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CITROS/PERSPEC 2020: Baixa produção em 2020/21 pode manter preços firmes

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Cepea, 15/01/2020 – As expectativas iniciais de agentes consultados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, são de baixa produção de laranjas na safra 2020/21 de São Paulo e do Triângulo Mineiro. Ainda que a menor produtividade limite a receita de produtores, a colheita reduzida tende a manter firmes os preços pagos pela fruta na indústria, mesmo em um cenário de recuperação dos estoques de passagem, em junho de 2020.

 

De forma geral, as floradas principais, ocorridas em agosto, foram consideradas positivas pela maioria dos produtores consultados pelo Cepea. No entanto, o clima quente e seco de setembro a outubro debilitou e atrasou o desenvolvimento das plantas – justamente no período de fixação dos frutos. Além disso, novas aberturas (mesmo que pontuais e inferiores às floradas principais) ocorreram no início de dezembro, favorecidas pelas chuvas de novembro.

 

Assim, o desenvolvimento está bastante irregular no cinturão citrícola, mesmo dentro de uma mesma região. Pesquisadores do Cepea destacam, contudo, que o período de “pegamento” se estende até meados de janeiro, o que dificulta a mensuração de resultados para a próxima temporada. Além disso, o cenário ainda segue incerto e dependente das novas floradas que estão se abrindo, do percentual de fixação dos chumbinhos e do desenvolvimento dos frutos.

 

ESTOQUES – A maior produção de laranja na atual temporada (2019/20) permitiu elevado volume de processamento nas indústrias paulistas. Neste cenário, para junho de 2020, a perspectiva é de que os estoques de suco se recuperem, podendo superar as 400 mil toneladas, em equivalente concentrado, segundo estimativas do Cepea – acima do patamar estratégico. Este cenário, isolado, poderia ter um efeito baixista sobre as cotações da fruta nas processadoras para a próxima safra, mas, devido à previsão de baixa produção em 2020/21 em São Paulo e no Triângulo Mineiro, os preços podem se manter em patamares firmes.

 

Assim, para 2020/21, o cenário de cotações será bastante influenciado pela produção da temporada. Inicialmente, agentes consultados pelo Cepea apostam em colheita inferior a 300 milhões de caixas. Se confirmado, esse cenário pode equilibrar o preço da fruta em 2020, visto que manteria firme a demanda industrial, não havendo grande pressão sobre as cotações para o mercado de mesa.

 

CONTRATOS E SPOTAo contrário do observado nas duas últimas safras, as grandes processadoras paulistas ainda não iniciaram as contratações de frutas para a próxima temporada (nas duas últimas, as negociações ocorreram entre outubro e novembro). Contudo, vale lembrar que os valores pagos pela laranja de 2019/20, no segmento spot, se elevaram em dezembro/19 – fato que pode estar atrelado às perspectivas de menor produção em 2020/21 e de oferta irregular, tendo em vista que o desenvolvimento das floradas está bastante heterogêneo entre os pomares. Esse cenário, por sua vez, poderia resultar em preços mais altos no spot em 2020 e em frutas com baixo rendimento industrial (devido às múltiplas floradas). Assim, seria mais vantajoso às processadoras adquirir a fruta da atual temporada (2019/20), em decorrência da maior qualidade da matéria-prima para moagem frente à estimada para a safra seguinte e de possíveis menores preços que em 2020/21.

 

INVESTIMENTOS – Quanto aos investimentos na laranja para 2020/21, ainda devem ser focados na renovação de pomares, com poucos novos plantios, sendo compensados por algumas saídas. Por outro lado, incrementos mais expressivos podem ser feitos para outros cítricos de mesa, como tangerinas, tangor murcote e lima ácida tahiti.

 

TAHITI – Após registrar elevados preços em 2019, as perspectivas para os primeiros meses de 2020 indicam que os volumes de lima ácida tahiti devem ser elevados em São Paulo, devido ao pico de safra. Contudo, a colheita antecipada de tahiti miúda, em novembro/19, pode limitar o volume ofertado e evitar quedas expressivas nas cotações.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações podem ser obtidas por meio da Comunicação do Cepea: (19) 3429 8836 / 8837 e [email protected]

Fonte: CEPEA
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MACRO/CEPEA: Cepea passa a divulgar análises dos efeitos inflacionários dos preços agropecuários

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Cepea, 16/01/2020 – O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, passa a divulgar análises sistemáticas e consistentes com foco nos efeitos inflacionários dos preços agropecuários. 
 
Pesquisadores do Cepea apontam que, muitas vezes, analistas, formuladores de política e também a sociedade em geral, no intuito de tentar explicar os movimentos da inflação brasileira, buscam entre os alimentos um ou mais vilões da vez. No entanto, o que acarreta esses aumentos de preços não é o produtor – que não tem poder para isso – mas, sim, o clima, as pragas e doenças, o desemprego e o crescimento econômico ou os movimentos do dólar e das commodities no mercado internacional, ou seja, fatores que estão todos fora do controle do produtor. 
 
De acordo com os pesquisadores da área de macroeconomia, responsáveis pelos estudos, as mudanças na inflação podem ser de duas naturezas, esperadas ou não esperadas. As mudanças não esperadas decorrem de surpresas ou “inovações” nela própria e nos seus determinantes. Como a inflação esperada já terá sido utilizada no processo de decisão dos agentes econômicos, a relevância sobre os movimentos da inflação recai sobre a categoria dos imprevistos – foco desta análise.
 
Neste primeiro estudo, pesquisadores do Cepea buscaram responder as seguintes questões: 
• O que surpreendeu, ou que inovação ocorreu, no comportamento do IPCA a partir do que se sabia no último trimestre de 2017?  
• Como agronegócio contribuiu para que a inflação ficasse acima ou abaixo do esperado? 
 
Em 2018, as taxas do IPCA observadas foram menores do que as que eram esperadas no quarto trimestre de 2017. No acumulado do ano todo (de janeiro a dezembro de 2018), o IPCA aumentou 3,002%, ao passo que, no cenário do encerramento de 2017, esperava-se elevação de 4,208%.
 
Sem a participação do agronegócio, o IPCA observado entre o primeiro e o quarto trimestre teria sido 1,839%. Logo, o agronegócio fez aumentar a taxa de inflação em 1,163 p.p. em 2018, por meio de IPPA-Grãos/Cepea, IPPA-Pecuária/Cepea e IPPA-Hortifrutícolas/Cepea. 
 
Segundo pesquisadores do Cepea, 2018 foi um ano de oferta relativamente apertada para o setor. O PIB-Volume da agropecuária (dentro da porteira) cresceu apenas 0,43%, depois de avançar 14% em 2017. Para o agronegócio como um todo, as taxas do PIB-Volume foram 1,42% em 2018 e 6,42% em 2017.
 
Em 2019, por sua vez, as taxas acumuladas do IPCA até o terceiro trimestre vieram pouco menores que as correspondentes de 2018, seja em termos antecipados, seja em termos observados. As quedas não antecipadas nos preços de grãos (IPPA-Grãos/Cepea) e hortaliças (IPPA-Hortifrutícolas/Cepea), assim como do diesel, favoreceram os resultados de 2019 em termos de inflação menor. Já os preços da pecuária atuaram em sentido contrário. No terceiro trimestre de 2019, em especial, o agronegócio – em razão da forte alta dos produtos da pecuária – contribuiu para aumento de 0,26 p.p. na inflação observada.
 
MATERIAIS E MÉTODOS – Pesquisadores do Cepea destacam que a base teórica para as análises são os modelos keynesianos novos para a Curva de Phillips, relacionando inflação com seus determinantes. Para avaliar os fatores que geraram variações não antecipadas no IPCA utiliza-se o Modelo de Autorregressão Vetorial Estrutural (VAR-E). Especificamente, para mostrar como o choque em cada variável impactou as demais em termos do que se esperava sobre seu comportamento a partir de certo momento, foi utilizado o método de Decomposição Histórica. No caso, foca-se em como os diferentes choques contribuíram para que o IPCA observado em 2018 e até o terceiro trimestre de 2019 diferisse do esperado a partir das informações disponíveis até o quarto trimestre de 2017. São utilizadas diversas informações, obtidas no Cepea, no IBGE, no Banco Central e na ANP. 
 
PRÓXIMAS ANÁLISES – O Cepea apresentará, a partir de agora, análises e medidas mais adequadas sobre os impactos do agronegócio sobre a inflação, disponibilizando, ao lado das variações observadas do IPCA, quais eram as mudanças já esperadas e quais aquelas não esperadas, e dando ênfase ao papel do agronegócio na inflação não antecipada.
 
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o IPPA/Cepea aqui e por meio da Comunicação Cepea, com o prof. Geraldo Barros e a pesquisadora Nicole Rennó (19) 3429-8836 / 8837 e [email protected]
Fonte: CEPEA
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MANDIOCA/PERSPEC 2020: Menor produtividade deve limitar oferta em 2020

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Cepea, 16/01/2020 – Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o período de estiagem no segundo semestre de 2019, que atrasou o plantio de raiz de mandioca em parte das regiões do Centro-Sul, poderá resultar em menor produtividade em 2020. Esse cenário deve reduzir a oferta de mandioca para as indústrias de fécula e de farinha ao longo do ano.

 

Para o primeiro semestre de 2020, especificamente, estimativas do Cepea indicam que a disponibilidade de mandioca de dois ciclos deve ser baixa, caso não se avance com a colheita de raízes mais novas, o que vai depender dos preços. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área ocupada com mandioca em 2018 totalizou 1,22 milhão de hectares, queda de 4,4% frente ao ano anterior, cenário que também reforça a possível menor oferta no correr de 2020.

 

Já a demanda pela matéria-prima, por sua vez, poderá crescer neste ano, impulsionada principalmente por fecularias. Mesmo com o acréscimo na área cultivada por algumas empresas, a comercialização deve continuar dependente do spot, cenário que pode impulsionar as cotações.

 

Quanto aos custos de produção, agricultores acreditam em aumento em 2020, fundamentados nas altas nos valores de arrendamentos, aos maiores gastos com combustíveis e ao encarecimento de insumos importados, como fertilizantes e defensivos.

 

FÉCULA – O volume de fécula produzido terá que crescer neste ano para conseguir atender ao possível aquecimento na demanda – em 2019, vale lembrar, a produção caiu em relação ao ano anterior, segundo dados do Cepea. Não há expectativa de novos entrantes no mercado em 2020, e as ampliações das plantas industriais, fusões ou aquisições não devem avançar expressivamente, o que manteria ou até reduziria a oferta do derivado no mercado.

 

Do lado da demanda, de acordo com o Boletim Focus, do Banco Central do Brasil, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) avance 2,25% em 2020 e que o crescimento industrial fique em 2%. Diante disso, agentes acreditam em retomada das vendas de fécula para os segmentos industriais, com destaque para os de papel e papelão, indústria química e embalagens. No entanto, este possível cenário também dependerá do tamanho da oferta de amido de milho no mercado.

 

Sem gerar excedentes exportáveis, a produção brasileira deve continuar voltada à demanda doméstica. No entanto, a expectativa do Banco Central é de dólar acima de R$ 4,00 em 2020, o que pode estimular alguns agentes a exportar, especialmente a países da América do Sul. O dólar elevado, por outro lado, deve continuar inviabilizando as importações, especialmente da Tailândia.

 

FARINHA – Agentes de indústrias de farinha do Centro-Sul têm expectativa de que a demanda cresça em 2020, em função do possível avanço do consumo no varejo. Entretanto, o setor projeta que a oferta do derivado não registre aumento expressivo, tendo em vista uma maior disputa por matéria-prima com as fecularias. Assim, as margens das farinheiras, que já foram baixas nos últimos anos, devem seguir limitadas em 2020.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações podem ser obtidas por meio da Comunicação do Cepea: (19) 3429 8836 / 8837 e [email protected]

Fonte: CEPEA
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