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Sem Reino Unido na UE, Brasil perde “fiador” de acordo entre o bloco e Mercosul

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BBC

Em um encontro realizado há alguns meses em Londres, representantes do governo brasileiro foram interpelados por membros da Confederação de Indústrias Agrícolas do Reino Unido, a principal entidade do setor, sobre um tema polêmico que vem dividindo o País.

Eles queriam saber a posição do Brasil sobre o Brexit ? o plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, realizado nesta quinta-feira (23). A Grã-Bretanha optou, em votação de 52% contra 48%, pela saída do bloco.

“Nossa prioridade é negociar com a União Europeia e não com o Reino Unido individualmente”, respondeu, então, um alto funcionário do governo brasileiro presente na reunião.

Por trás da defesa do governo brasileiro pela permanência do país no bloco, estavam não apenas aspectos econômicos, mas também políticos.

Isso porque, segundo apurou a BBC Brasil, o Reino Unido tem sido um dos principais “fiadores” das negociações para o tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Encabeçado pelo Brasil, o acordo sofre resistência de países como a França, temerosos de que produtos agrícolas sul-americanos possam enfraquecer a agricultura local.

Por outro lado, apesar de subsidiada, a agricultura não é o forte da economia do Reino Unido (o setor responde por menos de 1% do PIB britânico), mais interessado nas perspectivas de negócio que se abririam com a ampliação do fluxo comercial ? especialmente para os setores de indústria e de serviços.

“O setor agrícola não é tão forte no Reino Unido como em outros países da Europa. O país sempre teve como princípio defender o livre comércio e está interessado nas oportunidades de investimento que vão surgir”, disse à BBC Brasil uma fonte envolvida nas negociações.

O Mercosul negocia há cerca de 16 anos com a União Europeia um acordo para ampliar o intercâmbio comercial entre os dois blocos. O objetivo é que o tratado envolva não só questões de barreiras tarifárias, mas também convergência e padronização de regras que facilitem a integração de cadeias produtivas.

Em maio deste ano, pela primeira vez desde 2004, União Europeia e Mercosul trocaram ofertas tarifárias para negociar um acordo de livre comércio do qual foram excluídos “produtos sensíveis” ? como carne bovina e etanol ? para o bloco europeu, em grande parte por pressão da França, maior potência agrícola europeia, e de outros países.

Mesmo assim, entidades agrícolas europeias criticaram o avanço das negociações. Segundo estudos citados por elas, a UE poderia perder até 7 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) se firmar o tratado com o Mercosul, “que já é um grande exportador de matérias-primas agrícolas”.

A UE e o Mercosul vão “analisar ofertas” e voltarão a se reunir em breve, antes das férias do verão europeu (inverno no Brasil), segundo o Itamaraty.

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Mas não é só essa a razão que explica a preferência do Brasil em negociar com a União Europeia.

Se somados todos os seus Estados-membros, o bloco europeu é hoje o principal parceiro comercial do Brasil ? com trocas anuais da ordem US$ 70,6 bilhões (R$ 241 bilhões).

“É muito mais vantajoso para o exportador brasileiro negociar com um bloco do que com um país individualmente”, disse à BBC Brasil uma representante do governo brasileiro que pediu para não ser identificada.

“Estamos falando de um mercado de 500 milhões de pessoas contra um mercado de 64 milhões. Na hipótese de o Reino Unido deixar a União Europeia, seria necessário criar novas normas e se adaptar a elas. Isso leva tempo e custa dinheiro”, acrescentou.

Na outra ponta, o Reino Unido responde, atualmente, por apenas 1,5% das exportações brasileiras. Como 15º parceiro comercial do Brasil, está longe de ser economicamente desprezível, mas sua importância geopolítica dentro da EU é “muito maior”, disseram especialistas à BBC Brasil.

Em entrevista à BBC Brasil, Alan Charlton, embaixador do Reino Unido no Brasil entre 2008 e 2013, disse que o país sempre se mostrou favorável ao acordo de livre comércio com o Mercosul.

“Se o Reino Unido sair da União Europeia, o Brasil perde um de seus maiores apoiadores dentro do bloco europeu e isso tornaria o acordo mais difícil de ser forjado”, afirmou.

Na avaliação de Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV-SP, o Brasil poderia ser prejudicado pela instabilidade gerada pela eventual saída do Reino Unido do bloco europeu.

Ele lembra que o Brexit (saída britânica) pode desencadear o início de um processo de ruptura maior na UE.

“Em primeiro lugar, a saída do Reino Unido da União Europeia poderia provocar uma crise financeira na Europa cujas implicações seriam, sem dúvida, sentidas no Brasil. Além disso, traria de volta o risco de instabilidade no continente aumentando tensões e aprofundando divisões. Essa instabilidade não é benéfica para o Brasil em termos de comércio”, afirma.

“Não acredito, assim, que essas perdas sejam compensadas por acordos bilaterais que o Brasil possa a vir firmar com o Reino Unido”, acrescenta.

Mudanças?

Mas Charlton faz a ressalva de que, na eventualidade de o Reino Unido sair da União Europeia, o Brasil ou até mesmo o Mercosul poderiam ter mais “facilidade” para negociar um acordo bilateral com o país “a longo prazo”.

“Se o Reino Unido realmente optar por abandonar a União Europeia, talvez seja mais fácil para o Brasil – ou até mesmo para o Mercosul – negociar um acordo bilateral. Um dos maiores problemas na negociação atual é a agricultura, que hoje já não tem presença forte na economia britânica”, avalia.

“Sem dúvida para o Brasil é mais vantajoso negociar com a União Europeia. Mas não me parece ser difícil que um acordo bilateral com o Reino Unido seja firmado numa eventual saída. Os novos governos brasileiro e argentina já se mostraram inclinados a explorar novos mercados”, acrescenta.

O atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, já deu indicações de uma possível guinada na política externa. Em declarações recentes, ele disse que o Mercosul não fará “concessões unilaterais” para destravar o acordo com a União Europeia.

“O Brasil não vai fazer concessões unilaterais, não faz sentido. Eles (UE) não fazem, por que nós vamos fazer?”, questionou Serra a jornalistas, durante viagem no mês passado a Paris, na França.

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Servidores do Banco Central confirmam fim da greve

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Após três meses de greve, os servidores do Banco Central (BC) aprovaram o retorno ao trabalho em assembleia sindical nesta manhã. A categoria voltará ao trabalho, mas pretende continuar o movimento com operações padrão, para tornar mais lentos projetos internos.

Por meio da assessoria de imprensa, o BC informou que a divulgação de estatísticas será retomada gradualmente. Ainda não há definição de datas, que serão comunicadas com cerca de 24 horas de antecedência.

Em nota, o Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinai) informou que, apesar do fim da greve, novas atividades de mobilização e protesto estão sendo debatidas no âmbito da categoria e serão divulgadas ao longo das próximas semanas. A entidade assegurou que o movimento não prejudicou a prestação de serviços essenciais ao longo dos últimos três meses.

“Desde o princípio, o movimento grevista ocorreu de maneira ordeira e responsável, garantindo a manutenção de serviços essenciais ao cidadão brasileiro, como o Pix”, destacou o texto. O sindicato informou que a mobilização “cumpriu seu papel”, porque o BC enviou ao Ministério da Economia propostas para a reestruturação da carreira, que envolve aspectos não salariais, e para a criação de uma gratificação por produtividade.

Os funcionários do BC ficaram em greve de 1º de abril até ontem (4), último dia possível para a entrada em vigor de aumentos salariais neste ano. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o Congresso precisaria ter aprovado, até 30 de junho, reajustes que repusessem perdas com a inflação, com a lei entrando dois dias úteis depois, o que corresponderia a 4 de julho.

Para cumprir esse prazo, no entanto, o governo precisaria ter enviado um projeto de lei ou medida provisória ao Congresso no fim de maio ou na primeira semana de junho.

Reivindicações

Os funcionários do BC reivindicavam a reposição das perdas inflacionárias nos últimos anos, que chega a 27%. Eles também pediam a mudança da nomenclatura de analista para auditor e a exigência de nível superior para ingresso dos técnicos do BC. Com a negativa do governo em conceder aumentos, eles se concentraram na elaboração de um novo plano de carreiras.

Em 19 de abril, a categoria suspendeu a greve, mas retomaram o movimento por tempo indeterminado desde 3 de maio. Desde então, só serviços considerados essenciais estão sendo executados, como as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o Pix e a divulgação do déficit primário no primeiro quadrimestre.

A divulgação de estatísticas, como o boletim Focus (pesquisa semanal com instituições financeiras), o fluxo cambial, o Relatório de Poupança e a taxa Ptax diária (taxa média de câmbio que serve de referência para algumas negociações), foi suspensa ou ocorre com bastante atraso desde então. Projetos especiais, como a expansão do open finance e a segunda fase de consultas de saques de valores esquecidos, estão suspensos.

Desde o início do ano, diversas categorias do funcionalismo federal trabalham em esquema de operação-padrão ou fazem greve porque o Orçamento de 2022 destinou R$ 1,7 bilhão para reajuste a forças federais de segurança. No fim de abril, o governo confirmou que estudava um aumento linear de 5% para todo o funcionalismo, mas, no início de junho, o ministro da Economia, Paulo Guedes, descartou a concessão de reajustes em 2022.

Nas últimas semanas, servidores de órgãos federais em greve voltaram ao trabalho. As atividades foram retomadas no Tesouro Nacional, no Instituto Nacional de Serviço Social (INSS) e na Controladoria-Geral da União.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Economia

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Mesmo sem reajuste salarial, servidores do BC anunciam fim da greve

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Servidores pediram reajuste salarial, mas governo negou proposta para aumentar Auxílio Brasil
Redação 1Bilhão

Servidores pediram reajuste salarial, mas governo negou proposta para aumentar Auxílio Brasil

Os servidores do Banco Central (BC) decidiram nesta terça-feira (5) pelo fim da greve que começou em abril mesmo sem atingir o objetivo de reajuste na remuneração. Segundo o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), a assembleia decidiu por terminar a greve também por conta do fim do prazo legal para ampliação de gastos com pessoal. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impede reajustes nos últimos 180 dias de mandato.

Além do reajuste, os servidores do BC também reivindicavam uma reestruturação de carreiras. De acordo com o presidente do Sinal, Fabio Faiad, a categoria vai continuar mobilizada pelas reivindicações.

Nos últimos três meses, muitas publicações tradicionais do Banco Central não foram feitas, como o relatório Focus, que reúne as projeções do mercado financeiro, assim como as estatísticas de crédito, do setor externo e o IBC-Br, que mede mensalmente a atividade econômica.

O BC informou que com a volta ao trabalho, as divulgações serão atualizadas assim que possível.

Servidores reclamam

Em nota, o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) disse que há “indignação” sobre o congelamento salarial dos servidores civis por parte do governo.

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A Fonacate ressaltou que a inflação de quase 30% no acumulado dos anos de governo e disse que houve uma “implosão” dos mecanismos de diálogo.

“Diante desse quadro lamentável, resta aos 1 milhão e 200 mil servidores civis da União ativos e inativos, e seus pensionistas, denunciarem o descaso com que foram tratados pelo atual governo, para o qual a retórica de fortalecimento e valorização do serviço público não passou de promessas vazias”, diz a nota.

Histórico

Os servidores públicos federais começaram a se mobilizar pelo reajuste no começo do ano, depois que o presidente Jair Bolsonaro prometeu um aumento apenas para as forças policiais.

Em abril, Bolsonaro chegou a decidir dar um aumento linear de 5% para todos os servidores. A proposta não foi bem aceita pelos servidores por ser bem abaixo da inflação acumulada dos últimos anos e o governo desistiu dessa medida.

Depois de confirmar que não daria mais aumentos, Bolsonaro passou a avaliar um reajuste no vale-alimentação, que hoje é de R$ 458 para funcionários do Executivo. A medida também não foi levada em frente.

Fonte: IG ECONOMIA

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