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Olimpíada 2020: Como é viver na ‘bolha’ dos Jogos mais estranhos da história

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BBC News Brasil

Olimpíada de Tóquio 2020: como é viver na 'bolha' dos Jogos mais estranhos da história
Tamara Gil – @_tamaragil – Enviada especial da BBC News Mundo a Tóquio 2020

Olimpíada de Tóquio 2020: como é viver na ‘bolha’ dos Jogos mais estranhos da história

O primeiro aviso é dado já no avião que nos leva ao Japão. Ao pousar, a voz do capitão dá as boas-vindas a Tóquio, mas desta vez a mensagem geralmente calorosa é acompanhada por uma primeira diretriz: “Todos os que estão ligados aos Jogos, fiquem no lugar.”

É apenas o início de uma maratona de testes e documentação que aguarda os participantes desta que já é a mais estranha Olimpíada da história, com sua restrita bolha.

Dentro da bolha, os rostos são amigáveis ​​e sorridentes. Fora dela, é possível notar a preocupação com os primeiros testes positivos para covid-19 dos Jogos, o aumento do número de escândalos e nos pedidos de cancelamento do evento, além da indiferença dos cidadãos.

“O que eu acho do quê? Dos Jogos? Bem, é isso aí mesmo”, respondeu uma jovem japonesa que, conforme a hospitalidade característica local, fez questão de me ajudar a encontrar transporte nas minhas primeiras horas na capital do país.

A poucos metros de distância, um cidadão com o distintivo Tóquio 2020 aplaudia: “Bem-vindo ao Japão!”

A gincana do papel verde

Uma cor determina sua sorte quando você chega ao aeroporto de Haneda: “Papel verde? Ih, você ainda terá que passar muitas horas aqui…”, um oficial de segurança de uma delegação estrangeira me avisou.

Ele tinha razão, embora na época eu não soubesse (ou não quisesse acreditar).

Nos dias anteriores à viagem, foi um desafio reunir todos os documentos necessários (com o carimbo correto, os dados em japonês, os aplicativos de saúde ou geolocalização abrindo mão de toda privacidade, os testes de coronavírus, a medição diária de temperatura de 14 dias, etc.), e a pasta que eu precisava ter sempre em mãos estava transbordando.

Documentos para preencher no avião

TAMARA GIL
Um dos passatempos do avião: preencher formulários

Mas ainda assim recebi o papel verde “da vergonha” — como um de meus colegas mais tarde o descreveria. Isso significa que uma parte do complicado processo que começou meses atrás não havia sido aprovado pelas autoridades. Por isso, eu precisaria esperar mais tempo para resolver todos os trâmites — cinco horas, para ser exata.

Naquele labirinto em que a cada poucos metros era necessário apresentar um documento diferente, culminando em um teste de saliva, a sensação era de gentileza: havia muitos controles sim, mas geralmente administrado por uma equipe jovem sempre sorridente e com paciência infinita.

Não é fácil receber viajantes de todo o mundo, desde atletas a jornalistas, delegados ou técnicos especialistas, depois de uma longa viagem, tendo que ajudá-los a baixar aplicativos, inscrever-se em sistemas complicados e ajudá-los a usar (ou superar) a tecnologia.

Haneda

Tamara Gil
Controles rígidos aguardam viajantes que chegam a Haneda para a Olimpíada

“Isso é ridículo”, exclamou um jornalista italiano, depois de mais de uma hora esperando o resultado de seu teste de saliva em uma enorme sala de espera. À sua frente, uma tela na qual os números atribuídos apareciam a conta-gotas.

O teste negativo para covid abre caminho para a imigração, que costuma ser um pesadelo em aeroportos pelo mundo, mas é rápida e até agradável ​​em Haneda.

Da gincana à quarentena

Se a primeira prova destes Jogos é sair do aeroporto, a segunda é sem dúvida a quarentena, cujo período e restrições variam em função do país de origem e do momento da chegada ao Japão.

No meu caso, foram três dias de isolamento moderadamente rígido, já que é permitido sair uma vez por dia para fazer um teste de coronavírus no centro de imprensa (com duração não superior a duas horas no total) e cerca de 15 minutos por dia para comprar as necessidades básicas, após se cadastrar com um agente de segurança que fica no lobby do hotel 24 horas por dia.

Trabalhador no centro de imprensa de Tóquio 2020

Tamara Gil
Dentro da ‘bolha’, tudo são sorrisos e ilusões

Mas essas restrições têm sido maiores para alguns atletas, como foi o caso da delegação salvadorenha.

“Depois de ficar cinco dias trancado, sem ir sequer até a esquina, a Vila Olímpica parece um paraíso para nós”, me contou Claudio Martínez, chefe de comunicações salvadorenho.

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Depois de aprender “a arte de tirar saliva de onde não há” para fazer os testes diários, ele comentou, entre risos, que não se impressionou com suas acomodações.

Argentina Solórzano e Celina Márquez

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Atletas salvadorenhas Argentina Solórzano (à direita) e Celina Márquez

“Ninguém te controla aqui, não que se precise sair da Vila, aqui é tão grande que já é uma cidade.”

A primeira boxeadora salvadorenha a participar dos Jogos, Argentina Solórzano, também se disse feliz com tudo e afirmou não estar preocupada com o coronavírus.

Apesar dos casos de covid-19 já registrados entre alguns atletas da Vila Olímpica, a confiança no sistema e a esperança de que os Jogos sirvam para levar um pouco de alegria ao mundo se repetem em todas as conversas com os atletas.

“Todos estamos mais ou menos acostumados a viver assim (…) A verdade é que procuro não viver com medo, acho que é paralisante, não agrega muito, aquele medo que te apavora (…) não perco tempo pensando nisso”, me disse Francisca Crovetto, chilena que vai competir no tiro olímpico.

Francisca Crovetto.

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‘Procuro não viver com medo, acho que é paralisante’, disse a chilena Francisca Crovetto

“Estou feliz, em algum momento pensamos que [a Olimpíada] não fosse acontecer, esses são Jogos que o mundo do esporte precisa, mas também toda a humanidade”, disse Crovetto, que será uma das porta-bandeiras do Chile.

“O esporte e o movimento olímpico, em particular, transmitem essa mensagem de esperança, mudam vidas, tocam corações e sinto que a humanidade precisa disso, e Tóquio 2020 vai entregar isso.”

Esse mesmo argumento é citado pelos organizadores. Mas essa mensagem contrasta fortemente com o ambiente fora dessa bolha privilegiada, onde o entusiasmo é escasso e os problemas se acumulam.

A mais recente das crises surgiu na segunda-feira (19/7): a renúncia do compositor da música da cerimónia de abertura, Keigo Oyamada, após o escândalo sobre algumas entrevistas que concedeu anos atrás e nas quais admitiu ter assediado a colegas portadoras de deficiência durante a infância.

Inicialmente os organizadores de Tóquio 2020 queriam continuar trabalhando com o músico e aceitaram suas desculpas, mas posteriormente eles concluíram “que esta decisão estava errada” e pediram desculpas “pela ofensa e confusão” causada.

O principal centro de imprensa de Tóquio 2020

Tamara Gil
O principal centro de imprensa de Tóquio 2020

Antes disso o ex-presidente da comissão organizadora havia renunciado devido a comentários machistas. Também houve a retirada do apoio publicitário de um dos grandes patrocinadores do evento, a Toyota, cujos executivos não comparecerão à inauguração por falta de apoio popular aos Jogos.

“Tudo isso aumenta também a preocupação com o contágio, que toda a mídia japonesa está acompanhando em detalhes. Tudo junto é um desastre”, comenta Hermosín.

E assim Tóquio vai inaugurar na sexta-feira (23/7) a segunda Olimpíada sediada pelo Japão em sua história em meio a um estado de emergência, sem público e com grande parte da população contrária, segundo as mais recentes pesquisas.

Será um grande desafio para a nação que queria demonstrar o seu “renascimento” após a tripla crise de 2011 e a sua volta ao primeiro escalão do mundo, de olho na ascensão da China, que vai sediar os Jogos de Inverno de 2022, em Pequim.


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Fonte: IG SAÚDE

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Vacinas protegem contra variantes, apesar de “lacunas” em evidências, diz OMS

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Vacinas protegem contra variantes, apesar de “lacunas” em evidências, diz OMS
Divulgação/Prefeitura de Manaus

Vacinas protegem contra variantes, apesar de “lacunas” em evidências, diz OMS

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas contra a Covid-19 são capazes de protegerem contra as variantes em circulação da doença. No entanto, há ainda algumas “lacunas” na eficácia dos imunizantes contra as cepas, que dificultam uma medição precisa dessa eficiência.

Segundo Katherine O’Brien, diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS nesta quarta-feira (28), as vacinas são capazes de evitarem casos graves e hospitalizações contras as variantes da Covid-19. A entidade deve agora coletar dados detalhados para entender como ocorre a reação exata de cada imunizante contra cada uma das cepas.

OMS e as novas variantes

Ainda segundo O’Brien, ainda existe uma enorme falta de vacinas em países mais pobres do mundo. Por conta disso, uma terceira dose de reforço ou uma reaplicação dos imunizantes não é aconselhável, para que não faltem vacinas.

Outro tópico discutido é sobre as misturas de imunizantes. A diretora disse que há estudos em andamento, mas que até existir uma conclusão específica, o ideal é ser vacinado com duas doses do mesmo produto. Pesquisas preliminares indicam que a AstraZeneca pode ter sua eficácia aumentada se combinada com a Pfizer ou a Moderna.

Em entrevista para o Valor Econômico, Jairo Mendez Rico, assessor regional em Enfermidades Virais da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e da OMS disse que há riscos da Cepa Delta, mais contagiosa do que a versão padrão e as outras variantes, pode se tornar predominante no Brasil.

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“A variante Delta mostrou ter uma capacidade de transmissão maior em comparação com outras variantes preocupantes, como a alpha ou a gama; mas até o momento não existem evidências que permitam inferir um comportamento mais agressivo ou severo dessa variante. Claro que, se o número de casos aumenta, também aumenta a proporção daqueles que podem ser graves ou exigir internação hospitalar”, explicou.

Fonte: IG SAÚDE

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Anvisa alerta sobre casos raros de Guillain-Barré após vacinação

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Vacinas contra a Covid-19
Reprodução/FreePic

Vacinas contra a Covid-19


Casos raros de síndrome de Guillain-Barré (SGB) após a vacinação  contra Covid-19 têm sido relatados em diversos países, inclusive no Brasil, alertou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em um comunicado divulgado nessa quarta-feira (28), a Anvisa informa que, até o momento, recebeu 27 notificações de casos suspeitos de SGB após a imunização com a vacina da AstraZeneca, além de três casos com a vacina da Janssen e outros quatro com a CoronaVac, totalizando 34 registros.

A Anvisa explica que a SGB é um distúrbio neurológico autoimune raro, no qual o sistema imunológico danifica as células nervosas. Os episódios pós-vacinação (eventos adversos) também são raros, mas já conhecidos e relacionados a outras vacinas, como a da influenza (gripe).

De acordo com a agência, a maioria das pessoas se recupera totalmente do distúrbio. “O principal risco provocado pela síndrome é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios. Nesse último caso, a SGB pode levar à morte, caso não sejam adotadas as medidas adequadas”, alertou a agência.

“É importante destacar que a Anvisa mantém a recomendação pela continuidade da vacinação com todas as vacinas contra Covid-19 aprovadas pela Agência, dentro das indicações descritas em bula, uma vez que, até o momento, os benefícios das vacinas superam os riscos”, ressaltou a agência.

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Diante dos relatos de eventos adversos raros pós-vacinação, a agência solicitou que as empresas responsáveis pela regularização das vacinas AstraZeneca, Janssen e CoronaVac incluam nas bulas dos respectivos produtos informações sobre o possível risco de SGB.

Sinais e sintomasSegundo a Anvisa, a maior parte dos pacientes percebe inicialmente a SGB pela sensação de dormência ou queimação nas extremidades dos membros inferiores (pés e pernas) e, em seguida, superiores (mãos e braços).

Outra característica, acrescenta a agência, percebida em pelo menos 50% dos casos, é a presença de dor neuropática (provocada por lesão no sistema nervoso) lombar ou nas pernas. Fraqueza progressiva é o sinal mais perceptível, ocorrendo geralmente nesta ordem: membros inferiores, braços, tronco, cabeça e pescoço.

A Anvisa destaca que pessoas vacinadas devem procurar atendimento médico imediato se desenvolverem sinais e sintomas sugestivos de SGB, que incluem, ainda, visão dupla ou dificuldade em mover os olhos, dificuldade de engolir, falar ou mastigar. “Também devem ficar atentas a problemas de coordenação e instabilidade, dificuldade em caminhar, sensações de formigamento nas mãos e pés, fraqueza nos membros, tórax ou rosto, além de problemas com o controle da bexiga e função intestinal”, acrescentou a agência.

Notificação

A ocorrência de SGB pós-vacinação contra Covid-19 deverá ser relatada à Anvisa. “É imprescindível o cuidado na identificação do tipo de vacina suspeita de provocar o evento adverso, como número de lote e fabricante”, ressaltou a agência.Profissionais de saúde e cidadãos podem notificar eventos adversos pelo e-SUS Notifica e pelo formulário web do VigiMed.

A Anvisa lembra que se o caso for de queixa técnica ou de desvios de qualidade observados em vacinas, seringas, agulhas e outros produtos para saúde utilizados no processo de vacinação, as notificações devem ser feitas pelo Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária.

Fonte: IG SAÚDE

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