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Mundo tenta controlar a varíola dos macacos; Brasil está atrasado

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A corrida mundial pela vacina para conter a varíola dos macacos; Brasil está atrasado, entenda
Reprodução/Pixabay

A corrida mundial pela vacina para conter a varíola dos macacos; Brasil está atrasado, entenda

À medida que o surto de varíola dos macacos avança pelo mundo, governos de alguns países começaram a oferecer vacinas para os cidadãos mais expostos. Outros estão correndo para avaliar as reservas de imunizantes e tratamentos. Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, o Brasil não tem doses armazenadas nem produção nacional, caso seja necessária uma estratégia de imunização.

Quase 20 países já relataram registros da doença causada pelo vírus monkeypox, que é endêmica na África. São mais de 250 infecções confirmadas ou suspeitas, a maioria delas na Europa. Mas também há casos na Austrália, em Israel, Estados Unidos, Canadá e Argentina. Não existe uma vacina específica para o agente infeccioso, mas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes usados para erradicar a varíola humana são até 85% eficazes contra a doença.

“Ter estoque estratégico de algumas vacinas, como varíola e encefalite japonesa é essencialm mas o Ministério da Saúde não tem. Tambérm não temos produção da vacina contra varíola e não sei se conseguiríamos comprar. Agora já talvez seja tarde. O planejamento envolve um passo anterior. EUA e Europa, por exemplo, compraram um lote bem grande”, diz o infectologista Julio Croda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT). Nos EUA, uma vacina da empresa dinamarquesa Bavarian Nordic foi aprovada em 2019 para prevenir tanto a varíola quanto a varíola dos macacos. Na Europa, o mesmo imunizante ganhou aval apenas contra a varíola. Mas o uso off label contra o vírus monkeypox está liberado para conter o surto atual.

Os Estados Unidos têm em estoque cerca de mil doses da vacina da Bavarian Nordic, com previsão de ampliar essa quantidade nas próximas semanas, segundo informações do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). Há ainda 100 milhões de doses de uma versão mais antiga de vacina contra a varíola. Ela causa mais efeitos colaterais graves, como inflamação do músculo cardíaco, e não pode ser usada em alguns grupos, como pessoas com eczema.

Inicialmente, a distribuição das vacinas no país será destinada a quem tem maior risco de infecção, como pessoas que tiveram contato com infectados e profissionais de saúde. O Reino Unido também está oferecendo o imunizante contra a varíola às equipes de saúde e cidadãos expostos à doença após contato com pacientes contaminados.

O governo da França recomendou o início da vacinação de adultos em risco e profissionais de saúde que estiveram em contato com pacientes infectados. A Alemanha já encomendou 40 mil doses da vacina da Bavarian Nordic, caso seja necessário iniciar uma campanha.

A empresa dinamarquesa tem uma capacidade de produzir 30 milhões de doses de vacina por ano. A farmacêutica recebeu encomendas que variam de algumas centenas a milhares de doses, mas afirma que não há necessidade de expandir a produção. A americana Moderna Inc, que produz uma vacina de mRNA contra o coronavírus, anunciou o início de testes pré-clínicos de potenciais imunizantes contra o vírus monkeypox.

Apesar da mobilização, a OMS afirma que o surto não requer vacinação em massa porque medidas como rastreamento, isolamento de contatos, higiene e comportamento sexual seguro ajudarão a controlar a propagação da doença no mundo.

Casos leves

O infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), concorda com a posição da OMS. Ele explica que para definir uma estratégia de vacinação é preciso conhecer melhor a doença e ainda existem mais perguntas do que respostas sobre o que está motivando o surto atual. Além disso, todos os casos confirmados até o momento foram leves.

“É preciso entender melhor a dimensão desse surto e a forma de transmissão da doença. A OMS está certa para dizer que não há recomendação de vacinação em massa neste momento. É muito desconhecimento para definir qualquer campanha”, diz o médico.

O mais provável é que autoridades de saúde recomendem a chamada vacinação em anel, que consiste em rastrear e imunizar todos os contactantes diretos de um caso confirmado, na tentativa de suprimir a disseminação da doença. É o que já está acontecendo na maioria dos países que autorizou o uso da vacina.

De acordo com o infectologista Julio Croda, a vacinação pós-exposição é eficaz se realizada até quatro dias após o contato. Na França, a recomendação é administrar a vacina idealmente dentro de quatro dias. Mas ela pode ser usada até 14 dias após a exposição. Autoridades de saúde da Dinamarca, que também anunciou a adoção da estratégia, dizem que a vacinação pós-exposição pode ajudar a evitar a evolução para casos graves.

Diante disso, Croda acredita que seria importante o Ministério da Saúde ter ao menos um pequeno estoque da vacina para administrar em profissionais de saúde que realizarem o atendimento de casos suspeitos. Procurada pelo GLOBO sobre uma possível compra, a pasta não respondeu até o fechamento desta reportagem.

A Bavarian Nordic, empresa que produz a vacina mais moderna contra a doença, tem uma capacidade de produção anual de 30 milhões de doses de vacina. A empresa disse que recebeu pedidos que variam de algumas centenas a vários milhares de doses, mas afirma que não há necessidade de expandir a produção. A empresa americana Moderna Inc, que produz uma vacina de mRNA contra o coronavírus, anunciou o início de testes pré-clínicos de potenciais vacinas contra a varíola dos macacos.

O grande mistério é que não está claro o que está causando o surto global atual. Segundo Kfouri, a forma mais comum de transmissão da doença é de animais para humanos.

“A comunidade científica foi pega de surpresa porque raramente havia transmissão significativa entre humanos. A transmissão é mais comum e mais fácil de animal para humano”, explica o infectologista.

Os cientistas tentando entender a origem dos casos e se algo sobre o vírus mudou. Kfouri acredita que as próximas semanas serão cruciais para termos essas respostas. Mas, a princípio, não há evidências de que o vírus tenha sofrido mutação. Ao contrário do coronavírus, que é baseado em RNA e tem mutação rápida, a varíola do macaco é um grande vírus de DNA capaz de corrigir seus erros genéticos.

O que chama a atenção no surto atual é que muitas das pessoas que foram diagnosticadas são homens que fazem sexo com homens. O que alertou para a possibilidade de transmissão sexual, que não era muito considerada até então.

A varíola dos macacos é uma doença viral geralmente leve, caracterizada por sintomas de febre, bem como uma erupção cutânea distinta. Existem duas cepas principais: a cepa do Congo, que é mais grave – com até 10% de mortalidade – e a cepa da África Ocidental, que tem uma taxa de mortalidade de cerca de 1%. Os casos sequenciados até o momento estão associados à cepa mais leve.

Varíola dos macacos

Identificada pela primeira vez em macacos, a doença viral geralmente se espalha por contato próximo e ocorre em grande parte na África Ocidental e Central. O vírus ainda pode se espalhar por contato físico ou roupas de cama, roupas ou outros materiais contaminados.

Uma semana a duas semanas após a exposição, os infectados podem começar a sentir febre, dor de garganta, tosse, fadiga e dores no corpo. Há também o aparecimento de erupções cutâneas que formam bolhas, crescem e se enchem de uma substância branca semelhante a pus. Essas pústulas lembram a característica mais marcante da varíola. Em geral, elas duram cerca de uma semana antes de cicatrizarem. As pessoas infectadas devem permanecer isoladas em casa e abster-se de atividade sexual até que essas feridas desapareçam.

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Fonte: IG SAÚDE

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Covid: pacientes podem ficar com sintomas neurológicos por 2 anos

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Covid pode deixar pacientes com sintomas neurológicos por mais de 2 anos
Rovena Rosa/Agência Brasil 10.03.2022

Covid pode deixar pacientes com sintomas neurológicos por mais de 2 anos

Um novo estudo realizado com pacientes que contraíram a  Covid-19 indica que os sintomas neurológicos, como psicose, demência, névoa mental e convulsões, podem perdurar por mais de dois anos.

A conclusão veio em uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford publicado na revista “The Lancet Psychiatry”.

“Desde as primeiras fases da pandemia, é conhecido que a Covid-19 está associada a um aumentado risco de muitas sequelas neurológicas e psiquiátricas. Todavia, mais de dois anos do diagnóstico do primeiro caso, três importantes perguntas permanecem sem respostas: primeiro, não sabemos se ou quando os riscos de diversos problemas pós-Covid voltam para os valores padrão; em segundo lugar, o perfil de risco nas diversas faixas etárias; e em terceiro se os perfis de risco mudaram com o aparecimento de tantas variantes”, informam os pesquisadores.

Por isso, os especialistas analisaram os dados de 1,25 milhão de pacientes para verificar se já existe alguma resposta a essas questões principais.

O estudo mostrou que, entre os adultos, 640 pessoas a cada 10 mil ainda relatavam “névoa cerebral” após mais de dois anos de cura. O risco, porém, era mais do que o dobro naqueles que tinham mais de 65 anos – com 1.540 casos a cada 10 mil.

Nos outros problemas apontados, os números também eram o dobro entre os idosos: 450 em cada 10 mil sofriam com demência; e 85 em cada 10 mil relataram surtos psicóticos.

Os pesquisadores relatam que esse tipo de problema também ocorre com outras infecções respiratórias graves, mas que os números pré-pandemia eram muito menores.

Os problemas neurológicos e psiquiátricos da chamada “Covid longa” resultaram muito mais raros nas crianças, mas não ausentes: 260 em cada 10 mil sofriam ainda com convulsões – o dobro do grupo de controle – e 18 em cada 10 mil tinham distúrbios psicóticos (em relação aos 6 a cada 10 mil no controle).

Entre as variantes, o estudo da Oxford confirmou que a variante Delta é muito mais severa para quase todos os sintomas de longo prazo da Alfa, a primeira das mutações. Porém, os especialistas apontam que há indicativos de que a variante Ômicron, que se dissemina de forma intensa desde o fim do ano passado, tenha as mesmas características de longo prazo de sua antecessora – apesar dos sintomas mais leves.

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Fonte: IG SAÚDE

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Estudo revela maneira de reduzir consumo de vinho

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Taças de vinho
Redação EdiCase

Taças de vinho


Pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Bristol, ambas no Reino Unido, descobriram um truque para ajudar a reduzir o consumo de bebida alcoólica. O achado foi relatado em um estudo publicado esta semana na revista científica Addiction.

Apesar de parecer bem simples e óbvio, o truque se mostrou eficaz na redução do consumo de vinho: reduzir o tamanho da taça ou copo que será usado para ingerir a bebida alcoólica.

Participaram da pesquisa 260 famílias no Reino Unido que consumiam uma quantidade moderada de álcool, bebendo pelo menos duas garrafas de vinho em casa a cada semana. Ao longo de dois períodos de 14 dias, eles foram solicitados a comprar uma quantidade predefinida de vinho para beber em casa: garrafas padrão de 750 ml ou menores de 375 ml. Os voluntários também receberam taças menores (290 ml) ou maiores (350 ml) para beber em ordem aleatória.

No final de cada período de duas semanas, os pesquisadores contaram quanto vinho havia sido ingerido pelas famílias. Os cientistas descobriram que copos menores reduziram a quantidade de vinho consumida em cerca de 6,5% (253 ml em um período de 14 dias) e beber de garrafas menores reduziu a quantidade de vinho consumida em 3,6% (146 ml em duas semanas).

No estudo, os pesquisadores afirmaram que não pretendiam entender o mecanismo por trás da relação entre menor consumo e recipientes com menor capacidade. No entanto, acreditam que tudo está relacionado à percepção de quanto se está bebendo.

Pesquisas sugerem que pratos de comida menores podem ajudar algumas pessoas a comer menos porque isso afeta sua percepção e, por sua vez, a fome que você sente. Talvez algo semelhante aconteça quando você está bebendo taças de vinho.

Um outro estudo feito pela mesma equipe, em 2016, teve um resultado bem parecido. Na época, os pesquisadores analisaram como o tamanho da taça influenciava a quantidade de vinho que as pessoas bebiam em um bar no Reino Unido. Em suma, eles descobriram que as vendas de vinho aumentaram 9,4% quando vendidas em copos maiores em comparação com copos de tamanho padrão, sugerindo que as pessoas bebiam mais quando tinham um copo maior.

Se mais dados apoiarem essa teoria, os pesquisadores dizem que ela pode ser usada para influenciar as políticas públicas destinadas a reduzir o consumo de álcool. Por exemplo, governos e órgãos de saúde pública podem ajudar a regular o tamanho do copo em bares e restaurantes para incentivar a beber menos e mudar as normas sociais sobre o “tamanho padrão” de uma bebida.

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Fonte: IG SAÚDE

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