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Pai é preso vendendo drogas para pagar dívida de filho com o tráfico

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Homem algemado com rosto borrado arrow-options
Secretaria de Segurança Pública do Amazonas / Divulgação

Pai foi preso por vender drogas para pagar dívida de filho com o tráfico

Um homem foi preso em flagrante no bairro de Jorge Teixeira, em Manaus, por vender drogas para pagar dívida de filho com o tráfico local. Policiais encontraram cocaína, oxi e maconha entre as substâncias presentes na casa de Edvaldo Valente Peres, de 40 anos.

Leia também: Traficantes deram corpos de oito jovens a porcos, aponta investigação no Rio

Segundo a polícia, uma denúncia anônima os levou até o pai do rapaz. “Durante as diligências identificamos que o infrator não estava vendendo drogas para obter lucro financeiro próprio, mas sim para quitar uma dívida de tráfico de drogas feita pelo filho dele. Em razão dessa dívida, ele passou a comercializar entorpecentes para um outro traficante”, explicou o delegado Torquato Mozer.

Edvaldo foi levado ao 30º Departamento Integrado de Polícia. Lá, foi autuado por tráfico de drogas e encaminhado para audiência de custódia no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis.

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Bolsonaro está em fase de negação sobre Covid-19, diz Mandetta

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ex-inistro da Saúde Luiz Henrique Mandetta
Anderson Riedel/PR

Ministério da Saúde perdeu credibilidade, afirma Mandetta


O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM),  voltou a criticar a posição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diante da pandemia do novo coronavírus. Segundo Mandetta , Bolsonaro está “estacionado na fase de negação” em relação à Covid-19.


O ex-ministro também comentou a insistência no uso da cloroquina no tratamento da doença,  voltou a alfinetar a ocupação de militares na pasta e comentou sobre futuro de sua carreira política.

Em entrevista ao Deutsche Welle, Mandetta afirmou que, no início dos alertas da Covid-19 , Bolsonaro escutou. “Mas é comum quando o médico dá um diagnóstico duro para uma pessoa ela sair da consulta negando”, disse. “A primeira reação a uma notícia dura geralmente é a negativa. Aí vem a raiva, a tristeza e, finalmente, a aceitação e a colaboração. O presidente ficou estacionado na primeira fase, que foi de negação; no máximo se movimentou para a fase de raiva”, acrescentou.

Ele afirma ainda que a solução encontrada pelo presidente foi “se cercar daquelas pessoas que em tempos de crise adoram falar o que o chefe quer ouvir”. “Ele acreditou e se expôs ao ridículo de ir à rede nacional de televisão dizer que o coronavírus seria só uma ‘gripezinha’ que não mataria ninguém”, afirmou Mandetta.

O médico explica ainda que Bolsonaro comprou o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a Covid-19. Mandetta avalia essa influência do presidente norte-americano como “negativa”.

“O presidente sempre diz para “deixarmos a história julgar”. Então provavelmente teremos um capítulo chamado ” Cloroquina no Brasil”, já que somos o único país em que ainda se discute isso com mais empenho do que enfrentar os graves problemas causados pela pandemia”, disse Mandetta.

O ex-ministro foi questionado sobre a fala de Bolsonaro, que disse recentemente que Mandetta inflou os números do novo coronavírus no País. “Acho que talvez ele estivesse sob efeito de algum medicamento, sofrendo de algum delírio […] ou comeu alguma coisa estragada, aí falou uma bobagem dessas. tem que perdoar, coitado”, ironizou.

Militarização

Segundo Mandetta , o Governo Federal “abriu mão da academia, de séculos de construção do saber em saúde pública. “É como se você colocasse a condução do Ministério da Saúde, no momento de maior risco da história do país, nas mãos dos jogadores de futebol, nas mãos dos físicos nucleares”, exemplifica.

Ele comentou que, com sua exoneração e demissão do ex-secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, e do ex-secretário-executivo, João Gabbardo, o ministério “perdeu a linha do tempo” e “as políticas que tinham sido iniciadas”.

Não foram anunciadas novas medidas porque não há competência para isso. Os militares só estão esquentando a cadeira do Ministério da Saúde para uma indicação política, provavelmente alguém do ‘centrão’”, diz Mandetta. 

Mandetta também falou sobre o apagão de dados que ocorreu no mês de junho. Segundo ele, a pasta precisa ser transparente e orientar a população desta maneira. “Quando você coloca segredos em cima de uma doença infecciosa, você erra profundamente, porque o segredo passa a ser o aliado do vírus”, disse.

O médico afirmou ainda que o Ministério da Saúde “perdeu a credibilidade”. “Essa epidemia ocorre na era da internet, não adianta, você não consegue esconder nada. Lamentavelmente, foi necessário que o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenasse o Ministério a fazer o seu papel. A primeira linha de defesa das pessoas, das famílias, dá-se no âmbito de suas casas, e essa linha de defesa é feita com informação.”

Impedido de trabalhar

Após a exoneração de Mandetta, o ex-ministro foi impedido pela Comissão de Ética de trabalhar em iniciativas privadas. O mesmo, no entanto, não foi aplicado ao seu sucessor, o ex-ministro Nelson Teich que ficou menos de um mês na Saúde.

Para Mandetta, a decisão é pessoal. “É a primeira vez na história que um ministro da Saúde é posto de quarentena”, disse.

O médico ainda vê o não-impedimento de Teich como uma “confissão” de que o mês trabalhado pelo sucesso foi “um mês perdido”. “Pode ser que alguém ache que ele não tenha feito nada, não tenha trabalhado, então reconheceram que ele não sabe de nada e autorizaram que ele pudesse trabalhar logo após deixar o governo.”

Carreira política

Mandetta não informou o que tem preparado para sua carreira na política, mas disse que “será um cidadão muito participante nas eleições de 2022”. “Mas se como eleitos, militante ou candidato, ainda é cedo para cravar”, justificou.

No entanto, o médico afirma que pretende “construir um projeto de nação” com “inúmeras pessoas”. “Já está na hora de todos concordarem que é com educação de qualidade que vamos sair dessa crise. A saúde e o meio ambiente também precisam de atenção especial”, concluiu Madetta .

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Venda de armas de fogo cresce 200% no primeiro semestre de 2020

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Agência Brasil

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Divulgação / PMER

Compra de armas de fogo cresceu em relação ao ano passado

A venda de armas de fogo controladas pela Polícia Federal (PF) subiu de 24.663 unidades, no primeiro semestre do ano passado, para 73.985, em igual período de 2020, um aumento de quase 200%. Os dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) não incluem nem os armamentos adquiridos por órgãos militares estaduais de segurança pública (polícias militares e corpos de bombeiros), nem pelas Forças Armadas e pelos chamados CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), cujo controle é da responsabilidade do Exército.

Entram na conta da PF as armas compradas por cidadãos em geral, empresas de segurança privada, além das categorias profissionais previstas no Decreto nº 9.847, como servidores da área da segurança pública, magistrados e membros do Ministério Público.

Para a PF, as flexibilizações das regras de posse e porte de arma de fogo a partir do início de 2019 contribuíram para o incremento das vendas. Além disso, mudanças no Sinarm, como a digitalização dos processos, facilitaram e agilizaram o trâmite dos pedidos. A PF também informo que há “outros fatores para o aumento de demanda, subjetivos e ainda não dimensionados pela instituição”.

Os dados divulgados pela Polícia Federal mostram que, desde 2017, as vendas no primeiro semestre vêm superando as do mesmo período do ano anterior, mas não na proporção destes últimos seis meses. Comparando, por exemplo, o resultado dos seis primeiros meses de 2019 (24.663 armas compradas) com os do mesmo período de 2018 (23.564), constata-se uma diferença de 1.099 armas.

Das 73.985 armas comercializadas entre janeiro e junho deste ano, quase 62%, ou seja, 45.733, foram compradas por cidadãos. Órgãos públicos não militares compraram 17.111 armamentos (23% do total). Já servidores públicos autorizados a portar armas pessoais devido ao risco inerente ao exercício da função, como procuradores, promotores e juízes, adquiriram 8.707 do total (11%).

Em abril de 2019, a PF adotou uma nova forma de registrar os armamentos que pessoas físicas e jurídicas compram dos fabricantes, importadores e revendedores. Além de separar as vendas para caçadores de subsistência dos demais compradores antes incluídos em uma única categoria (“pessoa física”), a instituição criou outras classificações. Desta forma, as seis categorias existentes até então se tornaram 11, conforme a tabela acima.

A mudança inviabiliza a comparação direta entre os resultados deste primeiro semestre e o dos seis primeiros meses de 2019. Ainda assim, a título de observação, no segundo semestre de 2019, quando a nova sistemática já estava em vigor, os chamados cidadãos adquiriram 35.641 novas armas – cerca de 22% a menos do que as 45.733 adquiridas de janeiro a junho deste ano. O comportamento das vendas semestrais se reflete nos resultados anuais, como mostra a tabela abaixo.

Registros

O total de certificados de Registro de Arma de Fogo (Craf) expedidos pela PF durante o primeiro semestre deste ano também aumentou em comparação aos seis primeiros meses do ano passado. Obrigatório e válido por dez anos, o documento serve de comprovante de que o proprietário da arma está autorizado a mantê-la exclusivamente no interior de sua residência ou local de trabalho caso seja ele o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.

No último período foi registrada, renovada ou transferida a titularidade de 100.053 armas. Embora seja superior aos 83.843 registros expedidos durante o primeiro semestre de 2019, o resultado é inferior aos registrados em igual período de 2018 (112.885) e de 2017 (113.572). Além disso, são inferiores aos de 2009 e 2010, anos cujos resultados, segundo a PF, foram influenciados pelo fim do prazo para regularização de armas definido pelo Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/03).

Repercussões

Para a coordenadora de Projetos da organização não governamental (ONG) Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, o resultado já era, de certa forma esperado. “Estávamos contando com que o real impacto das alterações [legais] feitas em 2019 fossem sentidas este ano. No ano passado, alguns decretos foram publicados e, depois, revogados, o que eu acho que causou uma certa insegurança jurídica para as pessoas que já tinham interesse em adquirir armas.”

Natália também considera a hipótese do total de novas armas vendidas ser um reflexo das mudanças das regras de controle. “As flexibilizações normativas não só ampliaram o acesso às armas para mais pessoas, como também possibilitaram que cada uma destas pessoas possa comprar uma maior quantidade [de armamentos]”, comentou a coordenadora, que discorda da ideia de que mais armas nas mãos de cidadãos comuns seria uma forma de combater a violência e tornar a sociedade mais segura.

“Vemos com bastante receio a disseminação deste discurso, que tem um impacto real nas escolhas práticas das pessoas. Diversos estudos brasileiros e internacionais demonstram que isto não é verdade, que a maior circulação de armas traz consigo um aumento do número de homicídios. Tanto porque as pessoa estão sujeitas a momentos de descontrole, quanto porque estas armas podem ser desviadas para o mercado ilegal. Há várias pesquisas documentando que a maioria das armas apreendidas no cometimento de crimes tem origem legal.”, acrescentou Natália.

O presidente da ONG Movimento Viva Brasil, o advogado Bene Barbosa, também disse que o aumento nas vendas já era esperado. “Exatamente por conta da mudança na política nacional. Vínhamos de sucessivos governos que tinham como política nacional uma restrição às armas e um desestímulo à compra legal, e passamos a uma visão completamente diferente”, comentou Barbosa, avaliando que, apesar da recente flexibilização das antigas normas, a legislação brasileira segue “impeditiva”.

“É uma legislação muito burocrática, que acaba por encarecer e elitizar o direito do cidadão a adquirir uma arma de fogo para se defender”, afirmou, ao refutar a ideia de que mais armas nas ruas contribuem para o aumento da violência. “Não há nenhum estudo conclusivo que aponte para isto. O que nós assistimos aqui mesmo, no Brasil, foi o aumento significativo da criminalidade violenta, em especial dos homicídios, apesar de todas as restrições que agora começam a ser revistas. Já a partir do ano passado, quando houve um crescimento significativo da venda de armas, tivemos uma redução nas taxas de criminalidade violenta. O que, para mim, demonstra não haver uma correlação entre mais armas e mais crimes”, disse, destacando que, em diversos estados, incluindo alguns dos mais violentos, a taxa de crimes já vinha caindo há pelo menos quatro anos, “resultado de políticas regionais, estaduais, e não das restrições armamentistas.”

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