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Comissão avalia que política para formação de leitores no Brasil é suficiente, mas não está sendo usada

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O Brasil já tem uma boa legislação para incentivar a formação de leitores, mas falta aplicá-la. Essa foi uma das constatações dos participantes da audiência pública da Comissão de Legislação Participativa da Câmara que discutiu estratégias para a formação de leitores a partir da legislação existente e as formas de fiscalizar a sua execução.

O representante do Ministério da Educação, Maurício Almeida Prado, que é servidor da Secretaria de Alfabetização, afirmou que os estímulos à leitura nos primeiros anos de vida são decisivos para o sucesso na vida adulta. Segundo ele, maus leitores se desenvolvem mais lentamente e bons leitores se desenvolvem em ritmo mais acelerado. A leitura de livros de ficção desenvolve a capacidade dos jovens para interpretar textos, e, por exigir a compreensão de conteúdos mais longos, melhora a habilidade de leitura e o desempenho em outras áreas.

“É muito importante o professor da pré-escola ler o livro para a criança. Ele já está trabalhando na pré-alfabetização da criança. A compreensão da leitura oral realizada pelo professor e observada pelo aluno e perguntas diretas — quem, que, quando, onde — você já está provendo a compreensão da criança em relação ao texto, ou seja, antes da alfabetização, né?”, afirmou.

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - A formação de leitores a partir da legislação existente - Nadja Cezar Ianzer Rodrigues - Secretária Executiva do PNLL
Nadja Rodrigues: meta é entregar livros para todos os alunos

A secretária executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura, Nadja Rodrigues, participou da audiência pública e disse que o Programa Nacional do Livro Didático já inclui livros de literatura. Porém, ela ressaltou que faltam livros, e a meta será entregar obras aos alunos, não apenas para as bibliotecas.

“Para que os meninos levem esse material para casa, para que o professor possa trabalhar, por exemplo, num projeto literário em que todos leiam o mesmo livro — essa é uma dificuldade, trabalhar em salas de aula em projetos de leitura numa sala de 40 meninos. Você tem que dividir em grupos e em 10 livros diferentes porque nas bibliotecas não há livros iguais em 10 volumes”, explicou.

Segundo ela, essa proposta dá oportunidade para o aluno levar o livro para casa, compartilhar com irmãos. Lembrando que muitas vezes são os primeiros livros literários na casa daquela criança ou jovem.

Melhora no desempenho
Fernanda Gazia, diretora executiva da Câmara Brasileira do Livro, afirmou que a formação de leitores muda o país. Ela lembrou uma pesquisa de 2017 do Instituto Pró-Livro que concluiu que as escolas que têm biblioteca, bibliotecários e mediadores de leitura têm desempenho muito melhor.

“Na escala Saeb, por exemplo, em português, ela tem um desempenho de 6 pontos a mais. Uma coisa que todo mundo espera é que isso seja em português. Mas, em matemática, o desempenho é de 10 pontos. [Isso prova que] a compreensão da leitura é muito importante para a formação do cidadão como um todo”, argumentou.

Para o especialista em políticas públicas de leitura e professor da Universidade Estadual Paulista José Castilho Marques Neto, o Plano Nacional de Leitura, criado em 2006, estabeleceu o eixo necessário para a formação de leitores, inclusive com metas para o setor.

Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - A formação de leitores a partir da legislação existente. Dep. Fernanda Melchionna PSOL-RS
Melchionna reclamou das respostas do governo sobre o plano: “Evasivas”

O professor teve participação nos debates que originaram a Lei Castilho, que em 2018 estabeleceu 6 anos para elaboração de um novo Plano Nacional do Livro, da Leitura e da Escrita. Ele lamenta que o plano esteja abandonado.

“O nosso Plano Nacional de Leitura, que foi construído de maneira democrática, suprapartidária, supragovernamental, que nós chamamos de verdadeiro pacto social pela leitura, ainda é hoje, apesar de estar abandonado há anos, o modelo de inspiração para todos os países ibero-americanos”, afirmou.

Respostas evasivas
A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), que preside a Frente Parlamentar de Incentivo à Leitura, reclamou das respostas do governo a pedidos de informações enviados pela Câmara sobre a implementação do plano. Em julho de 2019 houve a recriação do conselho diretivo e mudanças na participação do conselho de gestores.

“Tivemos uma resposta bastante evasiva sobre os planos do governo para o início da execução do plano, que é muito importante para a gente entender as políticas de livro e leitura como políticas de estado e tentar reverter a dívida histórica que o estado brasileiro tem com o povo com relação à democratização do acesso ao conhecimento.”

Também participaram da audiência pública representante da rede nacional de bibliotecas comunitárias, do Conselho Brasileiro de Bibliotecas Escolares e do conselho Federal de Biblioteconomia.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub

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Durante live, ex-ministros de Bolsonaro atacam aliança com Centrão

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Durante live, ex-ministros de Bolsonaro atacam aliança com Centrão
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Durante live, ex-ministros de Bolsonaro atacam aliança com Centrão

Os ex-ministros Abraham Weintraub (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) criticaram na segunda-feira a aliança do presidente Jair Bolsonaro com partidos do Centrão. Para Araújo, o grupo “começou a dominar o governo e pautar o governo”, prejudicando a política externa. Já Weintraub disse que os conservadores foram “substituídos por essa turma”.

As declarações ocorreram durante o “ConservaTalk”, programa no Youtube do qual os dois fazem parte, ao lado do também ex-ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e de outras personalidades de direita. O convidado do programa foi o pastor Silas Malafaia, que criticou a postura de ministros palacianos durante o processo de indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As críticas ao Centrão começaram justamente quando Malafaia disse que os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Fábio Faria (Comunicações) não se empenharam na aprovação do nome de Mendonça, que demorou quatro meses e meio para ter sua indicação analisada pelo Senado.

“Quando é que abertamente que Ciro Nogueira, que Fábio Faria e (Flávia) Arruda, abertamente declararam apoio ao André? Onde? O que eles gravaram? Qual o vídeo?”, questionou Malafaia. “Eles eram obrigados a fazer campanha ostensiva a favor de André e eles não fizeram”.

Weintraub, então, afirmou que os partidos do Centrão são um “grande obstáculo” aos conservadores:

“Uma das frentes que a gente está sofrendo grandes ataques, os conservadores, é justamente uma turma do Centrão”, disse o ex-ministro. “Um grande obstáculo que nós conservadores estamos passando, estamos sendo atacados continuamente, e fomos substituídos por essa turma do Centrão que você citou”.

Weintraub tenta viabilizar uma candidatura ao governo de São Paulo, apesar de Bolsonaro apoiar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para o cargo.

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Nesse momento, Salles, Malafaia e o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), que também participou da transmissão, afirmaram que a aliança com o Centrão é  necessária.

“Essa história do Centrão também não pode virar um cavalo de batalha. Por que? Porque a política é feita de alianças. A política é feita de união”, ponderou Salles.

Entretanto, Ernesto Araújo — que foi demitido em março do ano passado por pressão do Congresso —reforçou as críticas ao bloco, dizendo que esses partidos o impediram de fazer uma “política externa transformadora”:

“E o que aconteceu quando o Centrão começou a dominar o governo e pautar o governo? Fui cada vez mais isolado e tirado da capacidade de levar adiante essa política externa transformadora. Porque esse Centrão que veio aí é um Centrão que acha que política externa é fazer tudo que a China quer. Não sei qual o grau de interesse econômico que essas figuras têm com a China”.

O ex-chanceler reforçou as críticas a Nogueira, Arruda e principalmente a Fábio Faria, dizendo que ele “entregou o 5G para a China”, e disse que é preciso saber se os eleitores de Bolsonaro “topam isso”.

“O senhor citou três pessoas que são chave nisso. Ciro Nogueira, Fábio Faria, que entregou o 5G para a China, e Flávia Arruda. Isso aí é o seguinte. As pessoas têm que saber isso. Se os eleitores do presidente Bolsonaro, os conservadores, topam isso…(Podem dizer) Vamos tentar continuar a transformar o Brasil internamente, mas vamos deixar o Brasil ser dominado pela China”.

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Bolsonaro revela que passeou de moto sem seguranças em Brasília

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Bolsonaro revela que passeou de moto por Brasília sem seguranças
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Bolsonaro revela que passeou de moto por Brasília sem seguranças

presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou aos apoiadores no Palácio do Alvorada, na última segunda-feira (17), que sua segurança foi ‘driblada’ no último domingo para que o mandatário pudesse andar de moto sozinho por Brasília.

“Meu pessoal da segurança tava meio dormindo, relaxado. Peguei a moto e saí sozinho”, explicou o presidente, que não havia avisado ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) que sairia do Palácio. Sua saída ocorreu as 15h45, com retorno as 18h.

“Eu saí, fui atrás do Itamaraty, parei um tempinho lá e depois fui embora. Se eu ficasse mais 10, 15, 20 minutos e fosse em direção do Setor Militar Urbano para outro lugar não iam me achar nunca. Agora eu paro, converso com o pessoal”, afirmou o mandatário.

Bolsonaro também teceu críticas e reclamações sobre o seu dia a dia no comando do Executivo federal. “Falam tanto daqui [Palácio do Alvorada]. Aqui é um paraíso, mas é rotina, não tem graça. Saudade de um caldo de cana, um pastel”.

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O capitão do Exército aproveitou para falar sobre as críticas de seus gastos no cartão corporativo. Segundo o presidente, as emas que vivem no Palácio do Alvorada são custeadas pelo cartão. “Tem umas 50 emas aí”, disse Bolsonaro.


“São 3 cartões corporativo. Por vezes se paga também custo de viagem, combustível de aeronave. Se eu virar R$ 1 milhão por mês, acham que eu peguei para comprar leite condensado para mim. O TCU faz o controle. Um dos cartões é privativo meu. Por que a imprensa não mostra o que eu gastei no meu cartão privativo? Porque eu não gastei nada. Dá pra comprar tubaína à vontade, leite condensado, comer churrasquinho de gato se quiser, sacar dinheiro. Não faço para dar exemplo”, alega Jair.

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