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Saúde

“A doença chegou e levou”, diz mãe de menina que morreu de meningite aos 7 anos

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A pequena Sophia Laura Paizante, de sete anos, era amorosa, gostava de andar de bicicleta e amava ficar em casa. No dia 1º de maio do ano passado, a filha de Michelle Paizante, de Embu das Artes, em São Paulo, acordou vomitando e com um pouco de febre. Ela foi levada para o hospital às 9h e morreu às 14h por causa de uma meningite. “A doença chegou e levou”, diz a mãe da menina.

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Arquivo pessoal

Sophia Laura Paizante morreu em maio do ano passado por conta de uma meningite; especialista explica a doença

Segundo Eliane Tiemi Iokote, infectologista da Beneficiência Portuguesa de São Paulo, a meningite é uma inflamação das meninges, que são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. “A doença pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, protozoários e também por parasitas”, ressalta a especialista.

Michelle conta que a filha pegou a doença de outra menina na escola, que morreu antes dela. A doença é transmitida através de gotículas de saliva ou também por alimentos contaminados. A meningite bacteriana, que é mais grave, é mais comum no outono no e inverno, período em que os ambientes ficam menos arejados.

A mãe ressalta que, no dia anterior à morte, a criança brincou no shopping e não havia apresentado nenhum sintoma até então. No geral, conforme explica Eliane, os sinais são febre e vômitos, que foram apresentados por Sophia, além de náuseas, sonolência excessiva ou até confusão mental.

“Em casos mais específicos, pode ter uma dor de cabeça bastante intensa, uma sensibilidade excessiva à luz, irritabilidade, principalmente nas crianças, e falta de apetite. No exame clínico, nós observamos uma rigidez no pescoço e, em algumas formas de meningite bacteriana, manchas vermelhas pelo corpo”, pontua a infectologista. 

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Michelle ressalta que, como tudo aconteceu muito rápido, os médicos não tiveram tempo de colher o líquido da coluna. “Eles suspeitaram que era intoxicação. E no laudo saiu meningite bacteriana. Ela ficou com o corpo todo manchado. Nem parecia minha filha”, diz a mãe. “Hoje, sobrevivo, mas sempre estarei de luto”, completa. 

Meningite pode matar em poucas horas

A especialista avalia que o caso da menina, provavelmente, foi causado por uma bactéria chamada Neisseria meningitidis, que tem 12 subtipos. “É a meningococcemia. Esses quadros são realmente mais graves. A característica principal é uma evolução rápida dos sintomas que levam a rebaixamento do nível de consciência, queda da pressão arterial e até ao óbito mesmo”, afirma. 

O Ministério da Saúde alerta que as meningites causadas por bactérias, como a pneumocócica e a meningocócica, que pode estar associada à meningococcemia, são mais graves. No caso dessa última, a doença pode evoluir rapidamente e levar o paciente à morte em poucas horas. Já no casos virais, Eliane aponta que a evolução é mais branda. 

Segundo a especialista, a meningite bacteriana acomete mais crianças menores que cinco anos e, dentro desse grupo, os menores de um ano, mas pode ocorrer em qualquer idade. Ela reforça que a principal prevenção contra a doença é por meio da imunização. Por isso, é fundamental receber as vacinas, que estão no Calendário Nacional de Vacinação.

Eliane reforça a importância de levar a criança ao pediatra junto com a carteirinha de vacinação para que o profissional possa analisar o documento. Ela ainda destaca que a maioria dos casos de meningite podem evoluir para a cura. “No entanto, é necessário assistência médica na vigência dos sintomas”, destaca.

Michele diz que a filha recebeu todas as vacinas que são fornecidas pelo sistema público de saúde, mas não tinha ciência da existência da vacina meningocócica conjugada ACWY, disponível apenas em clínicas particulares. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, essa vacina previne meningites causadas pela bactéria meningococo dos tipos A, C, W e Y.

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Por fim, a mãe desabafa e diz que 2018 foi o pior ano de sua vida. “Não consigo entender até hoje. Ela não ficou doente. Não deu tempo de socorrer a minha filha”, diz. “Ela sabia que seria uma passagem curta aqui na terra. Ela falava, sempre, que tinha asas de anjo e que voltaria a voltar”, relembra. 

