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Coluna – O fake news da Fifa

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O Código Disciplinar da Fifa, que por 15 anos se manteve praticamente igual, ganhou uma nova versão em julho do ano passado, quando a entidade decidiu investir pesado na luta contra o racismo no futebol. Entre as medidas anunciadas estava a que permite ao árbitro não só interromper uma partida, como também determinar a derrota da equipe responsável por manifestações racistas.

E o que aconteceu desde então? Uma punição ou outra a clubes e seleções, nada muito incisivo. Ao contrário, o brasileiro Taison, que reagiu aos insultos na Ucrânia, foi expulso pelo árbitro; o zagueiro Kalidou Koulibaly, francês naturalizado senegalês, também foi expulso num jogo do Campeonato Italiano; e o malinês Marega, do Porto, recebeu cartão amarelo por reagir aos gritos que vinham da torcida do Vitória de Guimarães.

Três exemplos para mostrar que estamos apenas no discurso de que “isso tem de mudar”. Têm-se de cobrar melhor postura do árbitro em campo, resguardado que é pelas normas da Fifa. Ou será que ele não está protegido para agir assim? Punição às torcidas, pois mesmo sendo manifestações de minorias, precisam pagar o preço de ficar fora dos estádios, para que elas próprias indiquem os infratores. E até mesmo o clube, de forma pecuniária, para que invista em campanhas educativas junto a seus torcedores.

Não sou favorável à punição esportiva, vinda de um tribunal. Que culpa têm os jogadores, na maioria das vezes solidários aos companheiros de profissão ofendidos, para serem prejudicados com a perda de pontos que conquistaram em campo? Mas isso é outra discussão.

A Fifa impõe regras e muda leis em países que organizam Copas do Mundo. Muda o calendário de todos os campeonatos mundo afora, para satisfazer sua vontade própria de organizar uma Copa no Qatar. É tão grande que tem mais filiados que a ONU. De que adianta tanto poder, se na hora de utilizar aquele que realmente importa ela não se manifesta como deve?

Edição: Verônica Dalcanal

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Esportes

Coluna – A voz dos protagonistas

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Com a confirmação hoje (30) da Paralimpíada de Tóquio (Japão) no período de 24 de agosto a 5 de setembro do ano que vem, as federações internacionais paralímpicas passam a ter um novo desafio: montar o calendário do próximo ciclo. Afinal, terminados os Jogos na capital japonesa, restarão somente três anos – e não quatro, como é habitual – para a edição de Paris 2020, na França.

“Teremos que criar estratégias para suprir, em três anos, o planejamento da próxima Paralimpíada. Isso altera o calendário de todas as modalidades quanto à classificação funcional (processo que verifica a elegibilidade do atleta no paradesporto e qual sua categoria), torneios regionais e regras a serem discutidas”, explica Ana Carolina Duarte, atleta da seleção brasileira feminina de goalball, único esporte paralímpico que não é adaptado.

Teremos? Sim. Ana Carolina fará parte dessas discussões. Desde o ano passado, ela é a representante dos atletas no subcomitê do goalball na Federação Internacional de Esportes para Deficientes Visuais (IBSA, sigla em inglês), uma das entidades mais importantes do movimento paralímpico. Nesta semana, inclusive, a brasileira (que perdeu a visão aos 11 anos, devido a um tumor no cérebro) deverá participar de uma reunião, por videoconferência, sobre o próximo ciclo.

“É muito gratificante poder representar minha modalidade, dar voz aos atletas. Temos um grupo nas redes sociais pelo qual nos comunicamos. Antes das reuniões, eu passo aos atletas a pauta para eles interagirem, saberem o que será falado, e levar a palavra deles adiante”, conta a jogadora de 33 anos, 20 dedicados ao goalball, e quatro Paralimpíadas na bagagem.

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Ana Carolina Duarte, integrante da seleção brasileira de goalball , ouro nos Jogos Parapanamericanos Lima (Peru) , em 2019 – Douglas Magno / EXEMPLUS / CPB

Segundo a mais recente atualização do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês), divulgada na última sexta-feira (27), 87 competições marcadas entre março e junho deste ano, em diferentes modalidades, foram canceladas ou adiadas pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). Torneios qualificatórios para os Jogos e eventos-teste devem ser a prioridade da agenda pré-Tóquio, enquanto outros campeonatos poderão ser postergados ao ciclo de Paris. Isso além do que já estava agendado para 2021 que, possivelmente, terá que ser repensado.

Mas, se hoje Ana Carolina e os demais integrantes do subcomitê do goalball poderão discutir o planejamento pós-Tóquio com mais “tranquilidade”, o mesmo não se pode dizer de uma semana atrás, quando os Jogos ainda estavam marcados para 25 de agosto deste ano – o adiamento só foi confirmado na última terça (24). Além de alterar a Paralimpíada e cancelar eventos pelo mundo, a pandemia da covid-19 dificultou (até impediu) o treinamento diário de atletas (olímpicos e paralímpicos) pela necessidade de evitar aglomerações, para a própria segurança dos esportistas, familiares e sociedade.

