar alguém da cartola que não esteja na lista.”

Depois de Temer, Jair Bolsonaro ignorou completamente a lista tríplice ao nomear Augusto Aras para a comandar a PGR em 2019 e reconduzi-lo em 2021. Nas duas vezes, Aras não estava entre os três indicados pelo procuradores (leia abaixo).

Crítico da atuação do Ministério Público nos últimos anos, Ciro Gomes não se compromete a escolher um nome da lista feita pelos procuradores caso seja eleito. Também em sabatina do G1, o pré-candidato do PDT afirmou que seguirá a Constituição.

“Eu vou buscar aquele que entre os titulados formalmente tenha aquilo que a Constituição pede: notório saber jurídico, reputação ilibada e capacidade de representar um Ministério Público que eu sonhei e ajudei a construir e que está sendo desmoralizado pelos abusos, de omissão, como no caso do Aras, ou, porque embaixo, você não tem ideia do Brasil profundo que eu conheço.”

Apoio político

Augusto Aras foi o primeiro procurador-geral da República escolhido por fora da lista tríplice desde 2003. Para se cacifar ao comando do Ministério Público Federal, trocou o convencimento dos pares pela movimentação para angariar a simpatia do presidente Jair Bolsonaro.

Seu périplo para conquistar a indicação incluiu a aproximação com integrantes do Palácio do Planalto, reuniões com os filhos do presidente e busca de apoio dos ministros do governo.

Nessa nova “sistemática”, o ocupante da Procuradoria-Geral da República (PGR) contratou uma dívida de gratidão. O que acabou por afetar uma das principais funções do procurador-geral: investigar e processar o presidente da República.

O resultado desse processo fica claro durante a gestão de Aras. Sua atuação é marcada por arquivamentos e blindagem a Jair Bolsonaro e aliados do governo nas principais investigações que os atingem. A gestão acumula arquivamentos de investigações contra esses políticos.

No caso de Jair Bolsonaro, Aras contrariou até mesmo um relatório da Polícia Federal que apontou a prática de crime pelo presidente no vazamento de informações de um inquérito sigiloso. A PGR apresentou uma manifestação pedindo o arquivamento do processo.

Os ocupantes anteriores do comando da PGR tomaram a ação mais drástica para essa cadeira: denunciar o presidente da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes cometidos durante o mandato. O cumprimento desse dever é atribuído internamente à independência conferida pela escolha dentro da lista tríplice.

A antecessora de Aras, Raquel Dodge, denunciou Michel Temer sob acusação de corrupção envolvendo o setor de portos. Antes dela, Rodrigo Janot apresentou denúncia contra a então presidente Dilma Rousseff por organização criminosa. Esses dois ex-presidentes haviam sido os responsáveis pela nomeações dos procuradores-gerais que os denunciaram, mas seus nomes haviam sido escolhidos dentro da lista tríplice.

No caso de Aras, não há nenhuma sinalização de que ele pretenda apresentar alguma acusação formal contra Bolsonaro, apesar dos diversos inquéritos envolvendo o presidente.

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