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Ministério Público de São Paulo vai investigar mortes em baile de Paraisópolis

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Agência Brasil

Baile funk em Paraisópolis arrow-options
Baile do 17 / Facebook / Arquivo

Jovens foram mortos após tumulto em baile funk de Paraisópolis

A ação policial que deixou nove pessoas mortas por pisoteamento no último domingo (1º) durante um baile funk em Paraisópolis , na zona Sul de São Paulo , será investigada em um inquérito aberto nesta segunda-feira (2) pelo Ministério Público de São Paulo e ficará sob o comando da promotora de Justiça Soraia Bicudo Simões, do 1º Tribunal do Júri, disse o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio. Ainda segundo Smanio, não é possível apontar irregularidades na ação da Polícia Militar (PM).

“Vamos avaliar os protocolos, avaliar as condutas, para que se possa propor o melhor caminho para que a violência não tenha escalada. Vamos apurar o que houve, mas, sobretudo, [evitar] que isso se repita e vamos procurar caminhos de não violência para que as pessoas que queiram possam se divertir, para que a comunidade possa ser respeitada, mas também para que as pessoas do entorno também possam ser respeitadas e que as questões da criminalidade possam ser investigadas. A ideia é fazer uma mediação para encontrar a melhor solução”, disse o procurador-geral.

As nove vítimas teriam morrido “pisoteadas” após uma operação policial durante um baile funk. A PM informou que os policiais se dirigiram ao local do baile atrás de dois fugitivos que estavam em uma motocicleta. Moradores da comunidade negam essa versão e dizem que a operação parecia premeditada e que seria uma vingança à morte de um policial ocorrida no mesmo local, um mês antes.

Um vídeo gravado por moradores e divulgado à imprensa mostra policiais encurralando dezenas de pessoas em uma viela e batendo nelas com cassetetes.

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Muito questionado por jornalistas sobre a ação policial em Paraisópolis e também sobre os vídeos que circularam mostrando violência policial em abordagens que teriam ocorrido lá no mesmo dia do baile funk, Smanio preferiu não fazer críticas à PM. “Morte significa que não foi bem feita [a ação]”, disse, apenas. “Qualquer afirmação antes de uma investigação, antes de conhecermos os fatos e as circunstâncias todas, é uma afirmação precipitada.”

Em entrevista à imprensa, Samanio disse que recebeu ontem, em audiência, um grupo de deputados, acompanhado por moradores da comunidade e integrantes de movimentos sociais, que pediram celeridade nas investigações. “Acertamos por realizar um fórum para que essa questão do baile funk e da atuação policial possa ser tratada de uma maneira global, com todos os interessados, e para que possamos encontrar soluções para essa questão que já causou vítimas.”

Investigações

Todos os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das ruas ontem pelo comando da Polícia Militar, mas continuam exercento atividades administrativas na corporação.

Além da investigação no Ministério Público, a ação policial em Paraisópolis e as mortes ocorridas lá durante o baile funk são alvo de mais duas apurações: uma na Corregedoria da Polícia e outra no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Uma informação que também deve ser investigada é a de que um bombeiro cancelou uma chamada ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante a ação policial, alegando que a polícia já tinha socorrido os feridos. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo confirmou que encaminhou uma ambulância ao local após o registro de solicitação na central na madrugada de domingo (1º), mas que a solicitação foi cancelada. “A chamada foi classificada como alta prioridade, porém, houve cancelamento do pedido por parte do Comando do Corpo de Bombeiros (Cobom).”

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Quatro documentos obtidos pela Agência Brasil – quatro declarações de óbito – revelam que as vítimas morreram por asfixia mecânica. Essa, no entanto, é a descrição que consta na declaração de óbito das quatro vítimas, sem considerar os laudos do Instituto Médico-Legal, que ainda estão sob análise e não foram divulgados.