“Fomos pegos de surpresa por essa pandemia. Fiquei bastante chocada, apreensiva, triste por toda essa situação. Os atletas também ficaram preocupados pela data (dos Jogos) não estar definida. O Comitê (Organizador) japonês queria realizar o evento (na data prevista) e isso nos trazia insegurança. A confirmação da nova data traz alívio, uma direção”, afirma, relatando como tem sido o contato com os demais atletas no período.

“Esse tem sido um momento de reflexão, solidariedade, amor. A gente tenta passar mensagens positivas aos atletas. Acredito que, com essa decisão, as manifestações serão no sentido de ficarmos ainda mais seguros, e que haverá um planejamento melhor para nós, atletas”, completa.

Faltam 512 dias para a Paralimpíada de Tóquio 2020 no ano que vem. Parece muito tempo, mas, Ana Carolina sabe que o impacto do longo período sem treinamentos práticos será um dos desafios a serem superados pelos atletas, ainda mais quando não há precisão de quando a pandemia estará controlada. “A gente tenta suprir com treinos físicos, mas, não é a mesma coisa. Perde-se muito na questão física, fisiológica, hormonal e até psicológica. No esporte coletivo, como é o nosso, não tem como treinar em casa e ir para a quadra com o mesmo condicionamento, leitura de jogo”, explica.

Mesmo assim, a brasileira destaca o papel dos atletas no cenário global da pandemia. “A gente (ela e o companheiro Altemir Trapp, analista de desempenho da seleção de goalball) está na quarentena, obedecendo as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e dos médicos infectologistas. Nunca imaginei passar por essa situação, mas é algo que a gente tem de superar. Estamos na vida para vencer obstáculos. Tudo passa, e isso vai passar. Hoje, pensamos em salvar vidas. Ano que vem, buscar uma conquista na Paralimpíada, superando o que estamos vivendo, será muito mais prazeroso”, conclui.

Nota triste

O paradesporto brasileiro foi pego de surpresa com a morte da mesatenista Eliane Corrêa, de 48 anos, no sábado (28) – o anúncio do falecimento veio na noite de ontem (29). Atleta da classe 4 (cadeirantes) e professora, Eliane teve falta de ar e foi levada ao Hospital do Servidor Público de São Paulo, mas não resistiu. Ela estava no mesmo andar de pacientes com suspeita de covid-19, mas o resultado do teste – que tem levado cerca de 10 dias para sair – ainda não foi divulgado.

Nome constante em competições nacionais da modalidade, nas quais representava a equipe da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD-SP), e apaixonada por samba (chegou a desfilar pela Rosas de Ouro no carnaval de São Paulo), ela foi homenageada, nas redes sociais, por amigos e atletas, como Jane Karla Gögel (tiro com arco e ex-mesatenista) e Joyce Oliveira, da seleção brasileira e que compete na mesma classe de Eliane.

“Hoje, o céu está em festa por receber essa pessoa, tão batalhadora, uma pessoa que, mesmo com as dificuldades, sempre ia atrás dos seus sonhos e dos seus objetivos. Você era um espelho pra mim, para nunca desistir do que queria, pois tudo era possível”, escreveu Joyce. Já a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) manifestou pesar à família por meio de nota oficial publicada no site da entidade.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Esportes

Coletivo de torcedores do Bahia cria campanha para ajudar ambulantes

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“Fiado Invertido: compro e não nego, pego quando puder”. Esta é o lema da campanha para ajudar vendedores ambulantes no período de suspensão do futebol, em tempos de pandemia do novo coronavírus (covid-19). A iniciativa partiu da Frente Esquadrão Popular, um coletivo de torcedores, conselheiros e sócios do Bahia. A iniciativa tem o apoio do clube e, além de beneficiar os camelôs que atuam no entorno da Arena Fonte Nova, também deve ajudar os trabalhadores informais que comercializavam produtos nas imediações dos estádios de Pituaçu e Barradão. O coletivo publicou ainda um vídeo explicativo no Youtube mostrando, passo a passo, como fazer a contribuição financeira.     

O objetivo é que os torcedores comprem agora as mercadorias e as recebam depois do fim do perído de distanciamento social, ou seja, após o retorno dos jogos. As contribuições são realizadas online, pela internet, diretamente nas contas dos ambulantes. Existe a possibilidade ainda das pessoas simplesmente doarem determinado valor como ajuda a quem não vai poder trabalhar nas próximas semanas, em decorrência do risco de contaminação pela covid-19.

Os organizadores chamaram os ambulantes mais conhecidos do público para estrelarem a campanha e esperam que a proposta possa se multiplicar em outras torcidas e equipes.  Afinal, trata-se de uma questão de sobrevivência. Segundo o último levantamento do IBGE, quase 55% dos trabalhadores baianos vivem na informalidade.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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