conecte-se conosco


Esportes

Coluna – Bolinha (quase) dourada

Avatar

Publicado

Uma das modalidades que mais avançou no Brasil durante o ciclo dos Jogos de Tóquio é o tênis de mesa. No segmento olímpico, importante fazer o destaque, são cinco atletas entre os cem melhores do mundo no masculino (sendo um deles, Hugo Calderano, no top 10) e uma jogadora (Bruna Takahashi) no top 50 do ranking feminino. Em janeiro de 2016, eram só dois brasileiros (Calderano e Gustavo Tsuboi) no grupo dos 100 principais mesatenistas do planeta.

Vamos nos ater ao paralímpico, onde a evolução também foi significativa. Antes, dois rápidos destaques. No tênis de mesa adaptado, são 10 classes físico-motoras, sendo de 1 a 5 voltadas para cadeirantes e de 6 a 10 para andantes (que podem ter deficiência na locomoção, mas sem necessitar da cadeira de rodas para jogar). E vale a lembrança, no paradesporto, quanto maior o número da classe, menor o grau de comprometimento.

12/09/2016 - Brasil, RJ, Rio de Janeiro, Riocentro - Jogos Paralimpicos Rio 2016 - Tênis de Mesa - Classe 7 – Final – Israel Pereira Stroh – Medalha de Prata. ©Alexandre Urch/MPIX/CPB

Israel Stroh em ação nos Jogos Paralimpicos Rio 2016 – Alexandre Urch/MPIX/CPB

Comecemos pela perspectiva com a qual o ciclo de Tóquio iniciou. Antes da edição dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil tinha uma medalha na modalidade no evento: a prata de Luiz Algacir da Silva e Welder Knaf na disputa por equipes da classe 3 masculina em Pequim 2008. Apenas em 2016 vieram quatro pódios, a prata na classe 7 masculina, com Israel Stroh, e três bronzes, com Bruna Alexandre (classe 10 feminina), com a equipe masculina da classe 1-2 (formada por Iranildo Espíndola, Guilherme Costa e Aloísio Lima) e com a feminina das classes 9 e 10 (composta por Bruna Alexandre, Jennyfer Parinos e Danielle Rauen).

De lá para cá os brasileiros conquistaram outros resultados significativos. No ano seguinte aos Jogos o trio Bruna, Jennyfer e Danielle fez história mais uma vez ao ser campeão do Mundial por equipes, na Eslováquia. Em 2018, na Eslovênia, Cátia Oliveira levou a prata no Mundial individual na classe 2 (a primeira medalha da história do país no torneio). Feito dedicado ao pai, que faleceu no dia da final. Ao longo do ciclo, a paulista venceu três vezes a chinesa Liu Jing, dona de seis ouros paralímpicos (três individuais e três por equipes), e recentemente deu o troco na sul-coreana Su-Yeon Seo, seu algoz no Mundial.

  Comitê Paralímpico Brasileiro  TreinoTenisMesa__31    Paulo Salmin

Treino do campeão parapan-americano Paulo Salmin – Ale Cabral /CPB

A consequência é que hoje há oito brasileiros no top 10 de suas classes (dois a mais que em janeiro de 2016). Se Aloísio Lima caiu de 10º para 17º na classe 1 masculina, três mesatenistas passaram a figurar nesse grupo seleto em suas categorias. Casos de Jennyfer Parinos, 10ª da classe 9 feminina (era 11ª em 2016), do campeão parapan-americano Paulo Salmin, 10º da classe 7 masculina (era 15º) e de Israel Stroh, que pulou de 12º para 5º, também na classe 7, tendo superado o espanhol Jordi Morales, campeão mundial nessa categoria. Figuram ainda entre os 10 melhores Welder Knaf (7º na classe 3), Cátia Oliveira (4ª na classe 2), Joyce Oliveira (9ª na classe 4), Danielle Rauen (8ª na classe 9) e Bruna Alexandre (4ª na classe 10).

Em relação à Bruna deve ser aberto um parêntese, ela também compete entre esportistas sem deficiência. Em 2019 chegou às quartas de final da chave individual dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, perdendo somente para a chinesa naturalizada norte-americana Lily Zhang, que viria a ser campeã. A catarinense está na briga para, quem sabe, ser a primeira brasileira a competir tanto na Olimpíada como na Paralimpíada, repetindo o que fez a polonesa Natalia Partyka, líder do ranking mundial da classe 10 feminina e que competiu nos dois eventos em 2008 e 2012.

Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2016. - JOGOS PARALÍMPICOS RIO 2016 -  Tênis de Mesa -  Brasil x Austrália, disputa de bronze por equipe no Pavilhão 3 do RioCentro. Medalha de Bronze para o Brasil. Bruna Alexandre -

Bruna Alexandre (centro) também compete entre atletas sem deficiência – Fernando Maia/Comitê Paralímpico Brasileiro/Direitos Reservados

Uma das novidades no caminho para Tóquio, na comparação com o ciclo do Rio, é que, agora, a seleção treina junta em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico. Antes, o time de cadeirantes se reunia em Brasília e o de andantes se concentrava em Piracicaba, no interior paulista. O acesso à estrutura do CT e o número mais reduzido de atletas com os quais a seleção trabalha diretamente são entendidos como uma parte da explicação para os resultados. A outra, claro, é o empenho dos próprios atletas, que chegam mais maduros (a maioria a caminho, pelo menos, da segunda Paralimpíada), acostumados a decisões e a encarar, e vencer, os principais rivais.

Edição: Fábio Lisboa
Comentários Facebook

Esportes

Presidente do Barcelona esfria negociações por Neymar

Avatar

Publicado


.

Ao que tudo indica, não haverá novela Neymar no fim desta temporada. Em entrevista concedida nesta segunda (13) ao programa Onze, da TV3, da Catalunha, o presidente do Barcelona, Josep Maria Bartolomeu, esfriou os ânimos de quem esperava uma possível transferência do craque brasileiro para o clube.

Perguntado sobre as negociações com o atacante, Josep Bartolomeu afirmou que não acredita que o Paris Saint Germain vá negociar qualquer jogador nesta temporada e que Neymar deve continuar na França. Um dos motivos seria a crise econômica que os clubes enfrentam com a pandemia do novo coronavírus.

O próprio Barcelona tem dificuldades para negociações. Josep Maria Bartolomeu confirmou que o clube fez proposta para ter o argentino Lautaro Martínez, mas admitiu que as conversas com a Inter de Milão, por enquanto, estão paradas.

“Conversamos sobre Lautaro com a Inter há algumas semanas, mas agora o assunto está parado. Agora não estamos falando sobre isso. Temos que terminar o Campeonato Espanhol e a Liga dos Campeões e ver quais são as prioridades. É também um momento de reflexão interna para esclarecer como a crise está afetando o clube. É um mercado em que você não consegue pensar em grandes investimentos. Precisamos ver quando as pessoas podem retornar aos campos, os turistas ao museu. Temos que esperar e ver como tudo evolui”, revelou à TV3.

De acordo com o site internacional da ESPN, a transferência do argentino para o Barça depende da venda de Philippe Coutinho. Emprestado até o fim da temporada para o Bayern de Munique, o brasileiro é visto como o atleta de maior potencial de retorno financeiro à equipe catalã. Contratação mais cara da história do clube, Coutinho custou 160 milhões de euros aos cofres do Barcelona, cerca de R$ 966 milhões de reais na cotação atual. Com a pandemia do novo coronavírus e o futebol abaixo do esperado do jogador, o clube tem dificuldade de recuperar o valor gasto em 2018.

Edição: Fábio Lisboa

Comentários Facebook
Continue lendo

Esportes

Coluna – Bonança após a tempestade

Avatar

Publicado


.

A segunda-feira (13) marca o retorno de parte dos atletas da seleção brasileira paralímpica de tênis de mesa às atividades no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Por enquanto, só o quarteto Israel Stroh, Jennyfer Parinos, Bruna Alexandre e Danielle Rauen – todos andantes (não dependem de cadeira de rodas para locomoção) e medalhistas nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro – treinará no local, entre os esportistas da modalidade. Israel e Jennyfer reiniciaram os trabalhos na parte da manhã. Bruna e Danielle o farão no desenrolar da semana.

Liberado para ser reaberto em 1º de julho após 111 dias fechado devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), o CT foi adaptado para atender aos protocolos de saúde do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), com a instalação de um túnel de ozônio para desinfetar roupas e utensílios, e bloqueios orientando o caminho até os espaços de treino. Nesse primeiro momento, somente atletas medalhistas paralímpicos e nos Mundiais do ano passado, nas modalidades atletismo, natação e tênis de mesa, foram autorizados a voltar. Ou seja, cerca de um terço dos frequentadores habituais.

Todos são submetidos à verificação de temperatura ao chegarem ao CT, ainda dentro do carro. Seguindo o protocolo do CPB, caso o atleta apresente mais de 37,5 graus, não tem a entrada liberada. A utilização de máscaras é obrigatória, exceto, evidentemente, durante as atividades físicas.

