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Entenda teoria sobre Ratanabá, suposta cidade perdida na Amazônia

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Ilustração compartilhada nas redes sociais mostra como seria a mítica cidade
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Ilustração compartilhada nas redes sociais mostra como seria a mítica cidade

Na última semana, a história de uma suposta cidade perdida na Amazônia ganhou as redes sociais. A teoria, classificada como infundada por especialistas, trata de uma civilização que teria habitado a região da floresta há mais de 450 milhões de anos.

“Há 450 milhões de anos não existia nem América do Sul, Cordilheira dos Andes, e as evidências mais antigas da nossa espécie (Homo sapiens) não chegam nem a 1 milhão”, diz Eduardo Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, que estuda a região amazônica há 35 anos.

No período referido pela teoria, os atuais continentes ainda não existiam e estavam unidos na chamada Pangeia. Como explica Neves, a humanidade também estava ainda longe de dar os primeiros passos. Os mais antigos fósseis de Homo sapiens já encontrados datam de 300 mil anos atrás, apenas uma fração dos supostos 450 milhões de Ratanabá.

A cidade perdida de Ratanabá também teria sido erguida, segundo as informações que circulam nas redes, pela civilização Muril, da qual não se tem registros em revistas científicas.

As imagens usadas para ilustrar a cidade perdida teriam pouca base na realidade, segundo o arqueólogo. Elas mostram grandes construções douradas e reluzentes feitas de rocha e ouro, materiais dificilmente encontrados na região na proporção necessária para erguer uma cidade desse tamanho.

A origem da teoria de Ratanabá está em uma série de publicações nas redes da entidade Dakila Pesquias, que afirma ter feito a descoberta da cidade perdida. O grupo, fundado por Urandir Fernandes de Oliveira, já teve o nome associado a outras teorias da conspiração que acabaram por virar meme, como o caso do ET Bilu, conhecido pela frase ‘busquem conhecimento’. Apesar disso, a história ganhou as redes e foi replicada por diferentes influencers e canais no Twitter, Tik Tok e Youtube.

Ratanabá aparece em muitos comentários como uma suposta justificativa para o interesse de países estrangeiros na Amazônia, que desejariam as riquezas míticas da civilização Muril.

“Essa ideia que é uma cidade de ouro que vai pagar a dívida externa do Brasil é uma fantasia”, diz Eduardo Neves, apontando para a raridade de se encontrar artefatos de metal na Amazônia.

Viralizou nas redes

Publicações sobre Ratanabá começaram a ganhar força nas redes sociais no último final de semana e rapidamente se tornaram alvo de memes. Entre os que fizeram postagens sobre o assunto está o ex-secretário de Cultura Mário Frias, que chegou a ter uma reunião como Urandir Oliveira em 2020.

Em outras postagens, o assunto foi motivo de piada.

Arqueologia (de verdade) na Amazônia Apesar da teoria de Ratanabá ser infundada, pesquisas arqueológicas recentes mostram que a Amazônia pré-colombiana tinha assentamentos indígenas dotados de certo grau de complexidade, a ponto de serem classificados como urbanos por alguns arqueólogos. No entanto, segundo Eduardo Neves, não são exatamente cidades como entende o senso comum:

“Existem evidencias de urbanismo no Alto Xingu, na Bolívia, Amazônia equatoriana. Mas, quando as pessoas pensam em cidade antiga, elas pensam no modelo de uma pólis grega, de uma cidade murada. Aqui, eram cidades dispersas, com baixa densidade demográfica, da qual as pessoas saiam e voltavam”, explica arqueólogo.

Os achados indicam a existência de antigas estradas feitas pelas comunidades locais há pelo menos 2000 anos. Uma recente pesquisa publicada na revista Nature mostrou, através de um levantamento feito por um sistema de laser aéreo chamado de “Lidar”, a existência de pirâmides de até 22 metros na região de de Llanos de Mojos, na Bolívia.

“São construções de terra. Antigamente, os arqueólogos iam ao campo e achavam que era tudo natural”, explica Neves, apontando que outras construções de terra já foram identificadas em território brasileiro, como no Acre, graças aos avanços tecnológicos

Neves, que prepara uma pesquisa na Amazônia usando o “Lidar”, se diz preocupado com o impacto que boatos de cidades míticas de ouro podem ter para a região:

“Imagina se começa a aparecer um monte de maluco lá atrás de ouro? Pode ser uma ameaça aos indígenas da região. Nossa pesquisa vai ser feita em conversas com as comunidades locais. É irresponsável fazer isso de outra forma, arqueologia não funciona mais assim”.

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Habeas Corpus para cônsul alemão é negado

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Cônsul Alemão, viúvo de belga
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Cônsul Alemão, viúvo de belga

O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) negou, neste domingo (7), o pedido de Habeas Corpus solicitado pela defesa do diplomata alemão Uwe Herbert Hahn. O cônsul foi preso em flagrante neste sábado , suspeito de matar o marido, o belga Walter Henri Maxilien Biot, de 52 anos, em um apartamento em Ipanema, na Zona Sul do Rio.

Segundo a defesa do cônsul, a prisão teria sido ilegal, pela ausência de flagrante para a sua custódia, bem como considerando a imunidade diplomática.

A juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do plantão judiciário do Tribunal de Justiça, se manifestou pela manutenção da prisão preventiva por entender que não caberia ao plantão judicial decidir sobre a soltura do investigado e que isso deveria ser feito em audiência de custódia.

