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Saúde

Possível epidemia? Casos de sífilis no Brasil cresceram mais de 4.000% em 8 anos

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A sífilis no Brasil está se tornando um problema cada vez maior. No período entre 2010 e 2018, houve um aumento de 4.000% nos casos sífilis adquirida (transmitida sexualmente) no País, indo de 3,8 mil para 158 mil, segundo dados do Ministério da Saúde. E este quadro pode ser um reflexo do descuido com a prevenção contra as DSTs.

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Casal no consultório médico esperando diagnóstico arrow-options
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Tanto em homens como em mulheres, os casos de sífilis adquirida aumentaram em mais de 4.000% nos últimos 8 anos

“Quando você diminui a taxa de proteção, você vai ter um aumento superlativo nas doenças que se transmitem com mais facilidade, como a sífilis”, explica Alex Meller, urologista da Universidade Federal de São Paulo e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Para ele, o aumento dos casos de sífilis no Brasil , que também pode comprometer os bebês que ainda vão nascer devido a seu caráter congênito, vai além do descuido com a prevenção e seria também um reflexo da redução nas campanhas de prevenção.

Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista membro do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês, também vê uma certa despreocupação da geração mais jovem com a prevenção contra as DSTs .

Uma das razões, segundo ele, é a distância entre os jovens de 20 a 30 anos com o surto inicial de HIV, que fez com que a geração anterior se protegesse mais intensamente. “É como um pêndulo: uma geração se protege, a outra geração não vê problema”, compara.

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O aumento nos casos de sífilis no Brasil em números

O resultado deste processo, que já se estende há quase uma década, foram 246,8 mil casos de sífilis no Brasil em 2018, entre as variantes adquiridas, congênitas (transmitidas da gestante para o feto) e diagnosticadas em mulheres grávidas. No infográfico abaixo, você pode encontrar mais informações sobre esta doença venérea :

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O que pode ser feito para conter o surto de sífilis no Brasil?

Mulher segurando pacote de camisinha aberto arrow-options
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A solução para o surto de sífilis no Brasil é investir na prevenção, sem confiar que o tratamento basta

Dados estes números, pode surgir a pergunta: “Estamos presenciando uma epidemia de sífilis no Brasil?” A resposta, segundo os especialistas, é não – embora o surto deva ser motivo suficiente para preocupar as autoridades.

A solução, de acordo com o urologista e com o ginecologista, é voltar a investir na prevenção e na educação sexual para a população mais jovem. “A gente percebe que o problema existe, mas é pouco divulgado na mídia e menos ainda pelo governo”, ressalta Alexandre.

O ideal, para Alexandre, é que se almeje a conscientização sobre sobre a existência de doenças como a sífilis e sobre a importância de se proteger delas, deixando o tratamento como um exemplo de último recurso.

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Segundo ele, isso é preferível porque o abuso das medicações contra esta doença venérea já levou ao surgimento de novas espécies da bactéria causadora da sífilis que são resistentes ao tratamento com antibióticos. “É clichê, mas a prevenção é sempre o melhor remédio”, crava.

Como saber se você tem sífilis

Homem pensativo e preocupado em consulta médica arrow-options
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A sífilis tem três estágios de desenvolvimento, cada um com uma gravidade e um sintoma característico

Caso tenha ficado em dúvida se está com algum problema como a sífilis, é importante procurar ajuda médica, principalmente se você leva uma vida sexual ativa e não tem o hábito de usar preservativos. Para identificar se suas suspeitas se justificam, estes são os sintomas da sífilis em suas respectivas fases:

  1. Fase primária: surgimento de lesões e úlceras nos órgãos genitais, conhecidas como cancro duro. Segundo Alex, elas não costumam causar dor, o que pode fazer com que passem despercebidas;
  2. Fase secundária: aparecimento de manchas avermelhadas na pele. Uma característica distinta das manchas causadas pela sífilis, segundo Alexandre, é que elas surgem também nas palmas das mãos e nas plantas dos pés;
  3. Fase terciária: depois da fase secundária, que pode durar cerca de 10 dias, a sífilis entra em período de latência, que pode durar anos. Neste estágio da doença, segundo o ginecologista do Sírio Libanês, qualquer fragilidade imunológica pode desencadear problemas sérios que afetam desde o cérebro até o coração e podem levar à morte.