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ANS decide se testes para covid-19 continuam obrigatórios

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decide na próxima reunião de diretoria, marcada para amanhã (16), se o teste para detecção de covid-19 continua no rol de procedimentos obrigatórios dos planos de saúde. Os exames foram incluídos no dia 29 de junho, por causa de uma decisão judicial.

A liminar, no entanto, foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), a pedido da própria ANS. A agência informou que entrou com o recurso porque há risco para os beneficiários quando se incorporam novas tecnologias sem uma devida análise criteriosa.

“Estudos e análises de diversas sociedades médicas e de medicina diagnóstica mostram controvérsias técnicas em relação aos resultados desse tipo de exame e a possibilidade de ocorrência de alto percentual de falso-negativo. Suscitam dúvidas também quanto ao uso desses exames para o controle epidemiológico da covid-19. A decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, portanto, visa a proteger os indivíduos e promover a saúde pública num cenário ainda incerto em relação à pandemia”, diz nota da ANS.

A agência informou que, independentemente das decisões judiciais, já faz avaliações técnicas sobre a incorporação de testes sorológicos para o novo coronavírus no rol de procedimentos.

Enquanto a diretoria colegiada da ANS não decide sobre o assunto, os testes IgA, IgC e IgM continuam obrigatórios em algumas situações clínicas, como gripe com quadro respiratório agudo (com febre, tosse, dor de garanta, coriza ou dificuldade respiratória) e síndrome respiratória aguda grave (dificuldade para respirar, pressão persistente no tórax, saturação de oxigênio menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada nos lábios e rosto).

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Saúde

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Fiocruz e Vale investem em sequenciamento do genoma do coronavírus

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Amazonas e a mineradora Vale, por meio do Instituto Tecnológico Vale (ITV) de Belém, no Pará, estão desenvolvendo um projeto conjunto para o sequenciamento do genoma de amostras do novo coronavírus (Sars-CoV-2), chamado Projeto Genoma Covid-19.

O pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Leônidas & Maria Deane da Fiocruz Amazônia ILMD/Fiocruz Amazônia) Felipe Naveca conta que, bem antes da pandemia, as duas instituições já avaliavam a importância de juntar esforços na área de sequenciamento de genoma de doenças emergentes, especialmente as viroses, em alinhamento a uma tendência mundial: “A ferramenta mais importante para estudar e entender, principalmente, um vírus novo é a tecnologia de genoma. A gente está seguindo uma tendência mundial, colocando o Brasil nesse cenário juntamente a outras iniciativas que estão ocorrendo.”

“Só na Inglaterra tem mais de 20 mil genomas só que o investimento é centenas de vezes maior”, disse Naveca, em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com o pesquisador, o ITV tem um laboratório muito bom de biologia molecular e uma equipe na área de bioinformática voltada para ciência da vida: “O projeto tem o objetivo de fazer o sequenciamento de milhares de amostras de coronavírus para a gente entender melhor o comportamento desse vírus no Brasil, como ele se espalhou, quantas vezes foi introduzido, olhando não só no país como um todo, mas nos estados, com foco também na região norte, que historicamente tem um número menor de financiamento em todas as áreas de pesquisa”, contou.

Naveca acrescentou que o projeto se soma ao estudo que já vinha realizando em Manaus com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Fiocruz. Agora, a parceria com a Vale vai permitir ampliar o trabalho para outros estados e fortalecer a pesquisa na região norte. Segundo o pesquisador já houve contatos com diversos pesquisadores de outros estados para que também participem do projeto.

“[A forma] como se espalhou em São Paulo e Rio, no Sudeste de forma geral, pode ter sido diferente da região amazônica por conta de vários fatores. A gente, inclusive, viveu aqui no Amazonas, um pico da epidemia muito antes de outros estados. Isso mostra as diferenças que a gente tem como, por exemplo, uma população indígena muito grande, a fronteira com outros países como Colômbia e Peru. Então, a gente tem um retrato epidemiológico diferente que, acredito, também tem a ver com como isso se refletiu aqui na região norte”, observou.

Mutação

Naveca conta que o padrão ideal para diagnóstico do novo coronavírus é o teste PCR, feito nos primeiros dias dos sintomas. No entanto, os que estão sendo utilizados nos estudos no Amazonas foram desenvolvidos fora do país – nos Estados Unidos, na China e na Alemanha – e retratam a diversidade de vírus que tiveram naqueles lugares, e não necessariamente a encontrada no Brasil, uma vez que o vírus sofre mutações ao longo da contaminação da população. O pesquisador revelou que uma das avaliações que seré feita é verificar se essas mutações provocam impactos nos diagnósticos realizados em território brasileiro.

“Essa é das coisas a curto prazo e a gente pode melhorar o diagnóstico com isso. Uma outra, é investigar se tem outros vírus semelhantes que estão circulando concomitantemente e está todo mundo achando que é o coronavírus e não é. Essa é outra informação que a gente quer acessar para melhorar o diagnóstico”, disse Naveca.

Com essa assinatura genética de cada vírus, o pesquisador conta que será possível avaliar o desenvolvimento do vírus. “Por exemplo, aqui no Amazonas, todas as vezes que o vírus entrou no estado foi por Manaus e de Manaus se espalhou para outros municípios? A gente teve também introdução em outros municípios? Que variante do vírus chegou em área indígena? É a mesma que chegou em outras capitais? São perguntas que a gente espera responder ao longo desse projeto”, completou.

Naveca acrescentou que os testes produzidos após o projeto poderão ter características próprias do comportamento do vírus na população do país. Para ele, alguns resultados negativos que têm ocorrido no Brasil, atualmente, pode ser, na verdade, falso negativo porque os testes dos Estados Unidos, da China e da Alemanha têm uma variação diferente do vírus que circulou no país. “Então, talvez seja melhor a gente ter um ensaio [teste] mais adaptado para os vírus que estão circulando no Brasil. Pode ser, a gente ainda não sabe”, informou.

Contrato e investimento

O projeto ainda está na fase inicial e mais burocrática, de finalização dos contratos, que deve se encerrar em uma semana. Enquanto isso, continua o trabalho que vinha sendo feito no Amazonas, que será incluído no Projeto Genoma Covid-19 e já tem 3,3 mil amostras catalogadas. A ampliação depende, segundo Naveca, de quantos pesquisadores de outros estados vão aderir e de outras formas de financiamento.

De início, a Vale está investindo R$ 2,4 milhões no estudo, que conta ainda com uma parcela de financiamento de R$ 1 milhão do CNPq, de recursos da Rede Genoma do Amazonas, que deve entrar com cerca de R$ 250 mil e da Fiocruz para estudo de síndrome respiratória.

“Com esses recursos [da Vale] a gente consegue fazer o projeto com esses 3,3 mil iniciais e com outros aportes passa de 4 mil amostras”, contou, destacando que seis meses após a conclusão da parte burocrática de assinaturas dos convênios já poderão surgir os primeiros resultados.

Medicamentos e vacinas

Para o diretor científico do Instituto Tecnológico Vale, Guilherme Oliveira, o mapeamento do DNA permitirá também gerar informações que servirão como base para estudos de novos coronavírus que possam surgir no futuro.

Além disso, o Projeto Genoma Covid-19 vai também expandir a rede de pesquisa para o estudo de vírus potenciais causadores de endemias e pandemias na Amazônia, como os arbovírus, entre eles os causadores de dengue, chikungunya e zika. “A ideia é, no futuro, fazer também o sequenciamento genético desses arbovírus e, assim como o do Sars-CoV-2, estudar o seu comportamento na célula, considerando a sua variabilidade genética, para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas”, informou.

A Vale informou que a pesquisa genética sobre o novo coronavírus conta com a participação de mais de 50 pesquisadores e bolsistas, vinculados a centros de pesquisa e de bioinformática em Belém, Manaus, Natal, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, e ainda com uma rede de colaboradores espalhados pelo país e no exterior.

O ITV, que completa dez anos de crianção em 2020, colabora com o Projeto Cabana, que reúne especialistas em genômica na América Latina e na Europa, e com o Instituto Europeu de Bioinformática, em Cambridge, na Inglaterra, que mantém um banco de dados abertos, onde as informações sobre o estudo ficarão disponíveis para consulta de pesquisadores do mundo todo.

Com os trabalhos realizados em um dos laboratórios de sequenciamento de DNA mais avançados da América Latina, em quatro anos, o ITV mapeou o DNA de mais de 8 mil espécimes de fauna e flora da região de Carajás. Entre eles, o sequenciamento do genoma do Jaborandi (Pilocarpus microphyllus), cujo princípio ativo é usado em produtos cosméticos e farmacêuticos, e no tratamento ao glaucoma.

Edição: Denise Griesinger

Fonte: EBC Saúde

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