ONGs

A Human Rights Watch, organização internacional não governamental que atua com direitos humanos, lamentou as nove mortes em Paraisópolis e os 12 feridos na ação ocorrida no dia 1º de dezembro. A ONG exige que o Ministério Público exerça o controle externo sobre o trabalho da polícia.

“Desta forma, [o Ministério Público] deve garantir uma investigação rápida, completa e independente sobre qualquer abuso e uso excessivo da força nesse caso, bem como sobre os ferimentos e as mortes. O Ministério Público do Estado de São Paulo deve também iniciar sua própria investigação independente sobre a motivação, o planejamento e a execução da operação da polícia militar em Paraisópolis”, diz nota da ONG.

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A Conectas também prestou solidariedade às vítimas e parentes e cobra uma apuração rígida do caso. Para a Conectas, a ação foi “negligente” e evidencia “o padrão de atuação dos órgãos de segurança pública com a vida de pessoas pobres e negras em áreas periféricas, fazendo, inclusive, uso de armas de fogo e armamentos menos letais num evento com mais de 5 mil pessoas, causando pânico generalizado em uma das maiores comunidades de ‘São Paulo.

A organização não governamental também cobra uma “postura contundente do Ministério Público na apuração de crimes”.

Defensoria

A Defensoria Pública de São Paulo colocou-se à disposição dos parentes dos jovens mortos na ação policial para atendimento individualizado e reservado, em domicílio, e está organizando, para os próximos dias, um plantão na própria comunidade.

Depois disso, a Defensoria Pública vai analisar as medidas cabíveis, incluindo eventuais pedidos de indenização e de atendimento psicológico, sem prejuízo do acompanhamento das investigações e apurações já em curso sobre o grave episódio.

Condepe

O governador de São Paulo, João Doria, fala à imprensa, após encontro com o presidente em exercício , General Hamilton Mourão

O governador João Doria – Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

O advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), órgão ligado à Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo, também fez críticas à ação policial em Paraisópolis. “Os vídeos demonstram não só uma ação desastrosa, mas criminosa dos policiais envolvidos na ocorrência em Paraisópolis. Os vídeos mostram torturas, abusos de autoridade, agressões e que os jovens foram encurralados pelos policiais. Demonstram que os PMs são os principais responsáveis pela tragédia.”

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Na noite desta terça-feira, o Condepe promoverá um encontro para discutir o que os conselheiros chamam de Massacre de Paraisópolis. Segundo o Condepe, nesse encontro serão discutidas medidas urgentes para acompanhar a apuração das mortes e assegurar proteção dos direitos de outras vítimas e familiares.

Ontem, o governador de São Paulo, João Doria, disse que não pretende reduzir o número de operações policiais, nem modificar os moldes em que funcionam atualmente. Já o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Marcelo Salles, disse que a ação policial no baile funk foi uma reação à agressão sofrida pelos policiais.

Fonte: IG Nacional
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Brasil volta a registrar morte por febre hemorrágica após 20 anos

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IstoÉ

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iStock

Febre hemorrágica atinge Brasil após 20 anos.

A febre hemorrágica não era diagnosticada no país havia mais de 20 anos. O retorno dessa doença, que é altamente letal, é considerado como um evento preocupante pelo Ministério da Saúde.

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O achado científico só ocorreu graças ao desenvolvimento de um teste inovador, feito por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, que é capaz de diagnosticar várias doenças causadas por este e outros tipos de micro-organismo. Veja como foi:

Os sintomas do paciente levavam a crer que era febre amarela: estava febril, com hemorragia e confusão mental, além de hepatite, que pode ocorrer como uma complicação da febre amarela, doença causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti . Além disso, a época, virada do ano, corresponde ao período em que geralmente começam os surtos da enfermidade.

Vindo do interior de São Paulo, o homem de 52 anos havia sido transferido para o Hospital das Clínicas de São Paulo. Tinha passado férias em Eldorado, no Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo. Para chegar a um diagnóstico conclusivo, a equipe de médicos do HC enviou amostras de sangue para o laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

As duas instituições e mais de uma dezena de centros de referência no país participam do projeto “ Estudo das Características Epidemiológicas e Clínicas das Hepatites Virais Agudas em Serviços de Saúde Brasileiros” , do Ministério da Saúde, por meio do programa Proadi-SUS.

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No Einstein, todos os exames de sorologia e biologia molecular previstos pela iniciativa para pesquisas de agentes patogênicos envolvidos com o quadro foram empregados. Deram negativo. Então, resolveu-se utilizar um novo método desenvolvido pelo hospital paulistano que não está previsto inicialmente no projeto: o viroma/metagenômica.

Isso porque os médicos do HC continuavam sem um diagnóstico conclusivo. Graças a esse teste, chegou-se a um diagnóstico inesperado: um novo vírus estava por trás de todos os sintomas experimentados pelo paciente.

A nova técnica diagnóstica funciona da seguinte forma: na primeira etapa do teste, chamada de bancada, pega-se a amostra e extrai-se todo o material genético. Ele é encaminhado para sequenciadores, que fazem sua identificação e a leitura de suas bases nitrogenadas, as letrinhas A (adenina), C (citosina), T (timina) e G (guanina). Daí, gera-se um arquivo com elas.

“Esse resultado vai para a etapa seguinte, a de bioinformática”, informa o bioinformata Deyvid Amgarten, que participa da pesquisa. Pega-se essa sequência, que é como se fosse um código de barras para cada organismo, e busca-se um match nos bancos de dados, uma correspondência com o material genético depositado ali por outros pesquisadores do mundo todo.

Foi nessa fase que se identificou um arenavírus . O resultado surgiu na tela do computador de Amgarten no dia 14 de janeiro: mammarenavirus, gênero dos vírus da família Arenaviridae . Assim que viu a informação, correu para avisar via WhatsApp o médico João Renato Rebello Pinho, coordenador do laboratório de técnicas especiais do Einstein, e sua colega, a biomédica Fernanda Malta, responsável por realizar as reações do viroma.

Rebello alertou de pronto o time do HC devido à importância do achado. O teste criado pelos pesquisadores é capaz de detectar vírus responsáveis por diversos males, como hepatites, sarampo, rubéola, dengue, chikungunya, febre amarela, sarampo, caxumba e aids. Não só vírus: bactérias e parasitas também. Isso porque analisa o RNA desses microrganismos.

Os arenavírus são vírus conhecidos por infectar roedores e, ocasionalmente, seres humanos e outros animais. Seus sintomas variam, mas se manifestam de forma muito parecida com os da febre amarela. Podem ser transmitidos via contato com mucosas de pessoas infectadas e causam uma enfermidade de alto risco de morte. Por isso, ele é classificado como nível máximo de biossegurança pelas agências de vigilância sanitária. A principal precaução é não entrar em contato com urina e fezes de ratos e roedores.

O último micro-organismo dessa, digamos, família viral, foi identificado no Brasil em 1994 no Jardim Sabiá, em Cotia, no interior de São Paulo. Daí a alcunha Sabiá arenavírus. Uma mulher morreu devido à infecção. Como suspeita-se que o paciente do HC tenha sido contaminado por outro tipo do clã Mammarenavirus em Eldorado, a descoberta foi batizada de Eldorado arenavírus.

Amostras dele serão encaminhadas para o Centers for Diseases Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos, um dos principais centros epidemiológicos do mundo e também um dos poucos a dispor de laboratório com nível de segurança 4, onde ficam armazenados amostras dos vírus potencialmente letais. Exemplares de Ebola, por exemplo, ficam lá.

O novo teste de diagnóstico, semelhante a outros já utilizados no exterior, promete mudar a rotina de identificação dos agentes infecciosos. “O raciocínio clínico atualmente é pesquisar um por vez”, diz Rebello Pinho.