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E mesmo depois que estiver tratado, a melhor saída é começar a usar proteção e se prevenir contra a doença. Assim, você se manterá seguro e ainda dificultará a proliferação da sífilis no Brasil .

Fonte: IG Saúde
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Saúde

Uso inadequado de antibióticos aumenta resistência de bactérias

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O uso consciente de antibióticos requer a atuação de diversos atores, que vão desde a população em geral até profissionais da saúde e indústria farmacêutica. “Sem uma ação urgente, caminhamos para uma era pós-antibióticos, em que infecções comuns e ferimentos leves podem voltar a matar”, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).organização que promove até domingo (24) a Semana Mundial do Uso Consciente de Antibióticos. A programação teve início nesta segunda-feira (18).

Segundo a OMS, o uso inadequado de antibióticos faz com que as bactérias se alterem, tornando-se resistentes a medicamentos. Infecções como pneumonia, tuberculose e gonorreia, estão se tornando cada vez mais difíceis e, às vezes, impossíveis de tratar. A OMS estima que pelo menos 700 mil pessoas morrem por ano devido a doenças resistentes a medicamentos antimicrobianos e alerta que o número de mortes pode chegar a 10 milhões, a cada ano, até 2050, mantido o cenário atual.

“Isso é um problema que tem se tornado cada vez mais grave. A resistência bacteriana hoje em dia é considerada uma das 10 maiores ameaças à saúde pública global. Infecções para as quais antigamente a gente tinha tratamento, hoje praticamente não temos mais opções”, disse a chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz, Ana Paula Assef, em entrevista à Rádio Nacional.

A pesquisadora ressalta que vários atores podem contribuir para reverter esse cenário. Profissionais da saúde podem ter mais cuidado e prescrever antibióticos de forma correta e consciente, escolhendo melhor o medicamento na hora de receitá-lo.

E a população também pode se proteger. “Muitas vezes acontece de a gente usar o antibiótico que tem no armário da vizinha, ou da tia, que falou que usou aquele antibiótico para tratar uma infecção parecida. Não pode. A população tem que ter essa noção de que antibiótico só pode ser usado, que só adianta, para infecções bacterianas. E quem tem que receitar é o médico”, afirmou. 

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Consumo no mundo

Relatório da OMS publicado no ano passado aponta grandes discrepâncias nas taxas de consumo entre os 65 países analisados, variando de aproximadamente quatro doses diárias definidas (DDD) por cada mil habitantes para mais de 64 doses diárias definidas por cada mil habitantes.

Segundo a organização, a grande diferença no uso de antibióticos em todo o mundo indica que alguns países provavelmente estão usando antibióticos, enquanto outros podem não ter acesso suficiente a esses medicamentos que salvam vidas.

No Brasil, a taxa de consumo é 22,75, a maior entre os países americanos com dados disponíveis. O país é seguido por Bolívia, com taxa de consumo de 19,57 doses diárias definidas por cada mil habitantes; Paraguai, com 19,38; Canadá, com 17,05; Costa Rica, com 14,18; e Peru, com 10,26.

De acordo com o médico infectologista Hélio Bacha, grande parte do uso do antibiótico no Brasil, especialmente o ambulatorial, é desnecessária. “Há uma pressão muito grande por parte da população, que acha que antibiótico é medicação eficaz para todo tipo de infecção e há uma formação médica nem sempre adequada para distinguir o bom uso do antibiótico”, diestacou Bacha, que é consultor técnico representante da Sociedade Brasileira de Infectologia no Conselho Científico da Associação Médica Brasileira.

Bacha disse que grande parte das doenças infecciosas virais e mesmo infecções bacterianas tem cura espontânea. É preciso, portanto, “melhorar a prescrição por parte dos médicos. E isso não basta, se não houver consciência coletiva da população. [É preciso] melhorar o nível de saber dessa população dos limites do uso do antibiótico e das ameaças que isso traz.”

Segundo a OMS, há uma série de ações que podem ser tomadas por diversos setores da sociedade.

A população pode:

Prevenir infecções, lavando as mãos regularmente, praticando uma boa higiene alimentar, evitando contato próximo com pessoas doentes e mantendo atualizado o calendário de vacinação.

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Usar antibióticos apenas quando indicado e prescrito por um profissional de saúde.

Seguir a prescrição à risca.

Evitar reutilizar antibióticos de tratamentos prévios que estejam disponíveis em domicílio, sem adequada avaliação de profissional de saúde.

