conecte-se conosco


Economia

O risco de um tango tropical

Avatar

Publicado

source
casal dança tango arrow-options
shutterstock
A volta do peronismo: se o Brasil não apressar o passo, corre o risco de dançar o mesmo tango populista que ameaça a Argentina

Um sinal preocupante vindo da Argentina deveria servir de alerta para o governo do Brasil, que chegou ao poder no início deste ano com a responsabilidade de gerar empregos e fazer o país crescer. Trata-se, é claro, do resultado das primárias realizadas no domingo passado, com vistas às eleições presidenciais deste ano.

Devido a uma peculiaridade do sistema eleitoral argentino, as eleições para valer, em outubro, só podem ser disputadas por candidatos que passarem pelo crivo dessas prévias. Para quem tem o mínimo respeito pelos fundamentos da economia , os resultados de domingo foram, no mínimo, preocupantes.

Candidato da oposição argentina questiona “abusos” na Venezuela de Maduro

As urnas mostraram que, mesmo depois de ter feito um dos governos mais corruptos e  incompetentes da história, e de empurrar seu país para uma tragédia econômica de proporções quase venezuelanas, a ex-presidente Cristina Kirchner tem chances de voltar ao poder. Desta vez, como vice da chapa de seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández, que teve 47% dos votos nas primárias.

Se as urnas de outubro confirmarem a vitória, a culpa terá sido única e exclusivamente do presidente Maurício Macri , que ficou com 32% dos votos de domingo.

Bolsonaro prevê relação ‘bastante conflituosa’ com Argentina se Macri perder

A explicação para isso é singela. Por mais bem-intencionado que seja, Macri foi incapaz de promover  as reformas que tirariam a Argentina do buraco para o qual foi empurrada por Cristina e seus comparsas. Foi o que bastou para que os mesmos populistas que criaram as dificuldades que a Argentina enfrenta nos últimos anos voltassem à cena com força total.

Maurício Macri arrow-options
Antonio Cruz/Agência Brasil
Mauricio Macri: não importa os problemas que herdou. Era dele a responsabilidade de resolvê-los


Refugiados argentinos

Populistas são, por definição, persuasivos e traiçoeiros. Livrar-se deles exige mais do que as boas intenções que Macri tem demonstrado desde o início de seu governo. Ardilosos, têm o hábito de preparar armadilhas e de responsabilizar os oponentes pelos erros que eles mesmos cometeram.

E sempre surpreendem pelo cinismo quando insistem em chamar de Justiça Social a gastança de dinheiro público que promovem para encher os bolsos dos amigos mais chegados. É assim que eles agem na Argentina, no Paraguai, na Cochinchina ou, claro, no Brasil.

No caso específico dos populistas argentinos, o que mais espantou foi a capacidade que tiveram de recuperar o fôlego quatro anos depois de parecerem asfixiados para sempre.

Governo Bolsonaro estuda rever Mercosul se Macri realmente for derrotado

Na segunda-feira, numa solenidade na cidade gaúcha da Pelotas, o presidente Jair Bolsonaro falou a respeito das primárias no país vizinho. Com sua capacidade inesgotável de criar problemas onde antes não havia, traçou um quadro tenebroso para o caso da “esquerdalha” voltar ao poder na Argentina.

Segundo ele, a eventual vitória de Fernández deixaria o Rio Grande do Sul diante de um problema monumental. Assim como o estado de Roraima foi invadido por venezuelanos em fuga do bolivarianismo, o estado será invadido por refugiados argentinos caso os peronistas vençam a eleição.

Sem querer dar à conhecida incontinência verbal do presidente mais importância do que ela tem, é bom lembrar que Bolsonaro ganharia mais se estudasse o cenário político-econômico da Argentina e constatasse o óbvio: Macri corre o risco de perder as eleições de outubro porque, ao invés de mirar o futuro, ficou preso às comparações com o passado.

Veja Também  Alta do investimento mostra qualidade do PIB, diz secretário

Por não ter a capacidade de encontrar a solução para os problemas que se propôs a resolver, fez um governo de resultados tão pífios que passou uma borracha sobre as lambanças que sua antecessora fez nos oito anos que passou na Casa Rosada.

Mais do que Bolsonaro, Macri herdou uma economia em frangalhos. Mas, por mais profunda que tenha sido a crise criada ao longo de anos de populismo, era dele a obrigação de tirar o país do buraco em que se encontrava. O mesmo vale para o Brasil. 

Os erros do passado petista foram o ponto de apoio onde Bolsonaro firmou sua alavanca para ganhar as eleições do ano passado. A partir do instante em que ele assumiu a cadeira de presidente, queira ou não queira, o problema passou a ser dele, não dos antecessores.

Se Bolsonaro não se convencer disso, corre o risco de daqui a quatro anos deixar o Planalto ao som de um tango tão desafinado quanto o que ameaça Macri .

Ambiente econômico

A incapacidade do populismo peronista de tomar decisões corretas deixou a Argentina tão devastada que, por mais que Macri tenha trabalhado, seu esforço foi insuficiente para colocar o país no rumo virtuoso.

Deveria ter feito mais do que conseguiu fazer ao longo de seu mandato. O Brasil, submetido ao sendo de urgência peculiar do presidente da Câmara, Rodrigo Maia , está na iminência de seguir na mesmíssima direção.

Ao ritmo da batuta lenta de Maia, as reformas avançam tão lentamente que faz com que as vitórias obtidas deixem de ser comemoradas por seus efeitos positivos. Um exemplo disso está acontecendo agora, bem debaixo de nossos narizes.

Por mais positiva que tenha sido a notícia da votação da Reforma da Previdência em segundo turno pela Câmara, seu impacto sobre o ânimo do mercado, se é que teve algum, foi imperceptível. 

Ou melhor, se houve mudança de cenário desde que o projeto da Reforma da Previdência começou a ser discutido e desidratado na Câmara, foi para pior. Dias depois da aprovação em segundo turno, o IBGE divulgou a projeção do PIB do segundo semestre de 2019 — ano em que se esperava uma virada positiva na curva de crescimento.

Só que, ao invés de avançar, a economia engatou marcha à ré. De acordo com o IBGE, o PIB, que já havia recuado 0,2% entre janeiro e março deste ano, caiu outros 0,13% entre abril e junho. Esses números representam a volta ao estado de  recessão técnica do qual o Brasil tinha se livrado no ano passado.

Tudo bem! Por mais bem recebida que tivesse sido, seria impossível para qualquer medida aprovada no mês de agosto refletir positivamente sobre os números do primeiro semestre. Isso é óbvio!

O problema é de outra natureza: como os governos que o Brasil teve no passado recente, o de Bolsonaro não parece preocupado em criar um ambiente econômico favorável aos negócios e, portanto, ao crescimento.

Assim como Macri sempre se queixou da falta de tempo para resolver os problemas de seu país, o governo de Jair Bolsonaro segue na mesma linha. Na segunda-feira, o ministro da Economia Paulo Guedes pediu calma ao mercado. “Não trabalhem contra o Brasil. Tenham um pouco de paciência”, disse Guedes durante um debate promovido pelo Superior Tribunal de Justiça.

Paulo Guedes arrow-options
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Ministro da Economia Paulo Guedes pede paciência quando o país precisa de pressa


Problemas vivos

Será que paciência é o remédio? Claro que não: o país precisa é de pressa. Naquilo que é essencial, os problemas brasileiros são os mesmos do passado petista e parecem mais vivos do que nunca.

Veja Também  Senado prorroga isenção de impostos para templos religiosos até 2032

O déficit público continua crescente e, pressionada pela recessão, a  arrecadação segue em queda livre. As marcas do populismo, que estão entre as causas primárias dos males econômicos do Brasil, permanecem vivas, sobretudo, nos privilégios desfrutados pelas corporações mais poderosas.

Veja também: Um freio nos exterminadores de empregos

É bom insistir nesse ponto: tudo o que mudou no país, no final das contas, foi a direção do discurso . Todo o resto permaneceu igual ou, na melhor das hipóteses, muito parecido com o que era antes.

Isso mesmo. Está certo que a orientação ideológica das autoridades no atual governo é distinta daquela que prevaleceu no país a partir de 2003. Só que, assim como na Argentina, isso não basta para tirar o país do buraco, gerar empregos e renda para a população.

Mesmo assim, ninguém se mostra interessado em criar um ambiente mais favorável ao crescimento. E enquanto isso não acontecer, por mais que Maia seja aplaudido por ter feito “a reforma possível”, a economia manterá seu passo de caranguejo em direção ao fundo do mangue.

Atenção! Por ambiente favorável entenda-se única e tão somente um cenário onde impere a racionalidade fiscal, a segurança jurídica e a estabilidade das regras do jogo. 

Seria possível para Bolsonaro ter feito tudo isso em seus oito meses e meio de governo? É óbvio, é evidente que não. Seria possível ter acelerado o passo e feito mais do que fez? Claro que sim.

Mas basta alguém pedir um pouco mais de celeridade para que  alguém logo venha alertar que “não há clima político” ou que “o momento não é o mais adequado” para fazer o que é necessário.

Isso mesmo: a implantação de um ambiente econômico favorável aos negócios acabaria com os privilégios dos que lucram com a situação atual. E como os que lucram são justamente os que têm o Estado nas mãos, eles fazem tudo o que podem para impedir que sejam tomadas as medidas sensatas, capazes de destravar a economia. Foi assim na Argentina, é assim no Brasil.

A questão é simples: sem racionalidade fiscal, sem segurança jurídica e sem estabilidade das regras do jogo não haverá investimento , não haverá consumo e não haverá comércio internacional vantajoso.

Se alguém achar uma maneira de gerar o  crescimento sustentável sem cumprir pelo menos dois desses requisitos é candidato a mais do que o Prêmio Nobel de Economia. É candidato a santo milagreiro.

Fernández e os ficha-suja

O que não falta no caminho de Bolsonaro são entulhos que precisam ser removidos para que o país volte a avançar. Muitas bombas relógio, que surgiram como consequência das medidas populistas tomadas a partir de 2003, estão aí para serem desarmadas.

O problema é que não importa quem tenha causado o problema: a responsabilidade pela solução é e sempre será de quem está no poder .

Se no primeiro ano de seu governo Macri tivesse sido capaz de desmontar as armadilhas que tornavam o ambiente econômico em seu país hostil aos negócios, talvez não estivesse, neste momento, correndo o risco de entregá-lo a Alberto Fernández e aos ficha-suja que o acompanham.

Jair Bolsonaro arrow-options
Marcos Corrêa/PR
o problema não são os refugiados argentinos, mas o risco de surgirem os refugiados brasileiros



Parece injusto, mas é assim mesmo que as coisas funcionam: como nada foi feito em seu devido tempo, Macri corre o risco de deixar a Casa Rosada apenas quatro anos depois de ter se instalado lá. Quando a Bolsonaro, bem… se seu governo não fizer o que prometeu pode ser que, ao invés de receber refugiados, passar a exportar refugiados.

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook

Economia

Dinheiro dá em árvores

Avatar

Publicado

source
Domingos Neto arrow-options
Câmara dos Deputados
Deputado Domingos Neto foi o relator da proposta do Fundo Eleitoral na Comissão Mista de Orçamento

É aquela história mais do que manjada: há duas notícias a serem comentadas neste artigo, uma boa outra ruim. A boa são os sinais ainda tímidos, mas já estimulantes, de recuperação da economia, divulgados na última terça-feira.

A notícia ruim, ou melhor, péssima, é a decisão da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional , que resolveu aumentar para R$ 3,8 bilhões o total de dinheiro do povo destinado a bancar campanhas eleitorais.

Dinheiro da saúde e educação será usado no aumento do fundo eleitoral

São notícias aparentemente desencontradas. À primeira vista, não existe a menor relação entre uma coisa e outra. Quem reparar direito, no entanto, verá que elas estão unidas num encaixe tão perfeito que torna-se difícil não tratá-las como peças de uma mesma máquina que, no Brasil, já não vem funcionando bem há muito tempo.

A máquina, no caso, é a bomba que, de um lado, tira dinheiro da sociedade , na forma de impostos, e, do outro, utiliza esses recursos para irrigar a máquina do governo e os investimentos do setor público. Quanto mais dinheiro entrar, mais gastos podem ser feitos.

Como a economia, daqui por diante, deve funcionar num ritmo mais acelerado do que funcionou até aqui, é razoável imaginar que o orçamento público de 2020 tende a ser mais folgado do que o de 2019.

PIB cresce 0,6% no terceiro trimestre alavancado por consumo das famílias

 Economia mais aquecida é, por definição, sinônimo de aumento na arrecadação de impostos. Sendo assim, a tendência é que sobre mais dinheiro para os investimentos públicos , que andam comprimidos desde que o governo de Dilma Rousseff empurrou o Brasil para a maior crise econômica de sua história.

Mentalidade estroina

O crescimento do PIB entre janeiro e setembro desde ano foi de 1%. Parece pouco — e
é pouco mesmo. Mas para uma economia que vinha nos últimos anos alternando quedas
com crescimentos pífios, é motivo de alívio.

Ele indica, numa comparação razoável, uma melhora no estado geral de um paciente que ainda está longe de receber alta, mas já está melhor do que antes.

Com o anúncio desse número, o humor mudou de uma hora para outra e as mesmas vozes que previam uma economia ainda claudicante nos próximos meses passaram a projetar um crescimento superior a 2% para o PIB  de 2020.

Análise: As lições que vêm do Sul

Se isso realmente acontecer, haverá mais negócios , mais empregos e mais consumo. Com isso a arrecadação, como parece óbvio, subirá. Com isso, sobrará mais dinheiro para os investimentos.

O problema é que, no Brasil, o Estado e seus representantes têm uma mentalidade estroina: não podem ver dinheiro em caixa que, ao invés de utilizá-lo para bancar despesas necessárias, logo decidem gastá-lo com suas próprias prioridades  — nunca com as prioridades do cidadão.

Veja Também  Senado prorroga isenção de impostos para templos religiosos até 2032

É nessa rubrica que entra o aumento do Fundo Eleitoral (uma despesa que, num país que merecesse ser levado a sério, não deveria ser bancada com dinheiro do povo).

É como chamar o cidadão de idiota

Os R$ 3,8 bilhões aprovado pela Comissão representam um valor R$ 2 bilhões superior ao que foi destinado às campanhas federais e estaduais do ano passado. É, também, quase o dobro daquilo que o governo já havia destinado para essa finalidade na proposta de Lei Orçamentária enviada ao Congresso para valer em 2020.

No documento, o governo pretendia destinar R$ 2 bilhões para as campanhas — valor que, convenhamos, já era um absurdo.

A explicação para toda essa generosidade dada pelo astuto deputado Domingos Neto (PSD-CE), que foi o relator da matéria na Comissão Mista de Orçamento é um daqueles raciocínios que parecem que ter como único objetivo tratar como idiota o cidadão que paga impostos.

Segundo Neto, o dinheiro que será usado para pagar as gráficas, contratar os cabos eleitorais, comprar cafezinho para os comitês, organizar comícios e bancar outras despesas de campanha, não sairá “de canto nenhum” — ou seja, nenhuma área da  administração pública será prejudicada pela medida.

Calma! Sua Excelência não quis dizer que o dinheiro que bancará as campanhas simplesmente aparecerá num estalar de dedos — como se um gênio saísse de uma lâmpada e atendesse o desejo dos candidatos que disputarão cargos de prefeitos e vereadores. Não foi isso que ele quis dizer, mas foi quase.

Pelo raciocínio de Domingos Neto, os R$ 2 bilhões que o governo tinha prometido para as campanhas já estavam no orçamento e lá permaneceram.

O R$ 1,8 bilhão que completa a bolada foi parar na proposta porque o governo, em sua proposta orçamentária, subestimou os lucros que empresas como Petrobras e Banco do Brasil destinarão aos cofres públicos.

Veja também: O Brasil continua nanico diante do mundo

 Ninguém sabe quanto essas empresas lucrarão. Ninguém sabe o valor dos dividendos que poderão destinar a seus acionistas sem que isso comprometa seus programas de investimentos.

Mas Domingos Neto já quer destinar parte da bolada para eleger prefeitos e deputados pelo país afora. Em tempo: ainda bem que o anúncio de  crescimento do PIB saiu quando já não era mais possível para os senhores parlamentares tomá-lo como base para abocanhar um naco ainda maior do dinheiro do povo.

Num país onde os agentes do Estado definem os critérios para o gasto do dinheiro público a partir de seus próprios interesses, e não dos interesses do cidadão, chega a ser um milagre que a economia tenha crescido 1% em nove meses.

Veja Também  Quer apostar? Mega-Sena deste sábado vai pagar R$ 3 milhões

Em economia, ao contrário do que parece pensar Domingos Neto e os partidos políticos que apoiam sua proposta, não existe milagre.

O PIB, para crescer, precisa ser estimulado por pelo menos um de três fatores: o investimento do setor privado, o investimento do setor público e o aumento das exportações. No caso do Brasil, apenas uma dessas três condições garantiu o crescimento em 2019 e deverá continuar sendo o motor do crescimento em 2020.

Segunda divisão

tragédia de Brumadinho arrow-options
Reprodução
Rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão da Vale, além da tragédia humana, derrubou as exportações de minério de ferro neste ano

Vamos aos fatos. Se dependesse do estímulo da balança comercial , o PIB teria recuado ao invés de crescer o 1% registrado entre janeiro e setembro.

Embora superavitário, o saldo das exportações brasileiras em relação às importações, entre janeiro e novembro de 2019, ficou mais de R$ 10 bilhões abaixo do valor obtido nos mesmos 11 meses de 2018.

A queda se justifica. O desastre causado pela Vale na mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, jogou abaixo as exportações brasileiras de minério de ferro , que sempre foram fundamentais para a composição do saldo positivo.

Não foi do comércio exterior, portanto, que veio o estímulo ao crescimento da economia. O estímulo também não veio do setor público .

É de conhecimento geral — e nem o governo nega isso —que o orçamento da União para 2019 mal deu para cobrir as despesas correntes e que o governo, devidamente autorizado pelo Congresso Nacional em junho, precisou levantar empréstimos para pagar os salários dos servidores, quitar a conta de luz e comprar papel higiênico para as repartições públicas.

Com a arrecadação comprimida pelo desempenho sofrível da economia, não sobrou um tostão para o governo e seus agentes investirem em rodovias, portos, hidrelétricas, aeroportos, saneamento e em outros equipamentos públicos que, em alguns momentos específicos da história, foram um motor importante do crescimento.

Sendo assim, se PIB não cresceu por causa do comércio exterior nem dos investimentos do setor público, o investimento do setor privado — nacional e estrangeiro — foi, por exclusão, a única mola que impulsionou o PIB para a frente.

Independente dos motivos que levam o setor privado a investir, o fato é que é daí que o país está tirando forças para se recuperar. Ver parte do resultado desse esforço se transformar em dinheiro para bancar campanhas eleitorais sem que a sociedade seja consultada a esse respeito é frustrante.

A proposta ainda não é definitiva . Será levada ao plenário no dia 17 de dezembro — mas a chance de que ela venha a ser rejeitada pelos deputados e senadores é a mesma de um clube que passou o campeonato inteiro jogando um futebol medíocre ser salvo da degola na última rodada da disputa. Pode até acontecer, mas só se for por milagre.

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook
Continue lendo

Economia

O que dá para comprar com novo limite de importação dobrado para US$ 1 mil

Avatar

Publicado

source
turista arrow-options
shutterstock
Comprar eletrônicos, eletrodemésticos e instrumentos musicais no exterior pode ficar mais fácil

A promessa do governo federal de dobrar o limite de compras no exterior para US$ 1 mil deve agradar os turistas brasileiros, ávidos compradores durante viagens para trazer novidades e aproveitar preços mais em conta.

O anúncio foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, em discurso na cúpula do Mercosul, mas a medida ainda não foi oficializada.

Brasileiro poderá gastar o dobro em compras sem taxas no exterior após acordo

 Na expectativa pela ampliação do limite, listamos alguns produtos que poderão ser comprados em viagens ao exterior. Mesmo com a alta do dólar, os preços cobrados lá fora são mais convidativos que no mercado nacional.

Eletrônicos

Equipar a casa com produtos eletrônicos de ponta pode se tornar mais fácil com a nova cota para bagagens. Menores que os home theaters , as barras de som , ou soundbars , podem ser uma boa opção de compra para quem deseja melhorar o som ao assistir séries e filmes.

Elas cabem na mala e, mesmo com o dólar em alta, são mais baratas lá fora do que no Brasil.

Nos EUA, por exemplo, uma barra de som Samsung , com 2.1 canais e subwoofer, custa US$ 129, cerca de R$ 540 em conversão direta. Por aqui, um produto similar sai por R$ 1.099.

Veja também: Bolsonaro diz que prioridade para cúpula do Mercosul é consolidar acordo com UE

E com o novo limite, os mais abastados podem investir em produtos de maior qualidade, como o Bose Soundbar 700, que custa US$ 699, cerca de R$ 3 mil , mas por aqui o equipamento é vendido por R$ 6.799.

Eletrodomésticos

Os aspiradores de pó robóticos são o sonho de todos que têm no cotidiano o desprazer de varrer a casa diariamente.

Veja Também  Quer apostar? Mega-Sena deste sábado vai pagar R$ 3 milhões

Existem versões mais em conta, mas com a nova cota é possível incluir na bagagem o modelo mais recente da Roomba, o i7, que mapeia a residência e pode ser acionado para qualquer ambiente, diretamente pelo smartphone.

Nos EUA, ele sai por US$ 499 , cerca de R$ 2,1 mil, quase a metade do valor cobrado aqui, de R$ 4.140.

Black Friday: Vendas online faturam R$ 3,2 bi e crescem pelo celular

 Para a cozinha, a linha da KitchenAid é uma boa pedida de compras no exterior. A conhecida batedeira profissional da série 600 custa nos EUA US$ 330, pouco menos de R$ 1,4 mil. Por aqui, o mesmo produto sai por R$ 2.799.

A nova cota permite até mesmo a compra de televisores , apesar de o transporte ser um complicador. Nos EUA, é possível encontrar aparelhos imensos, de 65 polegadas e resolução 4K, com valores em torno de US$ 500, cerca de R$ 2,1 mil. Por aqui, o preço está na casa dos R$ 3 mil.

Computadores e tablets

A compra de computadores em outros países apresenta um complicador: os teclados não seguem o padrão brasileiro . Nos EUA, por exemplo, eles não têm a cedilha e os acentos.

Mas se isso não for um empecilho, por lá eles são bem mais em conta que por aqui. Os modelos mais recentes da Apple ficam fora do teto, já que o mais barato, o Macbook Air, custa a partir de US$ 1.099. Mas existem produtos de outras marcas, mais em conta do que similares no Brasil.

Quem está atrás de um tablet pode se beneficiar com o aumento da cota de importação. O iPad Pro custa a partir de US$ 799 nos EUA, ou R$ 3,3 mil. Por aqui, o modelo mais em conta sai por R$ 6.799. O iPad Air sai por US$ 499, por volta de R$ 2 mil. Aqui, o mesmo produto custa R$ 4.499.

Veja Também  Consumidor deve ter mais gastos com ceia de Natal em São Paulo

Smartphones

Para a compra de smartphones no exterior, o aumento da cota de importação abre espaço para os modelos top de linha . O iPhone 11, da Apple, sai a US$ 699, ou R$ 2,9 mil.

No Brasil, o mesmo aparelho sai por R$ 4.999 . Já o Galaxy Note 10, da Samsung, custa a partir de US$ 950, nos EUA, cerca de R$ 3,5 mil. Por aqui, o preço é de R$ 5.299.

Vale destacar que existe uma regra da Receita Federal que exclui da cota de importação produtos de uso pessoal, e os smartphones estão nessa categoria.

Porém, a isenção vale apenas para um aparelho, que esteja em uso . Caso o viajante tenha saído do Brasil com um celular e adquiriu outro no exterior, ele somente será incluído nesta regra se for comprovado defeito no telefone levado.

Smartwatches

Essa regra também vale para os relógios inteligentes, objeto de desejo de muitos. Por aqui, o Apple Watch Series 5 , o mais recente da linha, custa a partir de R$ 3.999.

Nos EUA, o preço inicial é de US$ 399 , cerca de R$ 1,7 mil. O Galaxy Watch LTE 46mm, da Samsung, custa R$ 2.599, enquanto nos EUA ele sai por US$ 349, cerca de R$ 1,5 mil.

Instrumentos musicais

Com o novo limite, músicos e entusiastas podem aproveitar viagens ao exterior para adquirir instrumentos, a preços abaixos dos cobrados por aqui.

Uma guitarra Fender Stratocaster é vendida no site da Amazon, nos EUA, a US$ 675, ou R$ 2,8 mil. Por aqui, o mesmo instrumento sai por R$ 5.290.

Fonte: IG Economia
Comentários Facebook
Continue lendo

Destaques

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana