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Casos graves de Covid são ligados a um sistema imune ‘exausto’, diz novo estudo

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 Um sistema imune fragilizado pode provocar casos mais graves da doença
Pablo Uchoa – BBC

Um sistema imune fragilizado pode provocar casos mais graves da doença

A Covid-19 grave está associada à exaustão e ao envelhecimento do sistema imunológico. É o que aponta um estudo feito pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na revista científica Journal of Infectious Diseases.

O trabalho analisou amostras de sangue de 22 pacientes internados com casos graves de Covid-19 e as comparou com amostras coletadas de indivíduos saudáveis.Foram encontrados sinais de hiperatividade, exaustão e envelhecimento de células de defesa conhecidas como linfócitos T auxiliares. Segundo os cientistas, os dados indicam perda da capacidade de resposta dessas células na Covid-19 grave, o que pode facilitar infecções secundárias e reinfecções.

Segundo Alexandre Morrot, pesquisador do Laboratório de Imunoparasitologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e coordenador do estudo, os linfócitos T auxiliares são os “maestros” do sistema imune, conduzindo a produção de anticorpos diante do reconhecimento de proteínas virais.

“Nos pacientes com Covid-19 grave, observamos que os linfócitos T CD4 [auxiliares] estão em estágio final de diferenciação, apresentando marcadores de exaustão e senescência. São células que perderam a capacidade de expansão clonal, ou seja, não vão se multiplicar ao entrar em contato com as proteínas virais e não vão conseguir comandar uma resposta imunitária eficiente” , afirma o imunologista.

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De acordo com o pesquisador, o quadro pode ser caracterizado como um estado de imunodeficiência aguda. A queda na imunidade deixa os indivíduos mais vulneráveis para contrair outras infecções, como as pneumonias bacterianas, que são comuns em pacientes hospitalizados por Covid-19. Esse problema também ajuda a explicar o alto número de reinfecções por Covid-19, o que surpreendeu cientistas. Isso porque infecções virais agudas costumam produzir uma memória imunológica forte, que evita, por exemplo, que a mesma pessoa contraia sarampo ou catapora duas vezes.

Além da presença de moléculas consideradas como marcadores de senescência e exaustão nos linfócitos T auxiliares, os pesquisadores encontraram altos níveis de substâncias inflamatórias liberadas por essas células no soro dos pacientes.

Segundo os cientistas, os dados indicam um processo de hiperativação, que leva os linfócitos ao estágio final de diferenciação celular, resultando em exaustão e envelhecimento do sistema imunológico.

“Tudo isso reforça a importância de terapias anti-inflamatórias, voltadas para controlar a resposta imune exagerada, que é uma vilã na Covid-19” , comenta Morrot.

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Fonte: IG SAÚDE

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Pessoas com doenças alérgicas têm risco 38% menor de Covid-19, diz estudo

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Questões inflamatórias, infecciosas e alérgicas podem causar a rinite
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Questões inflamatórias, infecciosas e alérgicas podem causar a rinite

Pessoas com doenças alérgicas têm um risco até 38% menor de desenvolver Covid-19. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Universidade Queen Mary de Londres, publicada recentemente na revista Thorax.

Para explorar quais fatores aumentam o risco da doença, os pesquisadores analisaram dados de 16 mil pessoas que responderam questionários online entre 1º de maio de 2020 e 5 de fevereiro de 2021. Foram analisados apenas fatores que poderiam influenciar no risco de contrair a infecção, incluindo idade, circunstâncias familiares, trabalho, estilo de vida, peso, altura, condições médicas de longa data, uso de medicamentos, estado de vacinação, dieta e ingestão de suplementos.

No total, 16 mil pessoas responderam ao primeiro questionário, mas apenas 14,3 mil continuaram preenchendo os demais e finalizaram a enquete final. Em média, os participantes tinham 59 anos, a maioria (70%) era mulher e 95% identificaram sua origem étnica como branca.

No período do estudo, 446 participantes (quase 3%) receberam diagnóstico de Covid-19 e 32 foram hospitalizados. Os resultados mostraram que doenças desencadeadas por alérgenos, como eczema, dermatite atópica e rinite alérgica foram associadas a uma redução de 23% no risco de Covid-19. Entre os que tinham doença atópica e asma, o risco foi 38% menor.

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Como este é um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação entre causa e consequência. Mas uma das hipóteses citadas pelos pesquisadores para a diminuição do risco de Covid-19 em pessoas com doenças alérgicas é o fato dessas pessoas apresentarem redução da expressão de ECA2, enzima utilizada pelo novo coronavírus para invadir as células.

O uso de imunossupressores também foi associado a uma probabilidade 53% menor de infecção pelo novo coronavírus. Mas os pesquisadores ressaltam que isso pode ser decorrente do fato dessas pessoas se protegerem mais contra a doença.

Já os fatores que foram associados ao aumento no risco de Covid-19 foram: etnia asiática, superlotação familiar, socializar com outras famílias, frequentar ambientes públicos fechados, profissões que exijam contato direto com outras pessoas, além de sobrepeso e obesidade.

Surpreendentemente, fatores comumente associados ao aumento do risco de complicações da doença, como idade avançada, sexo masculino e outras condições médicas não aumentaram a probabilidade de Covid-19 neste estudo. De acordo com os autores, a maioria dos casos da doença relatados no estudo foram leves, o que indica que os fatores de risco para o desenvolvimento de Covid-19 em geral não são necessariamente os mesmos associados a quadros casos graves e morte.

Fonte: IG SAÚDE

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Vacinas não protegem totalmente contra ômicron, mas infecção tende a ser leve

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Ômicron escapa às vacinas e não causa casos graves, diz análise
Reprodução: iG Minas Gerais

Ômicron escapa às vacinas e não causa casos graves, diz análise

Começam a surgir os primeiros dados sobre pessoas infectadas com a  variante Ômicron. Apesar de ainda serem preliminares, com número pequeno de casos, podem indicar uma tendência: há infecção por Covid mesmo para quem está vacinado, mas os casos tendem a ser leves.

Os dados vêm da província de Gauteng, epicentro da Ômicron na África do Sul, e do Reino Unido. A Agência de Segurança e Saúde britânica informou que, de um grupo de 22 casos, apenas seis não estavam vacinados e dois tinham status vacinal desconhecido. No Brasil, já se sabe que os três primeiros casos também eram pessoas com esquema vacinal completo. Nos EUA, há um caso positivo em pessoa vacinada com três doses.

De acordo com o geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, de Curitiba, já estava claro que a variante tem escape à infecção natural, ou seja, quem foi infectado previamente por outra variante da Covid não está protegido contra essa. Mas agora surgem informações sobre o status de vacinação dos pacientes.

“Sabendo da limitação dos dados, tanto os que vêm da África do Sul quanto os da Inglaterra apontam para o mesmo lugar: também existe um escape para quem está vacinado. Aparentemente, agora que já passaram três semanas desde a detecção da Ômicron, o número de casos graves é pequeno e não houve mortes confirmadas. Então, dados preliminares sugerem que as pessoas vacinadas não vão ter uma doença grave. As coisas que vão se montando”, afirma Raskin.

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Segundo o geneticista, em cerca de uma semana o cenário deve ficar mais claro:

“Devemos saber em uma semana porque vão sair os resultados de estudos laboratoriais: soros de convalescentes, anticorpos monoclonais com a Ômicron, vacinas contra a variante. As culturas virais demoram para ficar prontas e ser analisadas. Além disso, vamos ver a evolução dos casos, que geralmente se definem depois de entre 7 e 10 dias.”

Fonte: IG SAÚDE

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