Não compartilhar antibióticos com outras pessoas.

Profissionais de saúde podem:

Prevenir infecções ao garantir que as mãos, os instrumentos e o ambiente estejam limpos.

Manter a vacinação dos pacientes em dia.

Quando uma infecção bacteriana é suspeita, realizar culturas e testes bacterianos para confirmá-la.

Prescrever e dispensar antibióticos apenas quando realmente forem necessários.

Prescrever e dispensar o antibiótico adequados, assim como sua posologia e período de utilização.

Os gestores em saúde podem:

Implantar um robusto plano de ação nacional para combater a resistência aos antibióticos.

Aprimorar a vigilância às infecções resistentes aos antibióticos.

Reforçar as medidas de controle e prevenção de infecções.

Regulamentar e promover o uso adequado de medicamentos de qualidade.

Tornar acessíveis as informações sobre o impacto da resistência aos antibióticos.

Incentivar o desenvolvimento de novas opções de tratamento, vacinas e diagnóstico.

O setor agrícola pode:

Garantir que os antibióticos dados aos animais – incluindo os produtores de alimentos e os de companhia – sejam usados apenas no tratamento de doenças infecciosas e sob supervisão de um médico veterinário.

Vacinar os animais para reduzir a necessidade do uso de antibióticos e desenvolver alternativas ao uso de antibióticos em plantações.

Promover e aplicar boas práticas em todos os passos da produção e do processamento de alimentos de origem animal e vegetal.Adotar sistemas sustentáveis com melhor higiene, biossegurança e manejo dos animais livre de estresse.

Implementar normas internacionais para o uso responsável de antibióticos estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal, FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura] e OMS.

A indústria da saúde pode:

Investir em novos antibióticos, vacinas e diagnósticos. 

Edição: Nádia Franco
Fonte: EBC
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Saúde

Brasil reforça vacinação em 16 municípios de fronteira

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O Ministério da Saúde deu início à segunda fase da campanha Movimento Vacina Brasil nas Fronteiras. Até o dia 30 de novembro, 16 municípios terão as ações de vacinação intensificadas.

O objetivo é ampliar a cobertura vacinal, principalmente, contra o sarampo e a febre amarela. A ação envolve países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguais) e países associados ao Mercosul (Bolívia e Colômbia). Para atender à intensificação vacinal, o Ministério da Saúde enviou aos estados fronteiriços 11,3 mil doses da vacina de febre amarela e 11,2 mil de doses da vacina tríplice viral. Os municípios envolvidos na campanha contam ainda com os estoques de vacina já existentes desde a primeira fase da ação, que ocorreu em setembro deste ano.

A campanha é realizada de acordo com o calendário de vacinação de cada país. No Uruguai, por exemplo, a vacina contra a febre amarela não será dada, já que não faz parte do calendário de rotina do país. Na Argentina, Paraguai e Uruguai, as crianças menores de 10 anos de idade são foco da campanha. Já no Brasil, a vacina contra a febre amarela pode ser dada a partir dos nove meses de vida até os 59 anos de idade e a vacina contra o sarampo, a partir dos seis meses até os 49 anos.

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O Movimento Vacina Brasil nas Fronteiras é resultado da solicitação do governo brasileiro para incluir o tópico imunização nas fronteiras na agenda dos eixos prioritários estabelecidos no Memorando de Entendimento de Cooperação entre o MERCOSUL e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS).

Sarampo e febre amarela 

No Brasil, o surto de sarampo ainda está ativo em 19 estados do país. Entre os dias 4 de agosto e 26 de outubro, foram registrados 5.660 casos da doença e 14 óbitos. Mais de 90% dos casos estão concentrados em 176 municípios do estado de São Paulo, principalmente na região metropolitana. O Ministério da Saúde destaca que a única forma de interromper a cadeia de transmissão e de prevenir o sarampo é por meio da vacinação. 

O comportamento da febre amarela no Brasil é por estação. O período de maior transmissão é de dezembro a maio. Nos últimos três anos, houve aumento da transmissão. No final de 2016 até junho de 2017 houve surto de grandes proporções que afetou principalmente os estados da região Sudeste, com um total de 778 casos humanos, incluindo 262 óbitos.

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* Com informações do Ministério da Saúde

Edição: Narjara Carvalho
Fonte: EBC
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