“Queremos tentar implementar esse novo teste como um substituto de vários outros.” Dessa forma, rastreiam-se diversos micro-organismos de uma vez só. “Sabemos que vírus e agentes patogênicos podem causar doenças muito parecidas. É muito difícil para um médico determiná-las.”

Sem falar na economia de custos. Ele continua: “Estamos propondo no Einstein em casos muito graves partir para esse teste mais amplo e, assim, identificar o micro-organismo por trás da doença e indicar o tratamento rapidamente.”

O exame é mais um exemplo da medicina de precisão, que chega ao alvo do problema. “Colhemos a amostra do paciente, investigamos e temos um dado preciso e personalizado”, fala Deyvid Amgarten. O método segue as regras do College of American Pathologists, acreditação contratada pelo Einstein que atesta a qualidade dos testes.

Os resultados hoje saem em até 15 dias, mas a intenção é chegar a quatro ou cinco. “Nossa proposta não é só realizar testes para pesquisa. É fazer também exames que sejam úteis, de rotina”, diz Rebello Pinho. A descoberta do Eldorado arenavírus será tema de um artigo em um periódico científico internacional com impacto.

Fonte: IG Nacional
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Nacional

Criminalizar Glenn Greenwald é escalar rumo ao autoritarismo, defendem advogados

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Jornalista Glenn Greenwald foi denunciado pelo MPF arrow-options
Aloisio Mauricio/Fotoarena/Agência O Globo – 27.8.19

Jornalista Glenn Greenwald foi denunciado pelo MPF


A denúncia do Ministério Público Federal nesta terça-feira (21) pedindo a investigação contra o jornalista Glenn Greenwald e mais seis pessoas acusadas de invadir e divulgar mensagens do Telegram de autoridades públicas não foi bem recebida por alguns advogados. O Grupo Prerrogativas emitiu uma nota repudiando o ato.

Leia também: Decisão de Gilmar Mendes proíbe investigação sobre Glenn no caso da “Vaza Jato”

Segundo os advogados, a tentativa de criminalizar Glenn Greenwald, responsável por publicar matérias da chamada Vaza Jato no site The Intercept Brasil é “uma escalada perigosa na ascensão do autoritarismo, além de consagrar o uso político do processo penal e a fragilidade da nossa democracia”.

Leia também: MPF denuncia Glenn Greenwald por invasão de celulares e associação criminosa

De acordo com a denúncia, o  jornalista  e outras pessoas auxiliaram e orientaram o grupo que hackeou aparelhos de 176 autoridades brasileiras. O vazamento dessas informações foi veiculado em reportagens do portal The Intercept, do qual Glenn é fundador.

A denúncia contra Glenn ocorre mesmo sem que o jornalista tenha sido investigado ou indiciado pela Polícia Federal, já que uma liminar expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes proibiu a investigação contra ele baseado no sigilo à fonte jornalística.

“Os esforços para caracterizar Glenn Greenwald como auxiliar ou mentor dos (supostos) hackers esbarram em qualquer critério de boa-fé”, diz o Prerrogativas .

OAB fala em risco à liberdade de imprensa

A Ordem dos Advogados do Brasil também emitiu um comunicado se posicionando contrária à tentativa de criminalização de Glenn Greenwald. De acordo com a entidade, o jornalista agiu de acordo com a Cosntituição.

“A denúncia descreve fato que não pode ser considerado crime. A participação em qualquer delito exige instigação ou colaboração efetiva para sua prática, e nenhuma das mensagens do jornalista incluídas no expediente do MPF indica qualquer desses comportamentos. A denúncia, portanto, criminaliza a mera divulgação de informações, o que significa claro risco para a liberdade de imprensa”, afirma a OAB.

Horas após a denúncia do MPF, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, soltou um parecer proibindo investigação contra Glenn Greenwald no caso da Vaza Jato



Fonte: IG Nacional
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