A reabertura foi permitida pela prefeitura de São Paulo e o governo paulista pela capital estar na fase amarela do chamado Plano São Paulo. Trata-se do projeto de flexibilização de atividades no estado durante a quarentena, decretada em 22 de março. O plano é dividido em cinco etapas, e a amarela é a terceira. Quanto mais avançada a fase, maior é a liberação de atividades, por se entender que há um controle maior da disseminação do novo coronavírus nessas regiões.

7.07.20 - Volta aos treinos de Natação no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro  depois de quarentena de 100 dias por causa do Coronavírus. Foto: Ale Cabral/CPB. 7.07.20 - Volta aos treinos de Natação no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro  depois de quarentena de 100 dias por causa do Coronavírus. Foto: Ale Cabral/CPB.

CT Paralímpico reabre seguindo protocolo rígido de segurança – Ale Cabral/CPB/Direitos Reservados

Em comunicado, o Comitê justificou o momento de reabertura com base em trabalhos científicos e a “experiência prática do treinamento esportivo”. Tendo em vista a realização dos Jogos Paralímpicos de Tóquio (Japão) em agosto do ano que vem, o entendimento é que os atletas precisariam de 12 a 15 meses de treino para alcançar os melhores resultados, isso em “condições normais”, o que já não é exatamente a realidade do momento. Ou seja: para atingir o melhor possível nos Jogos, este seria o momento para volta às atividades presenciais, com todo cuidado necessário.

Além do aspecto físico e técnico, há outro impacto relevante do retorno aos treinos. A volta ao CT, ou pelo menos a perspectiva disso para quem ainda não foi liberado, mexe positivamente com a cabeça dos atletas, após quase quatro meses de incerteza. Vale lembrar que, se por um lado os Jogos de Tóquio estão com data definida, eventos internacionais fundamentais para a conquista da vaga paralímpica ainda não foram remarcados. Manter o equilíbrio durante tanto tempo sem a rotina, em um momento tão decisivo do ciclo e diante de um cenário extraordinário, não foi fácil.

“A primeira coisa foi entendermos o que é uma pandemia e quais os efeitos colaterais. O que esse atleta vai sentir? Ansiedade, medo, frustração, inclusive felicidade para alguns, foram sentimentos presentes”, disse a psicóloga do CPB, Bruna Bardella, em live realizada pela entidade na última quarta-feira (8). “Em uma competição, temos uma expectativa do que vai acontecer com o atleta, de positivo ou negativo, mas, quando se vive um momento único, sem nada igual, é difícil saber como atuar. A partir dessa experiência ouvindo os atletas, acompanhando, ouvindo a equipe técnica, o que cada um tinha para trazer. É como se nos trouxessem várias fotos para criarmos um álbum e atuarmos da melhor forma”, completou.

Para ter a dimensão do que foram os quase quatro meses longe do CT e o impacto do retorno, a Agência Brasil ouviu o depoimento de Phelipe Rodrigues. O nadador, um dos primeiros a voltar aos treinos no equipamento paralímpico, na última semana, relatou as dificuldades do período longe da piscina, a decisão de se isolar no interior paulista e a retomada da rotina de alto rendimento, adaptada, é claro, às restrições do novo normal.

Agonia na quarentena

Segundo Phelipe, o começo da quarentena não foi dos mais complicados, já que o momento coincidia com a realização de um torneio internacional no próprio CT, que seria seguido de um período de folga (a competição, que valia índices para Tóquio, foi cancelada devido à pandemia). “Nas três primeiras semanas, me sentia como se estivesse em férias antecipadas, digamos assim. Porém, não fiquei 100% parado. Estava fazendo exercícios em casa, muito abdominal e muito aeróbico, que era o que dava para fazer com o que tinha”, declarou.

“A ficha caiu”, conforme o nadador, com o anúncio de que os Jogos seriam transferidos para 2021. “Tudo começou meio que a desandar. Lembro que, na primeira semana [após o adiamento], a motivação estava meio que caindo. Na quinta para a sexta semana [de quarentena], já não estava com vontade de seguir a dieta. Porque é difícil. O atleta de alto rendimento está acostumado com uma carga de treino muito alta, então, do nada, você ter essa carga inteira e nada [de competição] para fazer por muito tempo, acaba sendo deprimente”, afirmou o medalhista, que disse ter sofrido com insônia durante o período. “Costumava dormir, no máximo, meia-noite. Durante a quarentena, eu ia dormir 4h, 5h. Às vezes, dormia às 6h”, contou.

