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Tráfico da Rocinha ameaça moradores que jogam lixo na favela: “estamos de olho”

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Traficantes dizem “estar de olho” nos moradores que sujam as ruas da comunidade

Meses após as chuvas causarem deslizamentos, enxurradas e até uma morte na Rocinha, na Zona Sul do Rio, o tráfico da favela passou a ameaçar moradores que jogam lixo nos becos. Cartazes com avisos dos criminosos para quem sujar a comunidade foram afixados em diferentes pontos da parte alta, uma das mais atingidas pela tempestade no início do ano. “Por favor, não jogue lixo no beco! Caso contrário, varrerá até a Rua 1. Estamos de olho”, diz o texto do “comunicado”, que cita uma das principais vias da favela.

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Uma foto de uma pistola apontada para um dos cartazes circula entre moradores da favela, que contam que um homem teria sido agredido pelo tráfico por deixar sacos de lixo jogados num beco. Procurada, a 11ª DP (Rocinha) alega que nenhum registro sobre ameaças ou agressões por conta de lixo jogado no chão chegou à delegacia.

“A sujeira nas ruas é um problema histórico na Rocinha e, depois das tragédias que aconteceram neste ano com as chuvas, os moradores estão se cobrando mais por mudanças na postura quanto ao lixo. Mas conviver com esse clima de ameaça nunca é bom”, conta um morador.

O lixo espalhado pela favela entope bueiros e acaba aumentando o risco de inundações durante chuvas mais fortes. Ao longo do primeiro semestre, várias famílias da Rocinha ficaram desabrigadas ou perderam quase tudo por conta das fortes chuvas que atingiram o Rio. Uma moradora da favela, a doméstica Adriana Maria dos Santos, de 44 anos, morreu após sua casa desabar. Vídeos impressionantes feitos por moradores durante uma tempestade em fevereiro mostram um homem sendo levado pela água morro abaixo, em meio a uma forte correnteza que cobriu a rua.

Criminosos ostentam na internet

Dois anos após a guerra de facções pelo controle da favela, o tráfico da Rocinha vive uma fase mais discreta. Após a estabilização da maior facção do Rio no domínio na comunidade, novas invasões de grupos rivais não foram mais registradas. Em 2019, até confrontos entre traficantes e PMs são raridade — apesar de a Rocinha ainda sediar uma UPP.

Nas redes sociais, entretanto, os traficantes seguem ostentando seu poderio bélico. Numa das imagens postadas, John Wallace da Silva Viana, o Johny Bravo, principal gerente do tráfico da favela, posa com vários quatro traficantes que portam fuzis e vestem fardas camufladas do Bope. A foto foi tirada em 25 de agosto dentro da Rocinha durante a festa de aniversário do traficante. Já um vídeo mostra uma das novas aquisições dos criminosos: um fuzil AR10, equipado com uma luneta e um bipé, semelhante ao usado pelo Bope. A arma tem adesivos colados ao longo de seu cano que formam a expressão “melhor gestão”.

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Outras fotos e vídeos mostram o rosto do chefe do tráfico da favela, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, pintado num muro dentro da favela. O mural foi finalizado há cerca de dois meses. O traficante traiu seu antigo aliado, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, trocou de facção e, há dois anos, controla a venda de drogas na Rocinha mesmo preso em penitenciárias federais. Várias outras homenagens ao criminoso são feitas por comparsas nas redes. Numa delas, um traficante posa com um fuzil e um boné com a inscrição “Um por todos e todos pelo R”, uma referência a Rogério.

Fonte: IG Nacional
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Brumadinho: instituto criado por mãe em luto quer semear reconstrução

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Agência Brasil

Letreiro de Brumadinho coberto com sacos plásticos arrow-options
Reprodução/Twitter

Em um ato de protesto e de luto, o letreiro da cidade de Brumadinho amanheceu coberto por sacos de lixo, logo após tragédia

Os dias não são mais pares e ímpares, nem vão de segunda a domingo . O que conta para Helena Taliberti é se hoje a tristeza profunda vai dar 24 horas de trégua para que se levante e vá em busca de um novo sentido para continuar a jornada. “Eu acho que viver essa tristeza, essa dor, ela tem que ser vivida conforme ela se apresenta mesmo. Tem dias que ela não é tanta, que você consegue olhar um pouco mais para cima. Então, vamos olhar para cima. Mas, no dia seguinte, você vai cair de novo e vai. Vai cair de novo”.

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Helena estava passeando na Avenida Paulista enquanto seus dois filhos, a nora e o neto Lorenzo, ainda em gestação, estavam na pousada Nova Estância, em Brumadinho (MG), acompanhados pelo pai e a madrasta. Foram conhecer o Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo e sede de um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do país.

“Eu fico imaginando quem viu e foi soterrado. O que pensou quando viu? Uma coisa é você estar no mar e ver uma onda grande. Você tapa o nariz e se enfia dentro da água né? Aí a onda passa e você sai de novo.”

Os rejeitos de minérios, hoje se sabe, a partir do trabalho de especialistas em geotecnia contratados pela Vale , inundaram as imediações da cidade com a violência de uma catástrofe. Durante 40 anos, a Barragem B1, no córrego do Feijão, acumulou doze milhões de metros cúbicos (m³) de rejeito de minério de ferro. Em cinco minutos, 10 milhões de m³ vazaram da estrutura, a uma velocidade de 80 quilômetros (km) por hora. Foi uma onda gigante, como diz Helena, arrastando o que viu pela frente.

Instituto Camila e Luiz Taliberti foi criado em memórias dos filhos de Helena que morreram em Brumadinho

Wagner Diniz (padrastro), Camila Taliberti, Helena Taliberti (mãe) e Luiz Taliberti durante momentos em família. Camila e Luiz morreram em Brumadinho – Instituto Camila e Luiz Taliberti/Direitos Reservados

Camila tinha 31 anos, era filósofa e advogada especializada em direito digital, além de dar assistência jurídica gratuita a mulheres vulneráveis, como as vítimas de violência dom éstica. Luiz 29 anos, era surfista e arquiteto. Tinha acabado de ser nomeado diretor na empresa em que trabalhava, na Austrália. A nora, Fernanda, estava no quinto mês de gestação.

Helena encerra as frases com pausas longas. Há lacunas que as palavras não conseguem preencher. O vazio também não. Mas seis meses depois da tragédia, no dia 25 de julho do ano passado, surgiu o Instituto Camila e Luiz Taliberti . Uma ideia dos amigos para a formação de um acervo digital que incorpore as lutas em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

“O Instituto não tem uma atuação assistencialista. Ele é um Instituto para dar voz. Muito mais voz daquilo que está acontecendo de fato. Mas não com uma conotação de denunciar para alguma coisa negativa. Não é isso. É dizer o que está acontecendo para achar soluções. Não é a denúncia pela denúncia. É o contar, o falar para solucionar, para mudar uma realidade. Não é para ficar no negativo. Não.” Mais adiante, empolgada pela fé no ser humano, Helena diz: “Eu acho que essa geração tem muita sede de mudança.”

“Seremos sim um acervo digital. O mais completo que a gente puder ser,” diz Helena. Desde que foi fundado, o Instituto tem recebido apoio intelectual de artistas, cineastas, jornalistas, engenheiros, sociedade civil. E quer promover debates, apoiar pesquisas, projetos que tenham a preservação do meio ambiente e empoderamento de grupos ligados aos direitos humanos.

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Vestida com a roupa que era de Camila Taliberti, Helena reconhece no Instituto a feição dos filhos. “Tá nisso o trabalho que ela [Camila] fazia voluntário. Tá nisso essa questão da generosidade e o Luiz é essa questão do que passou é passado, do vamos mudar daqui para frente. Vamos olhar porque se a gente fica presa no passado, a gente não olha para frente. A gente fica lá. Você não é o agente de mudança. Pelo contrário, é uma âncora no negativo. Eu acho que juntar a generosidade com o perdão, e as questões do meio ambiente é exatamente ver onde é que esse meio ambiente está sendo machucado. Não existem mais dois lados. O nós contra eles não me leva a nada, concorda? Mais do que isso. Eu sei bem quem eu sou. Eu posso ser um nós com eles nessa questão. Vamos ver o que se faz, como é que a gente pode melhorar? Esse é o nós com eles. É o ver com o que tá acontecendo e ver como podemos fazer. E o nós e eles é de fato a ação. Vamos fazer de alguma forma. E eu não sei qual é essa forma. O Instituto está aí para isso“.

O rompimento da Barragem do Córrego do Feijão deixou 272 mortos – 259 corpos foram encontrados e os dois bebês que eram gestados estão nessa conta – o neto de Helena, Lorenzo e Maria Elisa é um deles. Onze pessoas permanecem dentro da lama de rejeitos.

Os especialistas contratados pela Vale chegaram a uma conclusão para as causas da tragédia . O nome técnico é liquefação. A barragem perdeu resistência significativa e repentina. A água passou a predominar entre os rejeitos e se tornou predominante. Contribuíram para esse desastre um paredão íngreme demais e o alteamento, ou seja, as ampliações de barragem que passaram a ser feitas sob rejeitos finos. O relatório também concluiu que a drenagem interna não era suficiente. E a alta concentração de ferro junto com a chuva, levaram ao colapso.

A liquefação também foi o que fez a barragem de Mariana, em 2015, arrebentar. Sobre assuntos técnicos, Helena não comenta. Mas sabe que os pontos de contato são muitos. Sobre o luto, ela diz:

“Um luto que interrompeu a minha vida completamente. Eu perdi minha filha, meu filho, minha nora, meu neto. A família acabou! Não tem mais ningúem daqui pra frente. Eu não vou ter outros filhos. Eu não vou ser avó. Acabou. É um luto que tem um peso muito grande. E esse luto poderia ter sido evitado”. E completa: “o que me move mais ainda, essa morte deles, assim como das outras vítimas, não pode ter sido em vão. Além de não ter sido em vão, também não pode repetir. Porque se teve Mariana e repetiu Brumadinho , vai repetir de novo? Não pode, né? Repetir não pode!”.

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Neste sábado , às 12h28 o Instituto promove um minuto de silêncio na avenida Paulista. A hora marca o começou um barulho, provocado pelo desmoronamento da parede de sustentação da Barragem 1. O Instituto pode ser acessado pelo endereço no Facebook . O lema a presidente Helena Taliberti vive no dia a dia: “Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes.” Helena é a semeadora.

Fonte: IG Nacional
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Polícia Civil recupera 501 celulares roubados em São Paulo

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reprodução/Polícia Civil

Os celulares recuperados pela Polícia Civil, na região da Avenida Paulista

A Polícia Civil divulga detalhes da terceira fase da operação “Avenida Aberta” com a recuperação de 501 aparelhos celulares roubados em São Paulo. Com ajuda da Guarda Civil Metropolitana, duas mulheres e dois homens foram presos por furto e receptação de celulares na Avenida Paulista.

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De acordo com Júlio César Geraldo, delegado do 78° Distrito Policial, os quatro detidos estavam comercializando os aparelhos roubados. Ainda conforme a Polícia Civil, três boletins de ocorrência foram registrados.

Fonte: IG Nacional
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