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Entre o humor e o pesar, “After Life” analisa o que nos motiva a viver

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A nova série de Ricky Gervais, criador de “The Office” (2001 – 2003) é uma dessas coisas brilhantes e fluídas, de difícil rótulo, que surgem na TV de vez em quando. “After Life” trata do luto, ao observar os absurdos da vida, mas também os pequenos afetos, com engenho, pesar, e indevassável beleza. 


Ricky Gervais em cena de After Life, já disponível na Netflix
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Ricky Gervais em cena de After Life, já disponível na Netflix

Ricky Gervais
, que escreve e dirige todos os episódios de “After Life”,
vive Tony, um homem que parece se recusar a superar a morte da mulher, que partiu após sucumbir a um câncer. Ele trabalha em um pequeno jornal de bairro comandado pelo cunhado, o inspirado Tom Basden.

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A rotina de Tony consiste basicamente em entrevistar figuras estranhas com histórias bizarras como uma mancha de vazamento que se parece com Kenneth Branagh ou um bebê que lembra Adolf Hitler. O protagonista parece se desencontrar de sua humanidade, de sua capacidade de empatia e as interações com o cunhado e com seus outros colegas de trabalho são os principais termômetros dessa realidade.

Outras cenas preciosas dessa primeira temporada são quando ele está em consulta com seu psquiatra, um tipo para lá de hermético vivido por Paul Kaye (“Game of Thrones”), ou em outro tipos de consulta, como com o viciado em drogas Julian (Tim Plester) ou com uma viúva que conversa com seu falecido marido no cemitério.

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A série combina aquele humor incômodo, ora lacônico ora ruidoso, de Gervais e o faz com inteligência destacável. A produção enseja reflexões existenciais a partir de casos muito concretos de quem vive ou viveu situações análogas. 



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“After Life – Vocês vão ter de me engolir”

Como ator, Gervais nunca esteve melhor. Não permite que o tempo do humor afete a construção dramática de seu personagem e também faz maravilhas nas cenas mais pesadas – elas não são poucas. 

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“After Life”
marca mais uma colaboração bem sucedida do britânico com a Netflix
. Além do especial de humor “Humanidade”, ele também fez os filmes “David Brent: A Vida na Estrada” (2016) e “Special Correspondents” (2016), além de participar de séries como “BoJack Horseman”.

Fonte: IG Gente
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Animação para adultos, “Love, Death & Robots” radicaliza conceito seriado

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Revolucionária na forma, é uma animação para adultos antológica, e na estética, os 18 episódios têm entre 5 e 18 minutos, “Love, Death & Robots” é forte candidata a série do ano. Criada por David Fincher, que já colaborara com a Netflix nas séries “House of Cards” e “Mindhunters”, e Tim Miller, o diretor do primeiro “Deadpool”, a produção é um deleite visual e empolgante tematicamente.

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Cenas de Love, Death and Robots
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Cenas de Love, Death and Robots

Todos os episódios dessa primeira temporada de “Love Death & Robots”
, como entrega o nome, tratam de amor, morte e robôs. Uma comparação válida, ainda que pobre, é com “Black Mirror”, já que muitos dos episódios são chapados, lisérgicos e provocam surtos existenciais e reflexivos.

Há outros em que a viagem filosófica vai além da pertinência contemporânea. É o caso de “Zima Blue”, que flagra uma artista animatrônico – uma espécie de inteligência artificial que revolucionou o mundo das artes – que prepara o seu último grande trabalho. Trata-se de uma avaliação sobre o sentido da vida de tirar o fôlego, ainda que o episódio seja de dez minutos e fundamentalmente narrado em 1ª pessoa. É para se pensar em Kubrick!

Há, ainda, a sátira política “When the Yogurt Took Over”, que mostra como fica o mundo depois que o Yogurt desenvolve inteligência e sana a dívida pública. Já em “Alternate Histories”, um computador imagina realidades alternativas a partir de seis tipos de mortes diferentes para Hitler. É impagável!

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Montagem com cenas dos episódios de Love, Death and Robots
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Montagem com cenas dos episódios de Love, Death and Robots

Todos os episódios são dirigidos por diretores diferentes e de diversos cantos do globo, sempre com a supervisão de Tim Miller
. A produção radicaliza a maneira de contar histórias seriadas e o faz com indefectível assombro estético.

Há a ficção científica casca-grossa como “Beyond the Aquila Rift”, que tem uma das melhores cenas de sexo da história da animação, e o inusitado drama de ação em que lobisomens são instrumentalizados pelos militares em “Shape-Shifters”.

Todos esses são episódios ressonantes, mas há aqueles que visam o mero entretenimento, ainda que com boas piadas, tramas ou personagens como no tenro “Three Robots”, sobre três robôs em excursão por uma Terra pós-desastre nuclear, ou no esperto “The Dumb”, sobre um sujeito que mora no lixão e recebe a visita da Prefeitura.

O estilo da animação
varia do mais rudimentar 2D ao mais avançado CGI, com direito a Performance Capture.

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“Love, Death & Robots”
é um triunfo da Netflix por todos os ângulos que se observe. É uma produção criativamente voraz (a pulga não vai sair da sua cabeça após assistir ao 3º episódio denominado “The Witness”), sutil, elétrica, inteligente, divertida e essencialmente humana em suas divagações.


Love, Death and Robots
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Love, Death and Robots

Fonte: IG Gente

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Conceitualmente sofisticado, “Nós” usa o terror para fazer o público pensar

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“Portanto assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei”. A frase é do livro de Jeremias capítulo 11, versículo 11. O trecho biblíco é referenciado em “Nós”, novo filme de Jordan Peele, e pode ser um elemento valioso para uma compreensão mais inteira e multifacetada da obra.

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Cena de Nós, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros
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Cena de Nós, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros

Filme seguinte de Peele após o Oscar e o culto por “Corra!” (2017), “Nós”
é conceitualmente mais sofisticado do que o antecessor – é um filme de terror com um comentário social com ramificações psicanalíticas e esteticamente mais ousado -, mas tem seu sustentáculo em truques de direção e fórmulas de roteiro.

Não é um demérito, até porque representa um avanço consciente de Peele em matéria de estilo e narrativa, mas é uma questão que precisa ser observada quando comentários como “o novo Hitchcock” começam a pipocar na indústria e na crítica.

A costura da atmosfera de horror é algo que o cineasta já demonstra dominar sem esforço. Aqui ele entrega ao menos duas grandes cenas que nada ficam a dever ao cânone do gênero. Uma delas é uma chacina ao som de Good Vibrations
do The Beach Boys e outra em que um embate físico é coreografado como uma dança, algo que importa muito narrativamente.

Peele é um artesão e não tem nenhum pudor em demonstrar isso. Sai-se muito melhor na direção aqui do que em “Corra!”
, pelo qual foi indicado ao Oscar na categoria, mas o roteiro tem gargalos. O fato de esta crítica pormenorizar o trabalho de Peele é, em si mesmo, um atestado de sua relevância para o cinema americano atual e do otimismo que enseja. É um autor a se observar de muito perto.  

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O horror em nós


Lupita Nyong'o faz jornada dupla e brilha intensamente em Nós
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Lupita Nyong’o faz jornada dupla e brilha intensamente em Nós

Logo no prólogo uma camiseta de Thriller
, de Michael Jackson dá o tom. O parque de diversões parece especialmente assustador. Para além do traquejo da câmera, o diretor parece querer nos dizer algo. Essa sensação será recorrente em outras cenas aparentemente banais. Como quando coelhos surgem em meio aos créditos de abertura ou em uma consulta com uma terapeuta.

Este é um filme que trabalha com significantes e significados. Os signos, portanto, são mais reponsabilidade da audiência do que o eram em “Corra!”, ainda que muito do ritmo e do desenrolar da trama seja similar.

Conjugando referências que vão de Cronenberg a Hitchcock, o cineasta ilumina um pesadelo recorrente. Nós somos nosso pior inimigo.


Jordan Peele no set de Nós
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Jordan Peele no set de Nós

Quem viu os trailers, que causaram comoção nas redes sociais, sabe que a família Wilson encontra uma versão de si mesma durante uma viagem de férias na praiana Santa Cruz. Cidade em que a matriarca Adelaide ( Lupita Nyong`o
) vivenciou um trauma na infância (o prólogo).

A ideia de deslocamento e de enfrentamento de uma situação incômoda como ponto de partida para o terror é poderosa em Peele.

Antes do fim da primeira metade, os replicantes dos Wilson aparecem e eles não parecem ter pressa em expor suas reais intenções.

O comentário social aqui surge mais diluído do que no filme anterior, mas também é mais sofisticado. A segregação social, suas raízes, efeitos e circunstâncias dominam a cena dessa “invasão”.

Em um determinado momento, “Nós” se assume como distopia e mostra a polivalência de Peele enquanto realizador, pois além do bom trânsito entre terror e humor (o uso do humor para quebrar a tensão é muitíssimo bem aplicado), o cineasta adentra o terreno da ficção científica mais aguda para adornar seu plot twist.

Furacão Lupita


Lupita Nyong'o em cena de Nós
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Lupita Nyong’o em cena de Nós

Vencedora do Oscar por “12 Anos de escravidão”, Lupita Nyong’o não só tem o melhor papel de sua carreira até o momento, como oferta seu melhor desempenho. Em papel duplo, como boa parte do elenco, a atriz arrasa. O medo que pulsa da obra emana eminentemente dela.

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Tanto como Adelaide, essa mulher traumatizada e assombrada obrigada a lidar com um horror inominável, mas fundamentalmente como Red, uma “sombra”, como a própria define, de Adelaide, com impulsos sádicos e desejos obscuros, a atriz estarrece.  A voz que desenvolve para Red é de dar calafrios.

Winston Duke, que assim como Lupita também esteve em “Pantera Negra” (2018), está fantástico como Gabe, o marido caricato. Ele é responsável pela principal válvula de humor do filme.

Há, ainda, de se observar a destreza de Elizabeth Moss, atriz soberba que está no filme muito provavelmente em virtude de seus predicados admiráveis como intérprete, e que sem falar muito, e com pouco tempo em cena, mesmeriza com uma performance essencialmente física.

Este é um filme em que a fisicalidade importa tanto quanto o psicológico e este é outro desagravo a se fazer ao trabalho de Peele enquanto autor.

Reverberações


Elizabeth Moss em cena de Nós
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Elizabeth Moss em cena de Nós

Assim como em “Corra!”, o espectador se sente desafiado a reverberar o que assistiu. Esta é uma obra que rejeita a passividade. É preciso se lançar a ela, nela. Esse é um tipo de cinema especialmente em falta na Hollywood de hoje e se configura justamente no grande capital de Peele enquanto artista.

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Este é um trabalho de um artista destinado a ser grande e que tem essa ambição. Como segunda obra de alguém com essas características tem problemas, mas o sarrafo para Jordan Peele está bem alto. Sabores e dissabores de soar tão provocativo e inteligente.

“Nós”
é cinemão para consumir com pipoca e refrigerante na sala escura e também é obra para se analisar na faculdade – e para alimentar rodas cinéfilas em bar. É uma produção tão completa, nos acertos e nos erros, que merece ser celebrada por tudo o que representa.

Fonte: IG Gente
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