O pernambucano, que complete na classe S10 (entre as categorias para deficiências físico-motoras, é a de menor grau de comprometimento), persegue a primeira medalha de ouro paralímpica. Em três participações, nos Jogos de Pequim (China), Londres (Reino Unido) e Rio de Janeiro, foram cinco pratas e dois bronzes. Realizar o sonho dourado em Tóquio foi o mantra que manteve Phelipe esperançoso. “Meu psicólogo sempre aconselhava a fazer o que podia no dia, não forçar. No fim de todas as conversas, sempre lembrávamos qual era a minha motivação: ser campeão paralímpico. Sempre ficava como se fosse aquela luz no fim do túnel”, recordou.

A busca por alternativas que o colocassem em contato com o meio líquido outra vez levou o nadador, “por conta própria”, a se isolar em Assis, no interior paulista. “Foi a melhor decisão que tomei. Não foi indicação de ninguém ou por obrigatoriedade. Sabia que precisava dessa mudança, de qualquer forma, a voltar a minha rotina”, disse Phelipe. “A estrutura que tinha lá era uma piscina de 25 metros que era só para nós. A própria academia também era só para nós. Então, tínhamos completa segurança para fazer os treinos e o descanso”, completou o atleta, que esteve com a também nadadora Carol Santiago, da classe S12 (atletas com baixa visão).

Retorno às atividades

Mas, não há lugar como o lar. No último dia 7 de julho, o medalhista pôde voltar à piscina do CT Paralímpico. Além dele, retornaram Carol Santiago, Ítalo Pereira e Wendell Belarmino. O processo até poder cair na água novamente, porém, foi extenso. “Tivemos que fazer o teste da covid-19 para voltar às atividades. Todos aqueles [da natação] que voltaram aos treinos testaram negativo, então, todos estavam em segurança. No CT, o contato é mínimo. Diariamente respondemos questionários para saber se estamos em condição [de treino] e se temos sintomas”, declarou.

 
 
 

 
 
 
 
 

 
 

 
 
 

? Voltamos 113 dias depois. . ?? A sensação de voltar à piscina do Centro de Treinamento tanto tempo depois é um misto de emoções. Até o dia 16 de março, eu só não dormia no CT. Treinava 2x por dia, malhava e tomava café, almoçava e jantava aqui. Do dia pra noite, tudo isso parou. Foram dias de incertezas. . E agora, mesmo com tantas restrições, é maravilhoso poder voltar. ?? A sensação de que a rotina está voltando ao normal, mesmo que esse seja um ‘novo normal’. . —– ?? . ? And we are back! 113 days later! . ?? The feeling of being back at our training center after so long is a mix of feelings that I don’t know how to describe. Until March 16th, the only thing I didn’t do at the training center was sleep: training 2x a day, gym, breakfast, lunch, dinner, all there. All of the sudden this was gone. Days of doubt. . Now, even with a lot of restrictions, it is amazing to come back. ?? The sensation of the routine being back to normal, even knowing its a “new normal”. . ? @alecabral_ale / @ocpboficial . . . #centrodetreinamento #ctparalímpico #natação #swimming #tokio2021 #PraCimaPhelipe

Uma publicação compartilhada por Phelipe Rodrigues | natação (@rodriguesphelipe) em 7 de Jul, 2020 às 3:12 PDT

No caminho até a piscina, há a passagem pelo túnel de ozônio e as orientações para seguir o trajeto detalhado por setas distribuídas no chão. Não para por aí. “Na frente da piscina, foram demarcadas áreas de mais ou menos 10 metros quadrados para cada atleta ter seu espaço. A piscina tem 10 raias. Então, se uma tem atleta a outra fica vazia para termos a distância de segurança de dois metros no mínimo. Os técnicos têm de estar de máscara de proteção. Se, por ventura, for um tipo de treino que exige um grito mais alto, eles usam um face shield“, descreveu.

A manutenção das atividades no CT, porém, depende de que a capital siga na fase amarela do Plano São Paulo. “Se voltarmos à laranja [segunda etapa, de mais restrição], os treinos serão suspensos”, alertou Phelipe, que comemorou as condições para a retomada dos trabalhos. “A prioridade um do Comitê é nossa segurança, nossa vida. A dois é o alto rendimento. Sempre tivemos muita instrução deles sobre a higiene, desde a saída de casa. Particularmente, me sinto muito seguro no ambiente do CT. É uma vibe bem diferente. Mesmo com pouca gente, sentimos que estamos conseguindo voltar aos poucos”, conclui.

Edição: Fábio Lisboa

Comentários Facebook
Continue lendo

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana