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Médicos defendem vacinação de adolescentes e reforço para idosos e profissionais de saúde

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Em audiência na Câmara, pesquisadores e entidades médicas e de enfermagem defenderam, nesta terça-feira (21), a continuidade da vacinação de adolescentes a partir de 12 anos de idade e da aplicação de doses de reforço em idosos e profissionais de saúde. O Ministério da Saúde garantiu que há disponibilidade de vacinas para esses grupos, mas criticou estados e municípios por anteciparem a vacinação de adolescentes e informou que analisa estudos em relação às doses extras. O debate ocorreu na Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19.

Médica e pneumologista, a pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz, fez a defesa mais enfática da vacinação de todos os adolescentes de 12 a 17 anos.

“Nós sabemos que essa faixa etária é responsável por grande mobilidade social e por carregar uma carga viral muito grande para familiares, colegas e sociedade. Portanto, acho que é uma decisão sobre a qual não cabe mais discussão: cabe colocar doses em disponibilidade suficiente para que nós protejamos todos os nossos adolescentes”, disse.

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Aplicação de mais uma dose de vacina contra a COVID-19 no Brasil. Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite De Melo
Rosana de Melo constatou queda no número de mortos diante do avanço da vacinação

Parlamentares e representantes dos conselhos de secretários estaduais e municipais de saúde (Conass e Conasems) manifestaram surpresa diante de recente orientação do Ministério da Saúde com restrições à vacinação nessa faixa etária. Segundo o Conass, 1.300 crianças e adolescentes morreram por complicações após contaminação com o novo coronavírus só neste ano.

A secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana de Melo, justificou a medida com críticas à gestão de alguns estados e municípios diante do que havia sido pactuado no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 e afirmou que a vacinação não foi suspensa.

“Nós apenas restringimos a vacinação aos adolescentes com comorbidade e deficiência permanente. Não foi apenas por este ou aquele fator, foi um conjunto. Nós sobrestamos algo que seria começado a partir do dia 15. Ainda não tínhamos enviado (doses) para o público abaixo de 18 anos”, afirmou.

A secretária disse que, para evitar pânico, a “nota informativa” com essa nova orientação, divulgada no dia 15, sequer citou a morte de uma adolescente vacinada. Posteriormente, a Anvisa constatou que o caso não teve relação causal com a vacinação contra Covid-19.

Por enquanto, os adolescentes só podem ser imunizados com doses de Pfizer. O deputado Jorge Solla (PT-BA) cobrou da Anvisa rapidez nos estudos para a inclusão da Coronavac nessa lista, como já acontece no Chile.

Reforço
Outro tema debatido foram as doses de reforço para quem já está imunizado, sobretudo diante do cenário de surgimento de novas variantes do coronavírus. Relatora da comissão externa, a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) citou a necessidade de inclusão dos profissionais de saúde no grupo prioritário dessa dose adicional.

“Só entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, nós temos mais de 860 óbitos. Somando aos profissionais da área de medicina, temos de 1.600 a 1.700. Sem contar todos os demais trabalhadores, como motoristas de ambulância, recepcionistas, pessoal de limpeza e lavanderia, fisioterapeutas e outros profissionais que estão diretamente envolvidos com a Covid-19. Por isso, a defesa e o pedido [pela dose de reforço] da nossa comissão externa”, disse a deputada.

Representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica do Brasil (AMB) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) reforçaram o pedido. Eles argumentaram que a maior parte dos profissionais de saúde foi imunizada há mais de 8 meses com Coronavac, que tem menor duração na proteção contra a Covid-19. A AMB apresentou estudo dos Estados Unidos que mostra novo surto da doença inclusive em profissionais imunizados com Pfizer.

A representante do Cofen, Cleide Mazuela, informou que testes recentes mostraram o aumento dos casos de reinfecção e de perda de anticorpos dos profissionais que estão na linha de frente de combate à Covid-19. “São 2,5 milhões de enfermeiros esgotados”, ressaltou.

Idosos e imunossuprimidos
Parlamentares e debatedores também concordaram em ampliar para 60 anos de idade a faixa inicial da dose de reforço de toda a população. Hoje, a orientação do Ministério da Saúde é dar uma dose a mais aos maiores de 70 anos, seis meses após a dose única da Janssen ou a segunda dose de Coronavac, AstraZeneca e Pfizer. Os imunossuprimidos, ou seja, aquelas pessoas com problemas imunológicos, também podem receber o reforço na vacinação.

A secretária destacou que é fato que a maioria da população quer ser vacinada e que o Brasil tem a “cultura da vacinação”, e constatou queda no número de casos e de mortes no País a partir de agosto, diante do avanço da vacinação. Rosana de Melo disse que a ampliação das faixas atendidas seguirá critérios técnico-científicos.

“Em relação aos trabalhadores de saúde, não houve consenso na nossa penúltima reunião da Câmara Técnica do Plano Nacional de Operacionalização. Pactuamos que iríamos discutir mais em termos técnico-científicos. Se a decisão for pela vacinação desse grupo na totalidade, independentemente do imunizante aplicado, nós teremos as doses para serem aplicadas”, garantiu.

Está prevista uma nova reunião da câmara técnica do ministério no dia 24. Com base nos estoques e na projeção de entregas, Rosana afirma que haverá disponibilidade de vacina, caso se decida pela dose de reforço a partir de 60 anos de idade. A secretária informou que o ministério já iniciou o planejamento do esquema vacinal do próximo ano.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

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“Vítimas escolhidas pra falar mal do presidente”, diz Flávio Bolsonaro sobre CPI

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Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ)
Reprodução: Redes Sociais

Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ)

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), criticou a audiência pública realizada pela CPI da Covid-19 com familiares de vítimas da doença , na manhã desta segunda-feira (18). Flávio saiu em defesa do pai, Jair Bolsonaro (sem partido) e disse que os presentes na oitiva foram “escolhidos para falar mal do presidente” em vídeo no Instagram.

O político classificou a sessão do colegiado como “algo macabro, triste e lamentável”. “Pessoas foram escolhidas a dedo para virem à CPI e falar mal do presidente. Pessoas com histórico de militância contra o presidente vieram com o compromisso de responsabilizar Bolsonaro pela morte de seus familiares”, afirmou.

O parlamentar garantiu que “Bolsonaro fez e continuará fazendo o que está ao seu alcance”. “O governo Bolsonaro fez o dever de casa, fez os cortes necessários, diminuiu despesas, tudo para permitir que tivéssemos condições de amparar quem mais precisa”, explicou.

Apesar da defesa de Flávio Bolsonaro, integrantes da área da Saúde disseram acompanhar falta de EPIs nas unidades de atendimento. Uma enfermeira de Manaus, ouvida na CPI, Mayra Lima, que perdeu a irmã para a doença, relatou a falta de EPIs para tratar os pacientes. De acordo com ela, muitas vezes, esses equipamentos foram custeados pelos próprios profissionais.

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Ainda, Flávio voltou a julgar os trabalhos da CPI da Covid, a qual ele é membro na condição de suplente. “Essa CPI mancha a imagem do Senado Federal. Grande parte da população olha para cá com nojo. Essa CPI teve a audácia, falta de sensibilidade de explorar a dor das pessoas que estão depondo”.

O senador afirmou que Bolsonaro foi o responsável pelos imunizantes no Brasil. “Todas as vacinas aplicadas foram viabilizadas pelo presidente Bolsonaro. Presidente Bolsonaro impediu o caos no Brasil”, prosseguiu integrante do Patriota.

O filho do Chefe do Executivo encerra o vídeo com um pedido: “Isso que vimos hoje é muito feio e precisa ser denunciado, como estou fazendo aqui agora. Se Deus quiser, essa CPI vai acabar logo”.

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CPI ouve relatos de pacientes e familiares de vítimas da Covid; veja

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CPI da Covid no Senado
Pedro França/Agência Senado

CPI da Covid no Senado

Nesta segunda-feira (18), a  CPI da Covid faz audiência pública para ouvir relatos de “vítimas diretas e indiretas” da pandemia. Com diferentes perfis, os depoentes da sessão de hoje contam aos senadores como perderam os pais, marido, filho e irmã para a Covid-19.

Entre as declarações, críticas têm sido feitas em relação ao comportamento do governo federal e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em si sobre a atuação diante do enfrentamento à doença no Brasil.

O atraso na vacinação da populaçãofalas de membros do governo menosprezando a gravidade do coronavírus e a defesa do chamado “tratamento precoce” , com o uso de medicamentos com ineficácia comprovada contra a Covid-19, são mencionados pelos depoentes.

Mayra Lima, enfermeira de Manaus que perdeu a irmã para a doença, relatou a  falta de EPIs para tratar os pacientes. De acordo com ela, muitas vezes, esses equipamentos foram custeados pelos próprios profissionais. Veja:


Já Katia Shirlene, que perdeu os pais em decorrência do coronavírus, relatou a prescrição de remédios do “kit Covid” em uma das unidades da Prevent Senior . “Como você diz para uma idosa que confia no médico que o remédio que foi medicado não tem eficácia?”, questionou. Veja:

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Homenagem às vítimas no Congresso Nacional

Homenagem às vítimas da Covid no Congresso Nacional, em Brasília
Roberto Stuckert Filho

Homenagem às vítimas da Covid no Congresso Nacional, em Brasília

Às vésperas do fim dos trabalhos da Comissão, o gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, ganhou um grande varal com 600 lenços brancos em homenagem às vítimas da doença. A instalação foi feita pela ONG Rio de Paz.

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