conecte-se conosco


FUNGO

Fungo negro: Brasil teve 29 casos de mucormicose neste ano

Publicado

Manchete

 

BBC News Brasil

Fungo negro: Brasil teve 29 casos de mucormicose neste ano
Reprodução: BBC News Brasil

Fungo negro: Brasil teve 29 casos de mucormicose neste ano

O Brasil registrou neste ano até agora 29 casos de mucormicose – infecção conhecida popularmente como “fungo negro” – comparado com 36 casos em todo o ano de 2020, informou o Ministério da Saúde à BBC News Brasil.

Os dados são baseados em notificações feitas pelos Estados.

O Ministério da Saúde esclarece, no entanto, que “não é possível relacionar, até o momento, os casos de mucormicose registrados no Brasil com a covid-19 e as variantes do vírus”.

Apesar disso, o número de casos só neste ano chama atenção, pois já está próximo do total em todo o ano passado, e coincide com o agravamento da pandemia de covid-19 no país.

Conhecido popularmente como “fungo negro”, a mucormicose é causada por fungos e vem registrando um crescimento vertiginoso na Índia, onde já acometeu quase 9 mil pacientes com covid-19.

A doença mata mais de 50% dos acometidos. Muitos precisam passar por cirurgias mutilantes, que retiram partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos.

Em entrevista recente à BBC News Brasil , epidemiologistas disseram que, embora os relatos vindos da Índia sejam preocupantes e precisem ser acompanhados de perto, não são motivo de grande alarme.

Eles acrescentaram ser improvável que um cenário parecido se repita no Brasil ou em outros lugares do mundo.

“Essa situação local não constitui uma ameaça à saúde pública global”, disse o infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

“A mucormicose não é algo que vai se espalhar pelo mundo”, acrescentou o também infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, professor da Universidade Federal do Paraná.

E esse baixo potencial de perigo pode ser explicado por dois motivos.

Em primeiro lugar, esses fungos são conhecidos e estudados desde o final do século 19.

Segundo, eles já circulam livremente por boa parte do mundo, inclusive no Brasil.

Casos na Índia

Mas o que explica, então, o aumento de casos na Índia?

No atual momento, a Índia reúne uma série de condições que ajudam a explicar o aumento dos casos de mucormicose.

“Os agentes causadores da doença estão no ar e tiram vantagem da umidade alta e da temperatura quente daquele país”, contextualiza Pasqualotto.

Vale reforçar que os fungos que provocam essa condição, conhecidos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor, estão presentes em muitos países (incluindo o Brasil) e podem ser observados no bolor do pão e das frutas, por exemplo.

Mas se eles são tão comuns assim, por que só causam estragos em algumas poucas pessoas, enquanto outras sequer são afetadas?

A explicação está na condição de saúde de cada um.

Segundo explicou Telles Filho à BBC News Brasil, existem três situações que facilitam o desenvolvimento da mucormicose: ter diabetes descontrolado, ser portador de doenças oncohematológicas (como a leucemia), que requerem transplante de medula óssea, ou fazer uso de altas doses de remédios da classe dos corticoides, que possuem ação anti-inflamatória.

“A Índia é um dos países com maior quantidade de diabéticos do mundo e vive atualmente um descontrole da pandemia de covid-19, com um alto número de pacientes internados que necessitam tomar corticoides”, disse o médico, que também coordena o Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Para completar, em muitos locais mais afastados desse país, as condições sanitárias dos hospitais e das enfermarias não são as ideais, o que facilita o risco de contaminação por fungos.

Você viu?

Ou seja, trata-se de uma situação que reúne uma série de pacientes vulneráveis, com o sistema imunológico combalido pela covid-19, que muitas vezes apresentam doenças prévias (como o diabetes) e precisam de remédios que afetam ainda mais o funcionamento das células de defesa (caso dos corticoides). E eles são mantidos em locais que podem não apresentar a higiene adequada.

Esse é o cenário perfeito para que fungos como Rhizopus, Rhizomucor e Mucor tomem conta.

Na quinta-feira (27/05), o Uruguai confirmou oficialmente o primeiro caso de mucormicose em seu território.

Infecção

Mas como esses seres microscópicos invadem o corpo humano?

No geral, eles podem ser aspirados pelo próprio paciente ou entrar através dos tubos e cateteres que ficam ligados nas veias.

Outra origem é o intestino: como os fungos colonizam boa parte do sistema digestivo junto com as bactérias, eles podem aproveitar um desequilíbrio na microbiota (causada pelo uso de antibióticos, por exemplo) para ganhar terreno ali mesmo ou até invadir a circulação sanguínea.

Cada um desses fungos pode afetar uma parte específica do organismo: a mucormicose, que ganhou destaque nos últimos tempos, costuma entrar pelo nariz e logo invade os vasos sanguíneos do rosto, criando manchas escuras por onde passa (daí a alcunha “fungo negro”).

Numa situação normal, é bem provável que o sistema imunológico consiga lidar com esses avanços fúngicos para evitar repercussões maiores.

Mas, em um momento de fragilidade causado pela covid-19, esse mecanismo natural de defesa pode não funcionar tão bem e permitir que Mucor, Aspergillus, Candida e companhia limitada causem estragos.

“É como se o coronavírus começasse o serviço e os fungos completassem a tarefa”, disse Pasqualotto.

Caixa de reagente para teste PCR de covid-19

Getty Images
Acredita-se que os esteroides usados para tratar covid-19 podem ter um efeito na infecção por mucormicose

E como evitar isso?

Tudo começa com a prevenção. “As equipes de saúde precisam ter muito cuidado com a higiene e a lavagem das mãos, principalmente quando vão mexer nos cateteres e demais dispositivos que estão próximos do paciente”, recomendou Telles Filho.

Desse modo, já é possível evitar a contaminação desses materiais e a entrada de fungos pela respiração ou pelos vasos sanguíneos.

Outra tática usada em hospitais, especialmente nas alas que recebem os pacientes com sistema imune muito comprometido (como aqueles que passaram por um transplante de medula óssea, por exemplo) é a instalação de filtros Hepa nos sistemas de ventilação.

Esse material tem fibras capazes de reter partículas muito pequenas — entre elas, esporos de Aspergillus que poderiam invadir o organismo das pessoas mais debilitadas.

Uma terceira estratégia é lançar mão de remédios antifúngicos de forma profilática, para evitar que uma infecção oportunista apareça.

“Isso vale para alguns casos de câncer, mas não se encaixaria em quadros de covid-19”, explicou Telles Filho.

Do ponto de vista individual, vale sempre tomar cuidado com a própria saúde e manter doenças crônicas, como o diabetes, sob controle.

“Também precisamos pensar no ambiente em que vivemos. Hoje em dia, passamos boa parte de nosso tempo em lugares fechados, então precisamos nos preocupar com a umidade e a ventilação”, recomendou Pasqualotto.

O médico chama a atenção para o acúmulo de água e matéria orgânica em decomposição na geladeira e na despensa e diz que precisamos ficar atentos ao aparecimento de mofo nas paredes ou dentro de armários na cozinha e no banheiro.

“Precisamos tirar o alimento para que os fungos não se desenvolvam”, acrescentou.

Fonte: IG SAÚDE

Comentários Facebook

Manchete

Bolsonaro sanciona lei que libera reforma do IR para bancar Auxílio Brasil

Publicado

 

Bolsonaro sanciona lei que libera reforma do IR para bancar Auxílio Brasil
Reprodução: iG Minas Gerais

Bolsonaro sanciona lei que libera reforma do IR para bancar Auxílio Brasil

Em edição extra do Diário Oficial da União desta terça-feira (5) foi publicada a lei que permite usar recursos obtidos com a reforma do Imposto de Renda (IR) para bancar o Auxílio Brasil, programa desenhado para substituir o Bolsa Família.

A lei altera o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e vale apenas para 2021. Antes da sanção do texto, não era possível o uso de propostas legislativas em tramitação como fonte de compensação para criação ou aumento de despesa obrigatória. A reforma do IR já foi aprovada na Câmara, mas segue parada no Senado.

Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência da República afirmou que a alteração “não afasta o cumprimento da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), inclusive quanto à necessidade de efetiva aprovação de medidas compensatórias, as quais deverão estar em vigor no momento do aumento da despesa”.

“Essa alteração dará, portanto, maior agilidade à discussão e tramitação dos dois projetos no âmbito do Legislativo, o que permitirá, conforme expectativa do Governo Federal, que ambas as medidas estejam aprovadas até o final do corrente ano”, diz a Secretaria-Geral.

Presidente do Senado discorda

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, afirmou nesta terça-feira (5) que o governo não pode contar com a reforma do Imposto de Renda para bancar o aumento do Bolsa Família, que será rebatizado para Auxílio Brasil. O projeto segue nas mãos do relator Angelo Coronel e não deve ser votado em outubro.

Leia Também

Segundo Pacheco, a responsabilidade não pode “cair no colo do Congresso Nacional”. “Essa discussão não calha, temos de ter uma discussão técnica, responsável, e encontrarmos caminho para o Bolsa Família”, acrescentou.

“Não nos parece razoável discutirmos um novo modelo de IR a pretexto de que essa é a condição única para termos um novo Bolsa Família. Temos de buscar alternativas. O Bolsa Família é fundamental, mas temos de ter a criatividade e saber que há uma arrecadação elevada hoje, que temos outras medidas capazes de fazer valer como fonte de custeio”, declarou.

Comentários Facebook
Continue lendo

Manchete

ALMT aprova em 1ª votação projeto que cria Programa estadual de prevenção a incêndios florestais

Publicado

 

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou na sessão da manhã desta quarta-feira (22), em primeira votação, o Projeto de Lei 728/2020, de autoria do deputado estadual Faissal Calil (PV). O texto propõe a criação do Programa Estadual de Controle do Fogo e traz medidas que têm como objetivo reduzir a incidência de incêndios florestais em ações conjuntas do poder público, sociedade civil e entidades privadas. Entre as iniciativas, está o uso de cerca de 500 aviões agrícolas no combate aos focos de calor.

O projeto visa amenizar os prejuízos e diminuir a incidência de incêndios florestais, problema que assola Mato Grosso todos os anos, entre os meses de julho a setembro. Entre as medidas previstas no programa, estão ainda a integração e a coordenação de instituições públicas e privadas e da sociedade civil na promoção do manejo integrado do fogo. Uma das diretrizes apresentadas na proposta é a priorização dos investimentos públicos em estudos, pesquisas e projetos científicos que tenham como objetivo a recuperação de áreas atingidas pelo fogo.

“Este projeto de lei institui uma política de Estado e não uma política de governo. É algo que deve ser feito, mediante lei, todos os anos. Vemos constantemente, nessa época de estiagem e ar seco, o agravamento de várias doenças respiratórias. Infelizmente, não há um planejamento concreto de prevenção e combate a estes incêndios florestais. Com este projeto, isto agora será obrigatório”, afirmou o deputado.

Entre as iniciativas, está o uso de aviões agrícolas no combate aos focos de calor. Nesta época do ano, conforme o parlamentar, estas aeronaves ficam ociosas, já que não há atuação destas nas fazendas. No Brasil, eles precisam ser certificados, obrigatoriamente, para operações de combate a incêndios florestais. Esta determinação é oriunda de um decreto-lei de outubro de 1969. A legislação destaca que todas as aeronaves que atuam na pulverização de lavouras estejam aptas a atuar no combate ao fogo.

“Eles podem ser utilizados de maneira eficaz tanto na prevenção como no combate a estes incêndios florestais. O país tem atualmente a segunda maior frota de aviões agrícolas do mundo, com cerca de 2 mil aeronaves, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Pela versatilidade que possuem, podem ser muito eficientes e práticos no combate ao fogo em florestas. Este modelo de atuação contra incêndios já é utilizado em alguns lugares do país, mas em escala muito aquém do necessário.”, defende.

Outro ponto abordado é o da necessidade de investimento que resultem no aumento da capacidade de enfrentamento dos incêndios florestais no momento em que eles ocorram. O texto aborda ainda a importância da conservação e manutenção das vegetações nativas, nas áreas urbanas e rurais. O projeto cria ainda o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Estadual, que irá monitorar em tempo real os focos de incêndio em Mato Grosso.

“Este centro integrado funcionará durante o período crítico de incêndios florestais, que aqui em Mato Grosso se concentram, principalmente, entre os meses de julho e setembro, por conta da estiagem. Uma das ações do comitê será a elaboração de relatórios anuais sobre a situação dos incêndios florestais no estado, para que todos os esforços de prevenção e combate sejam aperfeiçoados”, destacou.

Fonte: ALMT

Comentários Facebook
Continue lendo

Policial

Política

Mato Grosso