“O Plantão não é um prolongamento do expediente forense, funcionando com normas próprias, específicas e cogentes. E, por óbvio, não pode o Juiz do Plantão desviar-se dos estritos termos das referidas normas. Não olvidemos que este Órgão Jurisdicional não tem o desiderato de atender a toda e qualquer demanda. Como tal, para atender as medidas que se enquadrem às finalidades textuais, há de pautar-se excepcional e parcimoniosamente”, completou.

O cônsul alemão teria afirmando, durante seu depoimento realizado na 14ªDP (Leblon), ao qual O DIA teve acesso, de que ele teria enviado uma foto do seu marido caído no chão do seu apartamento a um amigo residente em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Enquanto estava caída, a vítima emitia gemidos de dor, mas Hahnn disse achar que se tratava de embriaguez, o que seria de costume.

Imunidade

Segundo Caio Padilha, advogado criminalista, a imunidade diplomática não se aplica no caso.”O Supremo tribunal federal (STF), ao analisar casos com esse tema, aponta que o artigo 41 da Convenção de Viena só se aplica se o crime tiver relação com o exercício da função. Então, não há óbice que impeça a prisão preventiva ou em flagrante de um cônsul, principalmente em crimes graves”, disse.

A prisão do cônsul realizada pela Polícia Civil foi em flagrante. A reportagem não encontrou sua defesa; o consulado alemão ainda não se manifestou.

Noite do crime

A polícia foi acionada na noite de sexta-feira, dia 5, para o apartamento do cônsul, uma cobertura em Ipanema, Zona Sul do Rio. O médico do Samu, identificado como Pedro Henrique, foi acionado por volta das 20h e se recusou a atestar o óbito por mal súbito. A polícia acredita que o cônsul tenha demorado a chamar o socorro e confessou que pediu para que uma limpeza fosse feita no apartamento, o que dificultou a perícia. No entanto, luminol foi usado no imóvel e marcas de sangue foram encontradas em móveis.

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Fonte: IG Nacional

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Caso Bárbara: advogada condena vazamento de fotos do corpo da criança

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Bárbara, de 10 anos, tentou correr dos algozes antes de ser raptada e morta
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Bárbara, de 10 anos, tentou correr dos algozes antes de ser raptada e morta

Em apelo nas redes sociais, a advogada da família de Bárbara Vitória pediu para que as pessoas parem de compartilhar fotos do corpo da menina violado. No vídeo, a criminalista Aline Fernandes afirma que circulam imagens de quando a criança foi localizada num matagal próximo a um campo de futebol, na última terça-feira (2), em Ribeirão das Neves (MG), e do seu velório. A tragédia envolvendo a vítima, de apenas 10 anos, que foi raptada e morta no domingo (31), segue em investigação.

“Tive conhecimento hoje através do Rogério, pai da Bárbara, que estão compartilhando pelas redes sociais fotos do corpo dela em dois momentos: o primeiro, de quando o corpo dela foi localizado no campo; o segundo momento, enquanto o corpo estava sendo velado”, relata a advogada.

A profissional ressaltou ainda que é um “absurdo” precisar pedir para que adultos tenham respeito com a imagem de Bárbara e com o difícil momento que a família dela está enfrentando. Ela ressaltou ainda que a prática de divulgar fotos de cadáveres pode configurar crime de vilipêndio, por violar a dignidade humana. A pena para esse tipo de crime varia de um a três anos de prisão.

“Eu não queria precisar vir até as redes sociais pedir para que pessoas adultas não compartilhem essa foto, acredito eu que esse é o mínimo de decência e compaixão com uma família que acabou de perder uma filha de 10 anos e que está em extrema situação de vulnerabilidade. Então, por favor, não compartilhem fotos da Bárbara morta”, frisou Aline. Entenda o caso

Bárbara Vitória saiu para comprar pão para a família por volta das 17h do domingo (31), numa padaria que fica a poucos metros de sua casa, e não voltou para casa. Na segunda-feira, várias buscas foram feitas pela polícia e por moradores. Imagens colhidas pela polícia mostravam a garota tranquilamente saindo da padaria e se dirigindo para casa. Em outras, no entanto, ela já aparecia interagindo com um suspeito, que parecia conhecer, e, posteriormente, correndo, desesperada.

O corpo da criança foi localizado por uma mulher, conhecida da família, na terça-feira (2), com sinais de violência e apenas com uma peça de roupa – a camisa do Atlético-MG que usava – num matagal próximo a um campo de futebol. Ela foi enterrada na quarta (3), sob clima de emoção e revolta.

Principal suspeito de ter cometido o crime, o eletricista Paulo Sérgio Oliveira, de 50 anos, também era vizinho da menina e da escola. Era conhecido e bem quisto pela comunidade, segundo testemunhas ouvidas pelo GLOBO. Ele esteve na sexta-feira (28), dois dias antes do crime, realizando um serviço de troca de fiação elétrica na casa da família de Bárbara Vitória, onde teria interagido com a criança. Ouvido pela polícia na segunda-feira (1), ele negou num primeiro momento, mas acabou confessando que, de fato, era ele nas imagens. No entanto, disse não ter cometido o crime.

Na terça-feira, voluntariamente cedeu DNA para que investigadores fizessem uma comparação genética com o material encontrado no corpo da vítima. Na quarta-feira, no entanto, foi encontrado morto, na casa de uma parente, em Cachoeirinha, enforcado com uma corda; a principal hipótese é de que ele tenha cometido suicídio.

Em nota, a Polícia Civil mineira confirmou que já foram realizados exames periciais e médicos, ouvidas testemunhas, suspeito, além de diligências e análises de materiais colhidos “que podem levar à elucidação completa do crime”. A perícia realizada pela polícia indicará se a criança sofreu abuso sexual antes de ser morta. Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Nacional

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