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Reeducandos encontram oportunidade de recomeço com a equoterapia

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Os reeducandos do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) que trabalham no projeto da equoterapia – atividade terapêutica realizada com cavalos – encontraram uma nova oportunidade de recomeço e de virada de página.

Anexo ao CRC, no bairro Carumbé, o projeto atende, de forma gratuita, 45 pessoas de todas as idades, diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência física, Parkinson, Síndrome de Down, pós-Covid-19 e outras enfermidades com apoio de psicólogos, terapeutas, pedagogos e outros profissionais da saúde. 

Formado em fisioterapia, o reeducando Osiel de Andrade Filho, contou que o seu trabalho de término de conclusão de curso foi voltado na equoterapia e desde que passou a participar do projeto, há sete meses, tem sido mais fácil superar os desafios da privação de liberdade.

“Participar do projeto, na minha área de formação, foi um divisor de águas para superar os desafios de estar privado de liberdade. Só pelo fato de eu sair da cela, ter contato com demais pessoas, com os animais e ver a melhora dos pacientes é muito gratificante, o que me dá a sensação de estar fazendo a coisa certa”, destacou o recuperando.

Osiel explica que a equoterapia contribui com diversos benefícios para a saúde, pois trabalha equilíbrio, postura, força muscular, a autoestima e a concentração do paciente. “É uma atividade multidisciplinar indicada para todas as idades. Tenho pacientes de dois anos até 76 anos, que em pouco tempo já conseguiram uma melhora significativa e participar dessa evolução me faz sentir cada vez mais entusiasmado”.

O instrutor de equitação e reeducando do CRC, Jovanil Salvaterra Carvalho, mais conhecido como ‘Jacaré’, também compartilhou da mesma opinião de que participar do projeto é uma oportunidade de recomeço e de ressocialização.

Há oito meses no projeto, ele é responsável pela preparação dos animais antes e pós atendimento, alimentação e higienização. Além disso, auxilia como guia, acompanhando o paciente que está montando no cavalo e os outros profissionais da saúde. 

“Tem sido muito gratificante participar desse projeto por que você acompanha a melhora dos pacientes, que chegaram com alguma dificuldade e depois você vê a transformação deles. Quando retorno para cela, deito com a consciência tranquila e o dever de papel cumprido, pois estamos fazendo uma coisa de coração aberto para o bem de outras pessoas. Então essa troca é uma oportunidade de recomeço”, afirmou.

Relatos

A aposentada Aparecida Fátima de Carvalho relatou que contraiu a Covid-19 e precisou ficar intubada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por dois meses. Assim que recebeu alta médica, foi recomendada a iniciar o tratamento com a equoterapia.

Ela procurou o CRC e só tem a comemorar pela recuperação. “Tem sido maravilhosa cada sessão. A equoterapia me ajudou também a passar pelo luto do meu marido que não resistiu a Covid-19. Eu só tenho a agradecer toda equipe do projeto”, disse.

Já o autônomo, Francis Francisco de Souza, faz o acompanhamento do filho, de 6 anos, que é hiperativo, há pouco mais de cinco meses. “Recebemos o encaminhamento por parte da psicóloga para ajudar no tratamento. Nesse curto período, já notamos uma melhora muito grande no comportamento dele, tanto em casa, na escola e aqui mesmo no espaço. Sempre que ele vem é uma diversão, pois ele fica bastante à vontade com a equipe e os instrutores”.

A pedagoga Jaqueline Aparecida de França, que é voluntária no projeto, explica que para cada paciente, especialmente crianças, é desenvolvido uma atividade que busca uma melhor interação com o animal.

“Todo mundo é acostumado a ver o pedagogo em sala de aula e na equoterapia, ele ajuda com uma equipe multidisciplinar e para isso não tem lugar melhor lugar que ao ar livre e em contato com a natureza. É uma equipe que visa o bem estar tanto dos pacientes, como dos animais e é fundamental o esforço de cada um aqui para esse projeto dar certo”.

Sobre o projeto

O diretor do CRC, Winkler de Freitas Teles, destaca que a ideia do projeto surgiu em 2020, a partir do filme “Rédeas da Redenção”, que relata a história de um detento que começa a fazer parte de um programa de terapia reabilitacional com cavalos. Atualmente, há uma fila de espera de 120 pessoas para novos atendimentos.

Ele relembrou que a estrutura da equoterapia do CRC foi toda montada com auxílio dos reeducandos, demais servidores e entidades da sociedade civil organizada.

“Nós vimos uma necessidade de ter este lado social em prol da sociedade cuiabana, de forma gratuita e que pudesse ajudar as pessoas que mais precisam. Os atendimentos da equoterapia são realizados de segunda a sexta-feira, das 17h às 20h”, disse o diretor da unidade.

Ainda segundo Winkler, o projeto conta com a parceria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), da Cavalaria da Polícia Militar, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e do Poder Judiciário de Mato Grosso.

“Todos contribuíram de alguma forma para fazer esse projeto dar certo. Os reeducandos participaram de cursos com o pessoal da UFMT e do Senar. Toda a estrutura de madeira foi cedida pela Juizado Volante Ambiental (Juvam), enfim, são uma série de esforços que somados, acabaram dando muito certo”, finalizou Winkler.

Fonte: GOV MT

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Homicídios de mulheres em Mato Grosso deixam 70 filhos sem mães

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A violência contra mulheres não deixa marcas apenas nas vítimas, mas em todo seu círculo familiar. Além das marcas físicas e psicológias, a Polícia Civil identificou que as mortes violentas de mulheres registradas em Mato Grosso, no ano passado, deixaram 70 filhos sem mães, entre crianças, jovens e adultos. Destes, 21 eram filhos das vítimas com os autores. Entre os registros de feminicídios, duas vítimas estavam gestantes quando foram mortas.

Tais acontecimentos em geral desestruturam famílias inteiras, com filhos sem mães e pais, pois, em muitas situações, os homens cometeram suícidio após matar suas companheiras ou foram presos. Esses números integram um estudo realizado, desde 2020, pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil para traçar o perfil de mulheres vítimas de mortes violentas. 

O levantamento coordenado pela Gerência de Inteligência Estratégica é realizado com base nos boletins de ocorrência e em inquéritos policiais e traz também os dados sobre local dos crimes, meio empregado nos homicídios, solicitação de medidas protetivas, perfis das vítimas, vínculo entre vítimas e autores dos crimes, índice de esclarecimento dos homicídios e os efeitos da violência contra mulheres.

Dos homicídios e feminicídios cometidos no ano passado contra mulheres, 80% deles foram esclarecidos. Do total de crimes ocorridos, 66 autores foram indiciados e 24 dos casos seguem em apuração.

Josilaine Maria Gomes dos Reis, 31 anos, deixou três filhos órfãos de seus cuidados. Ela foi morta a golpes de faca pelo seu ex-companheiro, com quem tinha um filho pequeno. Ele não aceitava o fim do relacionamento e na noite do dia 5 de outubro do ano passado, invadiu a casa dela, no bairro Nova Esperança, em Cuiabá, e na frente dos filhos atacou a ex-mulher.

A técnica de enfermagem estava dormindo quando sofreu os primeiros golpes, que terminaram dentro do banheiro da casa. Após cometer o crime e também atentar contra a própria vida, o autor do crime pediu às crianças que fossem até um vizinho para avisar o que ele havia cometido e chamasse a polícia.

Outro crime que deixou crianças órfãs e produziu uma tragédia familiar foi registrado pela Polícia Civil em dezembro de 2021, em Várzea Grande. A técnica em enfermagem, Franciele Robert da Silva, 33 anos, foi morta pelo ex-marido, que invadiu a casa dos pais à sua procura.

Para defender a filha, o pai de Francieli, de 67 anos, entrou em luta corporal com o ex-genro e foi ferido gravemente. Depois, o criminoso foi até o quarto onde a vítima tentava se esconder, junto com a filha de 12 anos, arrombou a porta e desferiu diversos golpes contra a Francieli, que a levaram a óbito. O pai dela chegou a ser socorrido a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.

Violência progressiva

A delegada Mariell Antonini Dias, coordenadora da Câmara Temática de Defesa da Mulher da Secretaria de Estado de Segurança Pública, destaca que o estudo ajuda a compreender melhor o fenômeno da violência doméstica, deixando claro o risco a que as mulheres estão submetidas quando vivem situação de violação de direitos em casa e não procuram ajuda da Polícia.

“Muitas mulheres pensam que o agressor não terá coragem de ceifar a vida delas e que as ameaças são vazias, mas as estatísticas demonstram que a maior parte das mortes de mulheres acontece em casa, por pessoas que possuem vínculo com elas, sendo necessário que todas entendam que a violência pode ser progressiva e cada vez mais letal. E, por isso, elas devem buscar auxílio para o problema que está acontecendo dentro de casa, tornando visível ao Estado o que apenas quem está na relação conhece”, argumenta a delegada, que também é titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Várzea Grande.

Mariell destaca ainda que familiares são importantes nesse processo de rompimento do ciclo da violência e têm o “dever moral” de auxiliar a vítima, buscando o aparato estatal.

Fonte: GOV MT

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Operação Letífero cumpre mandados judiciais contra alvos investigados por homicídios

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A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (26.01) a Operação Letífero para cumprimento de mandados judiciais contra alvos investigados pela Delegacia de Pontes e Lacerda por crimes de homicídio. Estão sendo cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nas cidades de Rondonópolis, Pontes e Lacerda e Nova Lacerda. 

A operação conta com apoio das Delegacias Regionais de Rondonópolis e de Primavera do Leste, Polícia Rodoviária Federal, Politec, Polícia Militar, Gerência de Operações Especiais da Polícia Civil, Cioaper e das unidades da Regional de Pontes e Lacerda. 

As equipes de policiais civis estão em cumprimento de nove buscas e uma prisão temporária em Rondonópolis; quatro buscas em Pontes e Lacerda e uma em Nova Lacerda. O principal alvo da operação é um policial militar que já trabalhou na região da fronteira. Os alvos das buscas também são investigados por suspeita de envolvimento com os homicídios apurados. 

A delegada Bruna Caroline Laet, responsável pela operação, explica que os homicídios ocorreram em Pontes e Lacerda, entre dezembro de 2019 e março de 2021. Os exames de balística comprovaram que os disparos efetuados nas cinco vítimas saíram da mesma arma de calibre 9mm. 

“A princípio, esses crimes ocorreram mediante pagamento, mas a Polícia Civil segue com as investigações para chegar ao possível ou possíveis mandantes”, observou a delegada de Pontes e Lacerda. 

Homicídios 

Conforme a investigação, que contou com um trabalho minucioso do Núcleo de Inteligência da Delegacia de Pontes e Lacerda, o principal suspeito seguiu um padrão para a execução dos homicídios. A Polícia Civil apurou que ele saiu de Rondonópolis e seguiu até Pontes e Lacerda utilizando como  transporte motocicletas de média cilindrada. Os veículos usados estavam em nome de terceiros, conforme registros em sistema oficial, e ele fez vigilância para escolher o melhor momento de execução das vítimas, utilizando para os crimes uma pistola calibre 9mm. 

A investigação apontou ainda que em apenas um dos homicídios, o suspeito adotou outro modus operandi em razão da dificuldade de encontrar a vítima fora de sua residência e da possibilidade de reação, já que a vítima possuía armas de fogo em sua residência. 

Um dos homicídios apurados ocorreu em dezembro de 2019. Gleidson de Souza Paiva, 35 anos, foi alvejado por disparos de arma de fogo calibre 9 mm efetuados por um homem que pilotava uma motocicleta Honda Twister preta, em frente à casa de uma sobrinha, no bairro São José. 

Em 05 de maio de 2020, por volta das 09h30, Noel Simon Colontoni, 44 anos, foi morto por disparos de arma de fogo, também de calibre 9mm, feitos por um homem em uma Honda Twister preta. A vítima foi alvejada enquanto reformava um salão de sua propriedade, no Jardim Boa Vista. 

Já em julho de 2020, o terceiro homicídio vitimou Carlos Antonio Silva Araújo, 48 anos, no Jardim Primavera. Ele foi alvejado por uma pessoa que pilotava uma motocicleta Honda/CB300, preta, quando estava na casa da companheira, se preparando para ir à sua fazenda. 

Os dois últimos homicídios apurados pela Delegacia de Pontes e Lacerda vitimaram dois irmãos e ocorrreram em 2020 e no ano passado. No dia 23 de dezembro de 2020, Vanderson de Almeida Castro, 36 anos, foi alvejado por um homem que pilotava uma motocicleta Honda CB300, vermelha, quando ele chegava a uma  oficina mecânica, localizada na  na BR 174, em Pontes e Lacerda. 

Em março de 2021, por volta das 06h20, Ederson Flávio de Castro, 39 anos, foi alvo de disparos de arma de fogo calibre 9mm feitos por pelo menos três homens que usavam camisetas com a identificação da Polícia Civil. O trio dissimulou um cumprimento de mandado de busca e apreensão para atingir a vítima.  

Três das vítimas dos homicídios tinham envolvimento com o tráfico de drogas e outra com homicídio. Uma delas não possúía nenhum registro criminal. 

Operação 

Letífero significa o que acarreta a morte, letal.

Fonte: GOV MT

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