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Flamengo arranca empate na ida da Recopa Sul-Americana

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Em uma partida muito disputada, o Flamengo mostrou toda a sua força e empatou em 2 a 2 com o Independiente Del Valle (Equador), no início da madrugada desta quinta (20), no jogo de ida da decisão da Recopa Sul-Americana.

O empate ganha ainda mais importância porque foi alcançado no Estádio Atahualpa, em Quito (Equador), que fica a 2.800 metros acima do nível do mar.

Flamengo modificado

Sem poder contar com o atacante Gabigol, que estava suspenso, o técnico português Jorge Jesus optou pela entrada do meia Diego no time titular.

Mesmo jogando na altitude, o time carioca faz valer a sua maior qualidade técnica no início, e tentava manter a posse de bola, enquanto a equipe equatoriana apostava nos lançamentos longos para aproveitar a velocidade de seus atacantes.

Em uma destas jogadas Jhon Sanchez recebe a bola e é derrubado pelo meia Gerson. O atacante Murillo vai para a cobrança e acerta o ângulo do gol defendido por Diego Alves para abrir o marcador aos 18 minutos do primeiro tempo.

Com a vantagem no placar o Independiente diminui os espaços do ataque do Flamengo, que sofre muito para impor seu estilo de jogo.

A única chance clara do time brasileiro na etapa inicial sai dos pés de Bruno Henrique. O camisa 27 chega a balançar as redes adversárias aos 26 minutos, mas o árbitro anula a jogada após marcar impedimento com auxílio do VAR (árbitro de vídeo).

Virada do Flamengo

Mas na etapa final a partida muda de figura. Para o segundo tempo, o técnico português Jorge Jesus tira o meia Diego e coloca o atacante Vitinho, que dá outra dinâmica ao Flamengo.

Com isso, a equipe brasileira começa a criar chances, em especial com o atacante Bruno Henrique. E é do camisa 27 que sai o gol de empate. Aos 20 minutos ele recebe do uruguaio Arrascaeta, avança em velocidade e bate na saída do goleiro Pinos.

Mas, no lance do gol, Bruno Henrique acaba se chocando com o goleiro adversário e pede substituição.

E o segundo gol da equipe carioca sai justamente do substituto do camisa 27. Pedro entra e, aos 40 minutos, marca após cruzamento de Everton Ribeiro.

E quando tudo parecia indicar que o Flamengo conseguiria uma vitória heroica, o Independiente Del Valle consegue empatar com o volante Pellerano aos 45 da etapa final.

Decisão no Maracanã

Agora o título da Recopa Sul-Americana será decidido no jogo de volta, que acontece no Maracanã, no Rio de Janeiro, na próxima quarta (26), a partir das 21h30 (horário de Brasília).

Edição: Fábio Lisboa

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Covid-19: jogador brasileiro relata quarentena rígida na Bolívia

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A Bolívia foi a mais recente nação sul-americana a registrar a primeira morte pelo novo coronavírus (covid-19). Na noite de ontem (29), o ministro da Saúde do país, Aníbal Cruz, comunicou o falecimento de uma mulher de 78 anos que morava em Santa Cruz de la Sierra, a região mais afetada pelo vírus. A cidade boliviana faz fronteira com o município brasileiro de Corumbá (MS). Até este domingo (29) havia 81 casos confirmados da covid-19.

O país vem adotando medidas drásticas para tentar retardar o avanço da pandemia. No último dia 12, o governo declarou emergência nacional, com suspensão de aulas e fechamento das fronteira. A partir de quarta (25), a quarentena ficou ainda mais rigorosa: cada pessoa pode sair de casa apenas uma vez por semana, sob pena de multa e até de prisão.

“A presidente (interina, Jeanine Áñez) determinou que o último número da sua carteira de identidade indica o dia que você pode sair. No meu caso, é sexta-feira”, relata o atacante brasileiro Willie Barbosa, que atua no The Strongest, um dos clubes de futebol mais tradicionais da Bolívia, à Agência Brasil. “Posso ir ao mercado, à farmácia ou ao banco, únicos lugares abertos no país, mas só entre 7h e 12h. Fora isso, tenho que estar em casa”.

A quarentena obrigatória, a princípio, permaneceria até o próximo dia 4, mas o governo boliviano já a estendeu até 15 de abril. “Eu acho que é uma forma legal de evitar o contato com muita gente. Sabemos que (a doença) se espalha por meio desse contato, então temos acatado a determinação”, conta o jogador, que mora sozinho na capital La Paz. A família estava com ele mas retornou ao Brasil antes do fechamento das fronteiras – a volta não foi motivada pela pandemia.

O futebol na Bolívia está parado desde o último dia 15, quando foi disputada a 10ª rodada do campeonato nacional. Sem atuar ou poder treinar em campo, o atacante vem seguindo instruções passadas, à distância, pela comissão técnica do The Strongest. “Tomamos as precações do dia a dia e recebemos uma planilha de trabalhos para fazermos em casa”, resume o atleta de 26 anos, que está no país desde o início do ano.

No último jogo antes da interrupção, Willie marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre o Oriente Petrolero, chegando a quatro gols em oito partidas pelo The Strongest. Antes de ir à Bolívia, o atacante revelado pelo Vitória (BA) defendeu times como Vasco (RJ), América-MG, Atlético-GO, Bragantino (SP) e Ceará (CE), além de jogar nos campeonatos de Romênia, Grécia e Suíça. No ano passado, disputou a Série B do Brasileirão pelo CRB (AL).

“Estamos esperançosos, como todos, para que se encontre logo uma cura (para o novo coronavírus) e a gente possa voltar à vida normal, de trabalho, de luta. Dias melhores virão, isso não vai durar para sempre”, diz o jogador, que, pelas redes sociais, pede apoio de fãs e torcedores às medidas de saúde adotadas na prevenção à pandemia: “Quarentena não é férias. Vamos respeitar os procedimentos dos órgãos de saúde, porque essa batalha também é responsabilidade nossa”.

 

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Coluna – A voz dos protagonistas

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Com a confirmação hoje (30) da Paralimpíada de Tóquio (Japão) no período de 24 de agosto a 5 de setembro do ano que vem, as federações internacionais paralímpicas passam a ter um novo desafio: montar o calendário do próximo ciclo. Afinal, terminados os Jogos na capital japonesa, restarão somente três anos – e não quatro, como é habitual – para a edição de Paris 2020, na França.

“Teremos que criar estratégias para suprir, em três anos, o planejamento da próxima Paralimpíada. Isso altera o calendário de todas as modalidades quanto à classificação funcional (processo que verifica a elegibilidade do atleta no paradesporto e qual sua categoria), torneios regionais e regras a serem discutidas”, explica Ana Carolina Duarte, atleta da seleção brasileira feminina de goalball, único esporte paralímpico que não é adaptado.

Teremos? Sim. Ana Carolina fará parte dessas discussões. Desde o ano passado, ela é a representante dos atletas no subcomitê do goalball na Federação Internacional de Esportes para Deficientes Visuais (IBSA, sigla em inglês), uma das entidades mais importantes do movimento paralímpico. Nesta semana, inclusive, a brasileira (que perdeu a visão aos 11 anos, devido a um tumor no cérebro) deverá participar de uma reunião, por videoconferência, sobre o próximo ciclo.

“É muito gratificante poder representar minha modalidade, dar voz aos atletas. Temos um grupo nas redes sociais pelo qual nos comunicamos. Antes das reuniões, eu passo aos atletas a pauta para eles interagirem, saberem o que será falado, e levar a palavra deles adiante”, conta a jogadora de 33 anos, 20 dedicados ao goalball, e quatro Paralimpíadas na bagagem.

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Ana Carolina Duarte, integrante da seleção brasileira de goalball , ouro nos Jogos Parapanamericanos Lima (Peru) , em 2019 – Douglas Magno / EXEMPLUS / CPB

Segundo a mais recente atualização do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês), divulgada na última sexta-feira (27), 87 competições marcadas entre março e junho deste ano, em diferentes modalidades, foram canceladas ou adiadas pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). Torneios qualificatórios para os Jogos e eventos-teste devem ser a prioridade da agenda pré-Tóquio, enquanto outros campeonatos poderão ser postergados ao ciclo de Paris. Isso além do que já estava agendado para 2021 que, possivelmente, terá que ser repensado.

Mas, se hoje Ana Carolina e os demais integrantes do subcomitê do goalball poderão discutir o planejamento pós-Tóquio com mais “tranquilidade”, o mesmo não se pode dizer de uma semana atrás, quando os Jogos ainda estavam marcados para 25 de agosto deste ano – o adiamento só foi confirmado na última terça (24). Além de alterar a Paralimpíada e cancelar eventos pelo mundo, a pandemia da covid-19 dificultou (até impediu) o treinamento diário de atletas (olímpicos e paralímpicos) pela necessidade de evitar aglomerações, para a própria segurança dos esportistas, familiares e sociedade.

“Fomos pegos de surpresa por essa pandemia. Fiquei bastante chocada, apreensiva, triste por toda essa situação. Os atletas também ficaram preocupados pela data (dos Jogos) não estar definida. O Comitê (Organizador) japonês queria realizar o evento (na data prevista) e isso nos trazia insegurança. A confirmação da nova data traz alívio, uma direção”, afirma, relatando como tem sido o contato com os demais atletas no período.

“Esse tem sido um momento de reflexão, solidariedade, amor. A gente tenta passar mensagens positivas aos atletas. Acredito que, com essa decisão, as manifestações serão no sentido de ficarmos ainda mais seguros, e que haverá um planejamento melhor para nós, atletas”, completa.

Faltam 512 dias para a Paralimpíada de Tóquio 2020 no ano que vem. Parece muito tempo, mas, Ana Carolina sabe que o impacto do longo período sem treinamentos práticos será um dos desafios a serem superados pelos atletas, ainda mais quando não há precisão de quando a pandemia estará controlada. “A gente tenta suprir com treinos físicos, mas, não é a mesma coisa. Perde-se muito na questão física, fisiológica, hormonal e até psicológica. No esporte coletivo, como é o nosso, não tem como treinar em casa e ir para a quadra com o mesmo condicionamento, leitura de jogo”, explica.

Mesmo assim, a brasileira destaca o papel dos atletas no cenário global da pandemia. “A gente (ela e o companheiro Altemir Trapp, analista de desempenho da seleção de goalball) está na quarentena, obedecendo as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e dos médicos infectologistas. Nunca imaginei passar por essa situação, mas é algo que a gente tem de superar. Estamos na vida para vencer obstáculos. Tudo passa, e isso vai passar. Hoje, pensamos em salvar vidas. Ano que vem, buscar uma conquista na Paralimpíada, superando o que estamos vivendo, será muito mais prazeroso”, conclui.

Nota triste

O paradesporto brasileiro foi pego de surpresa com a morte da mesatenista Eliane Corrêa, de 48 anos, no sábado (28) – o anúncio do falecimento veio na noite de ontem (29). Atleta da classe 4 (cadeirantes) e professora, Eliane teve falta de ar e foi levada ao Hospital do Servidor Público de São Paulo, mas não resistiu. Ela estava no mesmo andar de pacientes com suspeita de covid-19, mas o resultado do teste – que tem levado cerca de 10 dias para sair – ainda não foi divulgado.

Nome constante em competições nacionais da modalidade, nas quais representava a equipe da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD-SP), e apaixonada por samba (chegou a desfilar pela Rosas de Ouro no carnaval de São Paulo), ela foi homenageada, nas redes sociais, por amigos e atletas, como Jane Karla Gögel (tiro com arco e ex-mesatenista) e Joyce Oliveira, da seleção brasileira e que compete na mesma classe de Eliane.

“Hoje, o céu está em festa por receber essa pessoa, tão batalhadora, uma pessoa que, mesmo com as dificuldades, sempre ia atrás dos seus sonhos e dos seus objetivos. Você era um espelho pra mim, para nunca desistir do que queria, pois tudo era possível”, escreveu Joyce. Já a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) manifestou pesar à família por meio de nota oficial publicada no site da entidade.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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