conecte-se conosco


CEPEA

AÇÚCAR/PERSPEC 2019: Além de estoque e consumo, em 2019, preços estarão à mercê do petróleo

Avatar

Publicado

Clique aqui e confira o release completo em word.

 

Cepea, 14/01/2019 – O mercado vem trabalhando com perspectiva de recuperação pouco acentuada dos preços internacionais de açúcar para 2019, mesmo com os sinais de redução do superávit global, segundo afirmam pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Analisando-se os contratos em aberto na Bolsa de Nova York (ICE Futures), prevalece uma espécie de barreira para ultrapassar os 14 centavos de dólar por libra-peso – historicamente, um dos principais aspectos que dificulta a recuperação de preços é estoque volumoso.

 

De fato, expectativas apresentadas pelo USDA indicam que um novo patamar de estoques – superior ao do período anterior, de 53 milhões de toneladas métricas, ou seja, próximo de 30% da produção total – terá entrada em 2019, composto em grande parte pela Índia, que acumulou volume suficiente para compensar a redução observada nos estoques da China e da União Europeia.

 

Além disso, a despeito dos preços relativamente baixos que prevaleceram em 2018, a produção global ainda não deve apresentar forte retração em 2019, o que também pode influenciar os valores. A FAO apresentou expectativa de produção recorde de 187,6 milhões de toneladas para a temporada 2017/18, superior em 11% à do ano anterior.

 

Dessa forma, o balanço entre produção e consumo global de açúcar apresentará um segundo superávit consecutivo em 2019, ainda que menos expressivo que o da temporada anterior. Em novembro/18, a Organização Internacional de Açúcar (OIA) divulgou expectativa de superávit de 2,17 milhões de toneladas de açúcar e produção mundial de 180,49 milhões de toneladas. Também em novembro/18, a INTL FCStone estimou superávit menor, de 1 milhão de toneladas.

 

Algumas análises indicam que o mercado global de açúcar deve apresentar um superávit estrutural devido à retração no consumo. Isso parece pouco sustentado, no entanto, quando considerado que os países que vêm mantendo volumes elevados de produção e estoques respondem a estímulos de políticas dos governos locais, não sendo os que detêm menores custos de produção. Dessa forma, uma safra adicional de preços baixos deverá enxugar o excedente de países menos competitivos.

 

É importante não desmerecer, portanto, a maior flexibilidade da produção que do consumo da commodity. Sem preços sustentados, excedentes e estoques não se mantêm por dois a três ciclos em países pouco competitivos, devendo-se contabilizar o fato de que o Brasil, maior produtor mundial de cana, não apresenta, atualmente, uma produção vigorosa e em crescimento.

 

Ao contrário, no que tange à produção brasileira de açúcar, prevalece a apreensão quanto à idade dos canaviais na região Centro-Sul, tendo em vista a baixa taxa de renovação e o pouco investimento em manutenção da base produtiva do sucroalcooleiro. Outro motivo é a substituição dos canaviais velhos por outro cultivo mais rentável.

 

Segundo a consultoria Rabobank, as taxas de renovação dos canaviais para a temporada 2019/20 serão de 12% a 14%, resultando em um volume de produção semelhante ao do ciclo 2018/19. Segundo a Unica (União das Industrias de Cana-de-Açúcar), do início da atual safra (em 1º de abril de 2018) até 1º de dezembro de 2018, foram produzidas 544,32 milhões de toneladas, queda de 4,53% em relação à temporada anterior 2017/18. 

 

Contudo, condições climáticas mais favoráveis são esperadas para o Centro-Sul brasileiro, o que pode estimular o crescimento da cana e algum aumento na produção. Previsão apresentada em novembro/18 pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos indica uma chance da ocorrência do El Niño de 80%, o que provocaria chuvas regulares e abundantes no período vegetativo da cultura, favorecendo a produção no Centro-Sul brasileiro em 2019. 

 

Outro aspecto relevante a ser observado é o maior número de variáveis definindo os fundamentos do mercado de açúcar – particularmente relacionadas ao lado consumidor –, aumentando a incerteza com relação à evolução dos preços.

 

De fato, as expectativas de curto prazo indicam que o mercado de açúcar ficará mais exposto à tendência do consumo, tanto da commodity, quanto do etanol no mercado brasileiro. Embora ainda em crescimento, as perspectivas quanto à evolução da demanda global pelo açúcar têm sido menos positivas para o médio e longo prazos. Ainda assim, o USDA vem sinalizando que o consumo mundial em 2019 será recorde, com a expansão econômica em países como Índia e Indonésia.

 

Se a esperada recuperação econômica no Brasil vier a se consolidar, a pressão sobre o mercado mundial pode ser ainda maior, uma vez que já se trabalha com uma redução considerável no volume a ser exportado pelo País – da ordem de 8 a 9 milhões de toneladas –, devido a problemas relacionados à oferta.

 

A produção brasileira também tem estado fortemente condicionada ao mix de açúcar e etanol a ser adotado pelas usinas do Centro-Sul brasileiro na temporada 2019/20. Aos valores atuais – de acordo com o Rabobank, o preço do barril do petróleo tipo Brent tem oscilado na casa dos US$ 60,00 e o dólar, de R$ 3,85 –, o etanol pode ter vantagem sobre a gasolina nos postos de combustíveis, o que estimularia a manutenção de um mix mais alcooleiro como o da presente safra.

 

No entanto, em abril/19, a Opep volta a se reunir para discutir se o atual corte de produção de 1,2 milhão de barris por dia será mantido. Dependendo do desfecho dessa reunião, o cenário pode ser completamente diferente. Mudanças no câmbio e no patamar dos preços internacionais de açúcar também podem alterar o mix de produção.

 

Para a INTL FCStone, a região Centro-Sul do Brasil deverá aumentar a produção de açúcar em 11,2%, alcançando 29,3 milhões de toneladas no próximo ciclo 2019/20. Se o consumo se elevar em função de um crescimento de renda no País, os preços domésticos também devem subir, tudo mais constante. O balanço de açúcar no mercado brasileiro já não parece, no entanto, determinante para o patamar de preços internacionais.

 

INTERNACIONAL – Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Índia deve registrar recorde na produção na temporada mundial 2018/19, atingindo 35,9 milhões de toneladas, assumindo a posição do Brasil como maior produtor mundial. Para o USDA, o Brasil deverá produzir 30,6 milhões de toneladas do adoçante. A Índia continuará sendo a maior consumidora de açúcar, com 27,5 milhões de toneladas, aumentando os estoques, caso não exporte grande porção de seu excedente de produção. No entanto, com os baixos preços, o governo indiano pode não sustentar a expansão de produção de cana por mais de dois ciclos.

 

O menor volume de chuvas na Tailândia deverá reduzir a produção de açúcar para 13,8 milhões de toneladas na próxima temporada mundial 2018/19, segundo o USDA, queda de 6,18% em relação ao ciclo anterior.

 

Para a União Europeia, terceiro maior produtor mundial de açúcar, o USDA estima diminuição de 6,55% na produção, para 19,5 milhões de toneladas, devido aos baixos preços, que reduziram de 5% a 10% a área de produção da beterraba açucareira. A Sucden espera produção ainda menor para o bloco europeu, abaixo das 18 milhões de toneladas de açúcar.

 

A China – que já chegou a importar mais de 6 milhões de toneladas de açúcar na safra 2015/16 – deve comprar apenas 4 milhões de toneladas em 2018/19. As medidas adotadas para proteger os produtores locais permitiram essa diminuição nos volumes de importação. Com clima favorável e aumento da área de cultivo das matérias-primas, a China deverá produzir 10,8 milhões de toneladas do adoçante.

 

NORDESTE – A produção de cana-de-açúcar na região nordestina deverá atingir 45,6 milhões de toneladas na safra 2018/19 (iniciada oficialmente em setembro/18), aumento de 10,8% em relação à anterior, segundo dados divulgados em dezembro pela Conab. Espera-se aumento de 12,8% na produtividade, passando de 48,85 t/ha para 55,12 t/ha. A produção de açúcar no Nordeste é estimada em 2.569,7 mil toneladas pela Conab, elevação de 3,5%.

 

Alagoas é o maior estado produtor de cana-de-açúcar da região Norte/Nordeste, devendo registrar volume de 15,94 milhões de toneladas na safra 2018/19, 16,8% superior à anterior, ainda de acordo com a Conab.

 

Em Pernambuco, segundo maior produtor da região, a produção pode crescer 12,8%, atingindo 12,2 milhões de toneladas. De acordo com os dados do Sindaçúcar/PE divulgados em outubro de 2018, a safra do estado deve seguir até fevereiro/19, com 12 usinas em operação. A expectativa é de ampliar em 14% a produção estadual de cana-de-açúcar nesta safra, saindo de 10,9 milhões para 12,5 milhões de toneladas, já que a melhor distribuição das chuvas de janeiro a maio de 2018 favoreceu a recuperação da safra.

 

Quanto às perspectivas climáticas, o fenômeno meteorológico El Niño pode agravar a seca no Nordeste em 2019, segundo monitoramento da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações podem ser obtidas por meio da Comunicação do Cepea: (19) 3429 8836 / 8837 e [email protected]

Comentários Facebook

CEPEA

O Boletim do Leite de fevereiro já está disponível em nosso site

Avatar

Publicado

Cepea, 19/02/2020 – Nesta edição, confira:

 

Preços devem seguir firmes no primeiro trimestre Os preços do leite no campo seguem uma tendência sazonal. No verão, a produção é estimulada pelo maior volume de chuvas, que beneficiam as pastagens e, assim, a alimentação animal. Como consequência da maior produção no campo, os preços tendem a cair de novembro a março. Essa tendência dá certa previsibilidade para a tomada de decisão dos agentes de mercado. Leia mais.

 

Com estoques controlados, preço do UHT volta a recuar em janeiro Após o aumento no último mês de 2019, em janeiro, o preço do leite longa vida negociado no mercado atacadista de São Paulo registrou recuo de 1,8% frente a dezembro/19 e de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, fechando com média de R$ 2,37/litro. Leia mais.

 

Exportações reagem no primeiro mês de 2020 Em janeiro, foi registrada uma alta significativa nas exportações de leite em pó frente aos últimos anos. Segundo dados da Secex, o volume total exportado no primeiro mês de 2020 atingiu 1,02 mil toneladas, sendo que 97% foram destinados para a Argélia, no valor médio de US$ 3,10/kg. Vale lembrar que, em dezembro/19, a quantidade desse mesmo derivado não ultrapassou 11 toneladas. Leia mais.

 

2020 se inicia com alta nos custos de produção Os custos de produção de leite, representados pelos desembolsos do produtor, iniciaram 2020 com alta de 1,62% na média Brasil, que considera os estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP. Esse cenário se deve, principalmente, ao reajuste do salário-mínimo e ao aumento nos preços das rações. Leia mais.

Comentários Facebook
Continue lendo

CEPEA

MERCADO DE TRABALHO/CEPEA: Ocupações no agro fecham 2019 estáveis, com participação de 20% no total do BR

Avatar

Publicado

Clique aqui e baixe o release completo em word. 

Cepea, 19/02/2020 – Segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), a população ocupada no agronegócio brasileiro somou 18,3 milhões em 2019, praticamente estável (ligeira alta de 0,8%, ou 145 mil pessoas) na comparação com o ano anterior. A participação do agronegócio no mercado de trabalho brasileiro foi de 19,6% em 2019 – vale lembrar que, no total, a população ocupada somou 93,4 milhões de pessoas, avanço de 2% entre 2018 e 2019.

 

Esse resultado, segundo pesquisadores do Cepea, está atrelado a comportamentos distintos entre os segmentos do setor. O número de empregados cresceu nos segmentos industriais (insumos e agroindústria) e de agrosserviços, mas ficou estável na agropecuária (com queda não significativa).

 

PERFIL – Quanto à qualificação da mão de obra (ou ao nível de instrução), a tendência de aumento verificada nos últimos anos se manteve em 2019. Esse movimento é explicado pela redução do número de pessoas pouco instruídas trabalhando na agropecuária, reflexo da modernização e da concentração da produção, e do surgimento de oportunidades para uma mão de obra mais qualificada no segmento e também antes e depois da porteira.

 

Uma segunda tendência que vem sendo observada desde 2015 também se manteve em 2019: a de aumento da informalidade dos empregos. Uma terceira tendência mantida foi a de elevação da participação feminina no agronegócio. Entre 2018 e 2019, enquanto o número de homens atuando no setor ficou praticamente estável (+0,25%), o total de mulheres cresceu 2,02%, com adicional de 114 mil trabalhando nos diversos segmentos do agronegócio.

 

RENDIMENTOS – Quanto aos salários, houve estabilidade real para os empregados e aumento real para os empregadores, no agronegócio e no Brasil como um todo. Para os trabalhadores por conta própria, houve alta real no agronegócio, mas estabilidade no País.

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações sobre o Mercado de trabalho do agronegócioaquie por meio da Comunicação Cepea, com o prof. Geraldo Barros e com a pesquisadora Nicole Rennó: (19) 3429-8836 / 8837 e [email protected]

Comentários Facebook
Continue lendo

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana